18 abril 2010

Foi a tempestade que te levou...




Tudo caiu para cima de mim
O mau tempo e o teu desdém
A chuva e os ventos e o vazio
De sentir-me irremediavelmente desprezado
E os silêncios de uma condenação a estar só

Veio o vendaval, vieram os relampagos
Os sons furiosos em sobressaltos nos céus
Águas milhentas salpicadas com gritos e fúrias
Sobre mim

Enquanto deixava de ouvir segredadas
As palavras com que antes me saudavas
Perdia o sorriso com que sempre me recebias
E deixava de sentir o abafo teu, o teu toque

Foi a tempestade que tudo tragou
E me deixou para aqui, só,
Enquanto entre a luz e o ribombar
De milhentas lutas revoltas no céu
Perdia, sem remédio,
O sabor dos teus beijos
E o calor de um abraço teu

Foi tragédia, foi cataclismo
Foi infernal hecatombe, fim de tudo,

E no meio de uma formidavel tempestade
Entre águas e ciclones, puxada de mim
Te perdi para sempre
E entre a escuridão e as sombras perdidas
Aqui estou só e sem ti,
No escuro, ao vento, à chuva, só. Sem ti...




15 abril 2010

Um dia parti




Um dia parti
Rumo ao desconhecido
Levando comigo a força de uma guerra sem fim
E de um sonho teimoso desejando existir
Sempre

Um dia com o anoitecer
Com as sombras envolventes e os vazios ao meu lado
Subi mais alto que as nuvens dos céus
E dali, bem lá na alturas
Abracei as estrelas,e pisquei o olho à lua
Que me observava inquieta.

Um dia quis acordar
Mas percebi desse querer, e de tentar,
Que efectivamente nunca tinha estado ali,
Naquele espaço demasiado pequeno e estreito
Nesse mundo apinhado e à deriva
Catapultado entre galácteas e corpos
Que é o lugar da vida de todos nós.

Um dia quis partir
E acordei, de um inexistir permanente
E pulei desejando ultrapassar o delírio
De uma obssessiva e vitalícia ilusão
Ou simplesmente, de um vago ser ou estar,
Buscando mais que a descoberta
De algo que pudesse encontrar
Fora de mim,
Pudesse paulatinamente
Como num acordar prioritário
Tocar-me, e olhar-me
A mim mesmo.

Em busca de mim
à procura de um existir
Que se desconhece como real
Mas que cremos é verdadeiro
Parti. Em demanda, à descoberta
Em peregrinação
Em viagem sem fim
Procurando encontrar bem no fundo
A razão de tudo
A essência
Um pouco de mim.

Um dia parti...





07 abril 2010

Vem,... entrega-te a mim!




Vem,... entrega-te a mim!

Passa, passa de mansinho
E toca-me, toca-me ao de leve
Devagarinho.
Toca-me na pele
No meu rosto, nos braços
Elevados, que ergo te chamando
Toca-me, vento que vens do monte
Vendaval que trazes contigo o cheiro do mar
Ventania matinal que desafias o tempo
Vem, vem à toa, como quiseres, mas vem,
Desorientada a tocar meus sonhos
Toca-me e fala-de de amor
Do meu amor
Dos meus eternos sobressaltos
Que o coração cultiva sem regra
Batendo sem governo, sem eira nem beira,
Simplesmente batendo, por ti, além, lá.

Vem, nos remoínhos ventosos, às voltas,
Salta para mim e diz-me notícias
De alguém que longe está, e perto sinto,
Quando me bates no rosto, me atacas o olhar
E me deixas lacrimejando de desejo
Te imaginando a deixar
Junto de mim
O meu bem.

Salta das nuvens, corre do sol, arrefece,
Descansa nos meus braços, encosta a tua cabeça,
Perde-te em mim que te espero há meia dúzia de séculos
Entrega-te, vencida, perdida, de uma só vez,
Para seres amada. Vem, vem e entrega-te,
Dá-me o cheiro da tua pele, o toque dos teus cabelos
O calor que de dentro de ti explode prometendo fantasias
Vem, entrega-te toda em mim, queda-te aí,
No meu campo de sonhos e delícias
E aí, entre flores e canticos de beleza
Nos tornaremos um só.

Vem meu amor de longe, minha esperança,
Vem do outro lado do mar, do outro lado do mundo
Vem e vai, no embalar das ondas
Vai e vem, ao colo dos ventos
Para que comigo possamos livremente
Voar os dois, nadar no azul do oceano
Ou simplesmente percorrer os matagais de verde,
Para que os dois, unidos, sós,
Possamos transformar-nos em um sopro
De luz e de fantasia, de paixão, entrega e alegria
Vem, vem de longe, vem de vez,
Para que os dois, porfim, possamos descansar
Abraçados, entregues à promessa de um dia
De nos amarmos até ao fim dos tempos.

Vem, vem amor, do outro lado do mundo
Para que seja possível esse amor sonhado
Para que se torne realidade, a ficção inventada
De um amor sem limites, sem terra, sem poiso,
Que de verdade tenha só o ser, a entrega e simplesmente
Ser só nosso. Meu e de ti, que para fazer verdade, só para isso,
Vens do outro lado do mar, e te entregas a mim.

Vem, vem ... entrega-te a mim.






A Gente Vai Embora 🙏🏼