REFORMADO TEM DIREITO AO DOBRO DAS FÉRIAS
23 julho 2016
22 julho 2016
REMOINHOS DE IMAGENS DO PASSADO RELEMBRADAS HOJE
No meu processo de adaptação à minha nova realidade tentei recuperar voltando a fazer, o melhor que pudesse e soubesse o que antigamente me dava gozo fazer, e me entretinha. Tinha os blogues, dois, um em castelhano que chegou a ter mais de 400 visitas por dia, e um em português muito reservado, intimista onde me permitia lá colocar tudo o que fazia, contos, delírios, poesias, fotos, tudo ia para lá, muito como rascunho, ali caía e ali ficava, podia um dia ser corrigido e melhorado.
Ainda tinha um terceiro blogue que fiz só para o caso de um dia ter de defrontar com as palavras alguém, pessoa ou instituição que comigo se metesse e me fizesse dano. Para que não estivesse morto de vez em quando colocava lá análises do tipo político, opiniões irreverentes, audazes, francas, como eu sou.
Depois hibernei por volta de 5 anos. Não escrevi nada mais, não toquei nos blogues, não tirei mais fotos. Vivia fisicamente mas estava mais morto que vivo na alma. Não é fácil, nesse período perdi muito por mim, de mim e para mim e perdi muito com os outros. Posso afirmar sem risco de errar que quando tive de acordar do marasmo onde me encontrava não tinha ninguém. Por esta ou aquela razão nem amigos nem família resistiram aos laços que tais relacionamentos pressupõem habitualmente. O único ser que se manteve amigo até ao fim - faleceu de velho e de doente - foi a cadelita boxer da minha filha Helena, chamada Ginny.
Depois a história é por demais conhecida de todos os entram em meu blogue, e agradeço cada dia serem mais, houve um qualquer mau olhado ou bruxaria e os médicos que me fizeram a Junta Médica prejudicaram-me, brincaram comigo como se em vez de 60 anos fosse um cachopo de 15 anos, e se portaram muito baixo e muito sujo. Senti de tal modo a afronta que tive de chamar todas as minhas forças e fazer aquilo que no fundo quase toda a vida tive de fazer só; lutar. E lembrado o blogue feito à medida foi só começar a colocar lá fotos e textos, protestos, reclamações e tudo o que me veio à cabeça. E, numa teimosia de força decidi que cada dia tinha de colocar pelo menos um "post" em cada blogue. E colocar mais uma foto no OLHARES.
Nos blogues fui cumprindo embora muitas vezes sem grande espírito e paciência, em situações de mal estar, de desânimo mas lá ia cuidando das coisas. Em relação às fotos a colocar no Olhares, coloquei uma...
Hoje fui dar uma olhadela a algumas fotos que lá coloquei. Ver se um dia chegará a chama, aquele vício de andar de maquineta dos retratos e tirar foto a tudo e mais alguma coisa. Espero esse dia, talvez venha. Saudades, enfim, vamos indo.
21 julho 2016
DECLÍNIO! COMO ENGANAR A MÁQUINA DO TEMPO?
Hoje temos que consultar os astros para saber em que dias existem comboios naquela que foi conhecida pela linha do Leste. Aqui o ponto cardeal está trocado e deveria dizer-se a Este nada de novo. Para oeste vai o povo descontente à procura de vida. No oeste ficam aqueles que foram estudar e confiantes na sua capacidade e espírito de luta por lá se mantêm, organizam vida e relembram este Este condenado, tecnicamente já falido, moralmente já desfalecido, para abater qualquer dia.
O que havia de bom fugiu enquanto teve tempo - alguns se enganaram, aqui tudo é enganador, é mentira, é falsa promessa - e ficou o que não interessa a ninguém. A Indústria desapareceu, a agricultura não consegue competir e vive enredada em secas logo traídas por inundações, por mini tornados, e vendavais ou chuva de granizo. Curiosamente o agricultor que vem da Holanda, da Bélgica, da Alemanha e de outros países organiza-se, faz e prospera. Há aqui um problema de estar, o agricultor ainda parece o tipo que Miguel Torga narrava nos seus livros, gosta de copos, touradas, peito para fora, chapéu de marialva e andar rodeado de moços de estrebaria. As damas já se vê, com os subsídios aderiram aos Jeeps e aos chapéus cheios de glamour e pena de pavão.
Ficou o que já andava por cá no tempo do D. Sebastião, aqueles que não caíram na asneira de cair em Alcácer Quibir, e por aqui levavam os dias entediados, ora entregues aos petiscos, ora na caça à raposa ou ao javardo. Outros explorando a criadagem a pão e pouco mais e trabalho de sol a sol lá levantavam cabeça e tinham cavalo e corriam de charrete às feiras e bailaricos. Tinham filhos que nem conheciam, possivelmente nem as mães. Depois havia o senhor doutor, o padre, o boticário, o barbeiro que fazia operações e usava sanguessugas para limpar os sangues. Era um mundo parado no tempo. Como hoje.
A terra e as vilas, as cidades e os montes são de meia dúzia de senhores, de doutores, de espertos e outros fidalgos. Parece que o feudalismo nunca saiu daqui. O povo nunca teve nada, e acredito nem sonhos. Hoje sonha mas não tem nada. Crises endémicas só para alguns, que outros vêem-se engordar de um modo público que não engana. E tudo se resume a meia dúzia de castas, de famílias bem, de senhores da terra, de meia dúzia de cultos que por detrás das letras e sabedoria levavam o pouco que as gentes por aqui ou ali ainda tinham.
Hoje, mantêm-se esses dotados que tiveram um avô que sustenta a família até à sétima geração. Os empregos parecem dinastias, e ao presidente sucede a filha, e o neto já deve ter o lugar escondido não entre algum intruso à má fila. Isto ainda dá para os tradicionais, para os dos montes, para os toureiros, para os beatos de igreja, os afilhados dos padres, os parentes da fidalguia, e uns quantos que por sorte, por casamento, por arte se conseguiu colar ao populo crasso. A política veio catapultar muito burro a cavalo, e muito incompetente a gestor, e muito licenciado a homem de ciência, pelo menos nas promoções e nos salários.
Democracia? Isso é para oeste. Aqui vive-se cada dia com calma, sem pressas, há que aproveitar quando a maré está a dar e quem não está bem vá para outra paróquia. Fala-se tanto no interior, na desgraça de tudo estar a esvaziar como bola de borracha furada. Mas para que serve o interior. O interior só custa dinheiro. É gerido mal e porcamente. Faz-se tudo de qualquer modo e fora da lei se acaso interessa os glutões da zona. O interior é mandar camiões de dinheiro e não ver nada de resposta, cada vez está mais falido, cada vez produz menos, cada vez tem menos gente.
Está tudo como o comboio. Umas vezes passa e outras deixa dias e dias as estações às moscas. Eram estações agora são ruínas. E antes tínhamos cidades e vilas e neste momento temos lugarejos, vilas e aglomerados vazios a fazer de cidades. É um engano, tudo parece crescer, mas cada vez há menos almas. É tudo uma ilusão. Um crime. Ó tempo volta para trás, que isto está pior que há cem anos. E mesmo com tanto doutor e engenheiro não se faz nada melhor do que já se fez. Agora é folclore e pantomina. O faz de conta. O passar o tempo devagar. E não fazer ondas, pode vir daí um mini tornado ou coisa pior.
20 julho 2016
TANTO MAR...
Que o mar seja sempre visto como uma ponte entre mundos, um meio de ligação e de aproximação de gentes, e no fundo, na misturas dos azuis do mar e do céu, resulte um verdadeiro império onde as almas e os corpos se podem expressar em sonhos, em poesias, em fantasias sem fim. O mar é nosso, não as águas territoriais que as leis marítimas definem parta este e para aquele, mas todo o mar, ele é obro quase infinita e a maior parte do globo, é livre, não é posse, é dos homens, como no fundo deles também são as estrelas, e a lua, com o sol e todos os demais corpos celestes que Deus presenteou na sua ilimitada obra. No mar não vemos fronteiras, portagens, barreiras é a parte do mundo de todos, como deveria ser a Terra, do homem e da criação. Tudo foi feito para o mesmo fim, para o mesmo bem, é parte de vida, de promessa, de caminho, rumo à realização de cada um e de todos e a porta aberta à felicidade. Tanto mar...
19 julho 2016
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Li com muita atenção um pequeno texto em que uma jovem amiga atribui a Deus digamos a força, o ânimo, a companhia, a protecção e ...
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Parece que me fui Parece, admito, que te abandonei Falo contigo, sopro na brisa Palavras de consolo porque te sinto triste Parece, tudo par...








































