24 maio 2009

ESTRELAS NO CÉU… O TEU OLHAR





Quem me dera ter asas, poder voar
Subir nos ares, lutando contra tempestades
Desafiando chuvadas e frios, vendavais
Só para, elevado, acima do real e da vida
Por detrás do escuro de uma vida vazia
Olhar os teus olhos, olhar essas estrelitas
De mil cores, pérolas, irradiando luz
Que são, afinal, vida, ser, amor
São grito de esperança, planando
Sobre tudo, nas alturas, nos ares
Nas brumas imensas, hoje inacessíveis

Quem me dera voar, ter asas
Voar nos meus sonhos, e crer sem temores
Que tudo o que sonhamos podemos ter
O teu calor, o teu sorriso, as estrelas do céu
Uma carícia, um beijo, o teu olhar











SEM ESSE OLHAR NÃO FAZ QUALQUER SENTIDO





Mesmo na noite mais escura
Olhando em qualquer direcção
Com ou sem sentido, aqui ou ali,
Eu sinto, sem quaisquer dúvidas
Que nós seguimos juntos,
Que estou ao teu lado, contigo,
Que nos tocamos em silêncios
E que me sorris quando sou teu
Ali, aqui, com o brilho inesgotável
Desses olhos, deste teu olhar
Dessa cor envolta em magia
Que me garante vida





Mesmo na noite mais fria
Sinto esse calor que projectas
Em todo esse olhar que me toca
E incentiva sempre, a caminhar
É como promessa de futuro
Um me perder, em delícias
Em sonhos, em momentos de vida
Em turbilhões de encantos
Te querendo, te olhando





E por tudo isso sigo buscando
Como a luz, os alimentos
A beleza colorida que extasia
E que chega desses olhos
Porque admitir viver sem ele
Sem a carícia desse olhar
Não faz qualquer sentido



Não, não faz qualquer sentido
Não ter esse olhar olhando o meu










17 maio 2009

PARQUE DE MADRID - 14 de Maio de 2009



Quem me conhece sabe bem quanto me encanta olhar o verde das matas, dos campos, das florestas, e claro, das ervinhas que no chão se colocam maravilhosas qual tapeçaria de esperança onde podem deleitar o olhar e correr, saltar, livremente.



Mais ao de leve só nas nuvens, garantiu-me, uma vez, um célebre cabeça no ar cuja prudência aconselha manter no anonimato.


Fui a Madrid essa cidade fantástica ali bem no centrinho da península Ibérica de cujo território estaria talhada a ser capital não fora a tradicional poesia libertina e aloucada do povo português, de querer mais que o próprio passo, ser senhor e dono, e herói. E conseguiram os portugueses o feito de se manterem independentes, serem nação, serem estado, viverem a sua própria vida e construir o seu próprio mundo.


Mesmo quando parecia loucura ser, sair, fazer. Muito na sua pequenez fizeram os portugueses, tornando-se grandes, gigantes mesmo. Numa proeza que se mostrou impossível por muito tempo… foram quase senhores de meio mundo, e depois a pouco e pouco, por incapacidade, por falta de organização, regras e método, foram perdendo, minguando, encolhendo, até se mostrarem do seu próprio e natural tamanho, pequeninos.


Libertámo-nos dos espanhóis pelo menos em duas vezes, entre guerrinhas e intrigas, e santos que foram guerreiros, e batalhas e suor e lágrimas. Um dos sectores do exército português mais martirizado de então foi a Ala dos Namorados, um corpo de jovens guerreiros que se lançavam nos campos de batalha de pendão bordado pela sua noiva, voando nos altos, enquanto cá por baixo, se derramava sangue. Bravos jovens, que um pouco como os de agora, pagavam as favas, se perdendo em arrojadas sortidas de irresponsáveis explosões de coragem e de bravura.


Fui a Madrid… que cidade grande, com modernidade e com história, com história, com monumentalidade. Vale a pena viajar ali para ver um pouco mais daquilo que temos por aqui no nosso jardim à beira mar plantado.


Mesmo ali para as bandas do centro encontrei um Parque magnífico, onde o verdinho me chamou a percorrê-lo, a sentir essa natureza ali bem dentro da cidade. Viam-se jovens correndo, mocinhas com ar de boa gente a praticar com o cãozinho, pares namoradeiros, velhinhos a descansar nas sombras, turistas a tirar umas fotografias, e alguma gente estranha, com ar anarquista a comer, enquanto enfeitavam o ambiente com multicolores bonés e camisolas, bandeiras.


Descobri que tratava-se de trabalhadores europeus que se encontravam em Madrid para uma Manifestação contra a crise do mundo, dos tempos, do regabofe de um capitalismo que se percebeu hoje, mais que selvagem, estava podre de louco.


Ri quando li numa faixa que desafiou todo o verdinho das árvores e arbustos, “Ajudam os Bancos e Exploram os que Trabalham”. De facto o mundo chegou a tal estado que parece paródia. As modernas democracias deitaram-se face à ciência da economia, e os seus magos simples economistas que tudo sabem, menos evitar desgraças. As modernas nações puseram-se de gatas subservientes aos poderosos grupos económicos que não conhecem dono.


Quem paga, como sempre, são os desgraçados, que mais não fazem na vida que pagar a burrice dos inteligentes, a incompetência dos crânios e ainda levam, as mais das vezes, porrada dos mastins do regime, que são como eles, irmãos oriundos do povo.


Jajajajjajjajajjja… ainda se fala em democracia. Que regime pode ser eleito por um maioria para em seguida, legitimamente, trucidar quem os colocou no poder, enquanto a minoria que come da manjedoura do orçamento e se pavoneia ao serviço do interesse público, pode, sempre ao abrigo do estado de direito e outras patranhas, voltar a ser eleito de novo, e mais, e mais, sempre tragando, devorando, destruindo, em nome do interesse colectivo.


Estes políticos tornaram meninos de escola os maiores salteadores da história. Não usam de violência, não atacam pela noite, e rapinam tudo. Delapidam, destroem sonhos, matam ideias, afogam iniciativas. Em nome de todos, do interesse de todos, só comem alguns. É isto a democracia? Venha a tirania…


Pelo menos não é legítima quando esmaga. Quando humilha. Quando mata à fome. Quando ignora a dignidade humana e outras coisas que deviam ser sagradas mas permanecem desconhecidas quando tudo parece conhecer-se em cada minuto em qualquer parte do mundo.


Madrid estava linda… mesmo se nas ruas se sentia toda essa agitação de cores e gritos. Fui ao Parque de Madrid e ali pude sentir-me como se estivera num qualquer campo verdinho do meu país, silencioso, convidativo a descansar e a passear.

Fui a Madrid, nessa Espanha de nuestros hermanos y en buena verdad puedo decir que me sienti muy bien. Fui a Madrid en Maio. Fui…




10 maio 2009

EXISTES,…DENTRO DE MIM







Sei que serenamente existes
Sei que és e em algum lugar estás
Vives, respiras, caminhas
Recebes as carícias do sol
E o teu cabelo esvoaça ao vento

Sei que intensamente sonhas
Sei que te envolves nos desejos
Buscas, constróis, edificas
Realizando existires em cada dia
Desfrutando despertar em cada manhã


Sei que vives do outro lado do mundo
Sei que não posso tocar-te, nem te olhar,
Mas reconheço a luz que vem dos teus olhos
Sinto, como se me beijasses, esse sabor,
Que recebo em cada lufada de ar fresco

Sei que me delicio em cada pensamento
Sei que estou feliz quando de ti sei
Mesmo que um mar azul, imenso,
E o tempo e o espaço em conluio, unidos,
Teimam em nos manter separados


Sei que o mundo vai diminuindo
Sei que sinto no meu, o teu calor
Mesmo que permaneças do outro lado
De um mundo que nunca cessa de girar
E que abraçamos, todo nosso

Por isso, mesmo te sabendo longe
Mesmo não podendo olhar-te
Nem podendo num quente abraço
Revelar tudo aquilo que sinto
Sei, claramente, que te quero


Por isso, não tendo quaisquer dúvidas
Que acordas comigo em cada manhã
Que caminhas ao meu lado de mão dada
E que me ofereces o teu calor em cada noite
Sei, porque sinto, que te necessito

E porque sei distintamente, e porque sinto
Que me fazes falta, e que te quero
Olho em cada instante o mar sem fim
Procurando a tua imagem, noutro lugar
Cá dentro, neste outro lado…dentro de mim









UM DIA BEM PASSADO

Um bom amigo dos tempos de Faculdade convidou-me a visitá-lo e à terra de seus pais, ontem, ali para o interior centro de Portugal onde, com outra “malta”, boa gente, ali residente e outros que não deixariam de vir de Lisboa, encontraríamos oportunidade de franco convívio, seguramente uns salutares petiscos compostos daquelas iguarias campestres ou rurais que tanto nos fazem crescer água na boca, e claro, numa ideia assaz arrojada nos acometeríamos a uma audaciosa aventura – o modernismo tem cada coisa – de descobrir, em jeito de concurso, com prometidos fabulosos prémios, a aldeia e algumas das suas mais interessantes particularidades.
Não pude recusar. Uma amizade boa é como um imã, e sempre vão crescendo as tão portuguesíssimas saudades. E viajar é sempre um cortar com as rotinas tão pouco coloridas dos dias que vamos passando nas nossas vidas.
E, ainda mais, comer, beber e conviver, prometem esquecer por algumas horas coisas tão estranhas e mesmo estranhas, que nos fazem amargos de boca e turvam os pensamentos, como a economia numa crise que teima em ser estrangeira quando a maior está entre portas e somos nós mesmos, uma gripe que meio mundo jura tudo ameaçar, com outro meio a dizer que se trata de invenções da indústria, da economia falida e de uns políticos habilidosos a inventar entreténs para inconfessáveis interesses. Entre outras coisas mais…
Assim, viajei à Beira Baixa, ali para a zona do pinhal – Deus no livre dos incêndios – e confesso foi o que melhor fiz; senti-me bem, conheci gente linda, a tal boa gente, convivi, comi, falei, ouvi, sorri, andei à chuva – há muitos anos não apanhava duas valentes molhadas na mesma tarde, - e andei por ali, rua abaixo, rua cima, caminho para aqui e para ali…

Foi um convívio alegre, feliz, um dar ao dente, de tinto na mão, recordar antigos pratos que dificilmente se encontram hoje nas nossas mesas. Até houve jogo da sueca com renúncias e tudo. Foram quatro jogos, claro está, um pente doirado para pentear a farta cabeleira.

O passeio aventura, foi mesmo a loucura total, só se via gente de camisolas branquinhas e boné na cabeça, em pequenas equipas, percorrendo a terra, fazendo perguntas aos residentes, tirando fotografias, tomando notas, um corrupio, entre alegrias, bocas, risadas e claro está, correndo a fugir das fortíssimas trovoadas que alagaram por completo toda a aldeia.

Mas fruto de tudo isso ficámos a conhecer a oliveira mais velha dos arredores, onde estavam os eucaliptos mais altos, a idade da Igreja, onde existiu um lagar, tirámos fotos a flores do campo, a ruas, a casas, e andámos, andámos… eu nem podia crer, depois do estado em que ainda trazia os meus pés dos mais de 25 quilómetros em que estive perdido nas serras do Transfrontera ali na raia da Extremadura espanhola perto de Marvão.

Vimos, olhámos e fizemos muitos pequenos – que parecem nadas – mas foram efectivamente, um olhar, mais atento, e mais cansativo – há que fazer desporto – às nossas raízes.
Depoiis… upssssssssssssssss ainda houve daqueles jogos tradicionais, onde, claro está, a minha equipa – daqui envio um saudoso abraço a todos eles – que era sem dúvida a melhor de todas, jajajjajjaja, se destacou em todos os feitos. Como é bom de ver…

Quanto aos prémios… bem, aí já a coisa muda de figura. Há bom português, que cá para mim ali houve sabotagem – possivelmente a ETA estaria envolvida nisso – saiu a filhos e compadres, e aos da terra… aos amigos e afilhados. Só faltou estar por ali algum membro do governo. Mas, à boca fechada murmura-se pelas ruelas daquela aldeola beirã que um ministro do governo telefonou, ele próprio, a dar instruções e pedir apoio para uns certos amigos.
Junto algumas fotos desse dia bem passado. Agradecendo ao meu amigo Luis Martins o simpático convite, e desejando que não se esqueça de repeti-lo das próximas… Tenho de desforrar-me do jogo da sueca, e do mau olhada da renúncia, e claro, conviver, ver, sorrir, comer e beber, e sujar as mãos, apanhar molhas, e ser enfim, de novo, um rapazola aloucado, e feliz.
Obrigado Luís… a todos que por ali estiveram um abraço. Especial, especial, claro, aos meus companheiros quer de equipa, os “Perdidos” encontraram-se no melhor, mesmo sem prémio, e à minha parceira de sueca, que merece vitórias imemoráveis.

UM bem-haja a todos. Foi um lindo dia, Gostei

A Gente Vai Embora 🙏🏼