11 junho 2016

REQUIEM PELA LÍNGUA PORTUGUESA CAMONIANA





MORTE DA LÍNGUA PORTUGUESA

LUTO NACIONAL


Se eu fosse um músico empenhava-me seriamente em fazer um Requiem dedicado à morte da língua portuguesa tal qual se falou enquanto existiu Portugal e durante a minha vida. Mas eu continuo vivo mas mais vazio, me retiraram algo que fazia parte integrante de mim e que me orgulhava, Portugal continua país mas subalternizado não se entende bem a quem nem porquê, tendo hipotecado, ou vendido o seu idioma, a sua língua, a aniquilando a reduzindo a uma coisa que ninguém entende bem.

Há motivos imensos para o país sair às ruas vestido de luto. Camões, Vieira, Eça, Aquilino. Camilo, Pessoa, Saramago e tantos outros foram amputados, o que escreveram e nos devia dar fértil vaidade ou alegria imensa, passa a ser escrito com outras letras, com uma escrita que ninguém percebe bem o que é, nem donde vem.

Houve uns intelectuais, uns políticos, uns inteligentes que acordaram com todo o mundo e com ninguém, alterar a língua portuguesa passando a ser uma saladinha com muitos atributos, tantos que ninguém pode apoderar-se dela, chamando-a de sua. É um novo idioma, que nasce do português e é vítima de todos os atropelos inimagináveis que a reduzem a coisa quase nenhuma. Não é o idioma de Angola, nem de S. Tomé e Príncipe, não é o idioma do Brasil nem o de Timor Leste, não é o português de Cabo Verde nem o de Moçambique. É uma invenção. É um atentado. É um ultraje aceite por meia dúzia e que vai afectar todos.

Pensava eu que o Miguel de Vasconcelos tinha morrido quando foi lançado de uma varanda para a rua no Terreiro do Paço. Mas constatamos que ele não acabou, ele se catapultou em partículas que povoaram o mundo português durante séculos e quando se juntaram para atacar Portugal de novo, não foi, estou em crer ao serviço de Espanha, mas nem imagino de quem pode ter sido, e simplesmente destruíram uma das mais belas representações, símbolos, alma dos portugueses, e da sua história, a Língua Portuguesa.

Só recordo na nossa história outro acto tão vergonhoso para quem tem honra e sente orgulho em ser português, o cerco da armada inglesa a Lisboa impondo o fim do mapa cor de rosa. Londres, nosso primeiro aliado e querido amigo não aceitava que Portugal fosse tão grande e vinha à nossa porta nos subjugar, nos ameaçar, nos reduzir a pouco mais que um bando de cobardes inúteis. E lá se foi o mapa cor de rosa. E houve choro de raiva, e houve lágrimas. E todo um povo foi achincalhado, desprezado, humilhado e vergado pelas forças curiosamente do nosso melhor amigo.

Hoje os portugueses também podem vestir de negro, podem chorar, podem envergonhar-se, podem sentir-se ridicularizados, humilhados e mais uma vez vergados por amigos. A Língua é a alma de um povo. Cortam-na e o povo não pode se expressar. Não pode dizer o que lhe vai na alma. Ou então gesticula, faz arabescos, faz magia, que no fundo é o mesmo que nós temos de fazer quando escrevemos "fato". O que é isto? O que quer dizer? A que se refere? Quando falávamos como portugueses "fato" era fato, referindo-se naturalmente a um conjunto de peças de vestuário. Toda a gente entendia. Era claro, era português escrito e falado. Hoje "fato" tanto pode ser um vestuário como uma determinada ocorrência, que o português de Portugal designava, não dando aso a especulações, de facto.

Sem graça, ensinam agora que esse "c" não faz sentido, os nossos puristas indignam-se apenas de o olhar, revolta-se-lhe o estômago, têm náuseas. Mas o que pode dizer um resistente lusitano que lendo um artigo em português brasileiro (assim é conhecida a língua portuguesa falada e escrita no Baasil) quando encontra nele o tal moribundo "c", que tanto incómodo provocou neste cantinho à beira mar plantado.

Assistiu-se a mais uma triste palhaçada da história portuguesa, que infelizmente está recheada de imensas, fez -se o Acordo Ortográfico, que já entrou em vigor. Gostava de saber quantos subscreveram esse Acordo e quantos o estão a cumprir, a aplicar. Pobre país que sempre teve sentido de comédia, sempre deu aso a ser motivo de chacota entre os países desenvolvidos ou civilizados. Temos de facto criatividades que não lembram a ninguém. Somos únicos.

Pois vejamos, a Língua Inglesa é comum, quero dizer estandarte na Grã-Bretanha, Gales, Escócia, Irlanda e ainda nos Estados Unidos da América, ou no Canadá, ou na Nova Zelândia, ou na Austrália. Estes países fizeram um Acordo Ortográfico para serem todos iguais, tipo banda, ou o Inglês ainda é o idioma falado na Inglaterra e nos outros locais se fala o inglês com naturais influências que o tempo, a distância e as influências determinaram?

E o "castellano", a Língua de Cervantes? É do mesmo na Espanha, no México, na Argentina, na Guatemala, em Cuba e em outros tantos países onde o castelhano é o idioma nacional? Ou a Espanha abdicou de ter uma Língua sua, que desenvolveu com séculos da sua história, para ter um idioma igual para todos, também fizeram um Acordo Ortográfico?

Triste país este Portugal. Só foi grande quando um punhado de vezes teve no leme homens de qualidade acima da mediania. Foi-se a qualidade e ficou uma desgraça escanzelada que normalmente tem mau resultado e nos envergonha. Não temos meio termo. Ou atingimos o Sublime e nos tornamos heróis ou caímos por aí abaixo e o solo não nos chega, mergulhamos na escuridão e nem sabemos rigorosamente onde paramos.

Por isso temos mais de 800 anos de história. Mas apenas nos orgulhamos seriamente de uma dúzia de monarcas de algumas fases de grandeza e  luz, e na República grande parte daqueles que o povo escolheu para governar, ou decidiram por si, só são conhecidos por atrocidades, desgovernos, prejuízos, e vergonhas nacionais. Os Presidentes da República e os Governantes que estiveram à frente da Nação, grande parte deles, no que se refere a estes mais actuais estariam metidos na justiça como ocorre no Brasil tanta é a confusão entre ser e não ser, estar e não estar. E ter e não ter. Quanto aos antigos, ainda tinham alguma ideia de missão, ou de palavra, mas uma pequenez de espírito e acções tão sem graça que levava as Nações civilizadas europeias a nos equiparar com países como a Turquia.

Creio que a grande maioria do povo português é contra esta atrocidade que se fez na Nossa Língua Materna, no Nosso Português. Andámos a negociar com quem não devíamos pois cada povo tem a sua história, e a deve manter, e se orgulhar, e um idioma não se vende como sacos de farinha, ou barris de petróleo. Creio que este Acordo foi feito por gente morta, no espírito, na nacionalidade, no patriotismo, e os vivos, os que amam Portugal e têm orgulho em ser portugueses e o assumem nos cinco cantos do mundo, devem anular o que saiu empestado, bafiento, mortiço, do catre dos vendilhões da nossa Língua, e devem sair à rua, devem se manifestar, protestar, devem dizer sem qualquer tipo de receio que a Língua Portuguesa é dos portugueses, nasceu em Portugal e foi tornada universal por escritores e pensadores de renome que não podemos esquecer. Nós, filhos desta Pátria Portuguesa, que abrimos os olhos para a nossa Bandeira, aprendemos a cantar e ouvir o nosso Hino e nos conhecemos expressando-nos num português que temos na alma, temos de nos juntar, temos de unidos declarar que o que nosso é não se pode vender, não se pode trocar, não se pode negociar. A Língua Portuguesa é nossa, está connosco desde o berço, desde os primeiros passos, como a Bandeira, o Hino, o Presidente. Vendemos a Língua. A seguir o que vamos vender? A Bandeira? O Hino? O Presidente? E porque não nos vendermos todos? Pode ser que dê para pagar a dívida e ficamos sem história, sem honra, nem glória, mas podemos fingir que vivemos, debaixo dos pés de outros, vendidos por gente sem princípios e sem alma.

Não podemos ir por aí. Esse não é o caminho nem da liberdade nem da responsabilidade. Lutemos pelo nosso Português. Se não lutarmos pelo que é nosso o que andamos a fazer neste mundo?


10 junho 2016

10 de JUNHO - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades


DIA DE PORTUGAL







Parabéns Portugal. Ergue-se o braço com o cálice na mão e um Porto de qualidade dá-nos a alegria de um festejo e um requinte de algo especial. Mais um ano se passa neste país à beira mar plantado. E, tendo em conta o seu espaço geográfico podemos colocar o nosso país entre os mais velhos do mundo. Temos mais de oito séculos de história. Temos muitas alegrias e podemos relembrar momentos menos felizes. Mas continuamos vivos e Portugal vai manter-se entre a multiplicidade das Nações por muito tempo. Para um indivíduo demasiado meticuloso e organizado, prudente o dia de hoje seria breve quanto aos festejos, e dividir-se-ia em partes sensivelmente iguais de três períodos de tempo. No primeiro daríamos uma incursão ao nosso passado, desde a fundação do reino e as impressionantes capacidades guerreiras do nosso D. Afonso Henriques, falaríamos na Ínclita Geração e o termo da crise de 1383- 85 e a primeira passada no caminho da globalização mundial com a conquista de Ceuta em 1415. Depois poderíamos deleitarmo-nos na vaidosa realidade de termos sido uma potência de tal ordem influente que chegámos a dividir com os nossos vizinhos espanhóis através do Tratado de Tordesilhas o mundo ao meio cabendo a cada um uma parte. E falaríamos da Expedição de Visita ao Papa no reinado do rei D. João V, que foi conversa das gentes daquele tempo pela majestuosidade e maravilha. Colocar-nos-iamos frente ao mapa mundo e levaríamos algum tempo para localizar todas as terras onde as nossas naus acostaram por esse mundo, até terras da Índia, da Malásia, da China e do Japão. E terminaríamos esse período de olhar o nosso caminho realizado observando a Implementação da República, os primeiros anos desse novo modo de governo, a ditadura e Constituição de 1933 de Salazar, e por fim a Revolução dos Cravos, a independência das antigas colónias, a libertação dos presos políticos, as primeiras eleições livres e a liberdade de expressão e reunião, de participar na vida política, na legalização dos partidos políticos, A democrática nova Constituição da República e a implementação de um estado de Direito, legal, que garante liberdades , garantias e direitos aos cidadãos.

Acabaria este período que teve efectivamente muitos momentos de grande importância e que foram marcantes para os portugueses. E passaríamos à segunda pausa de reflexão, olhando os dias da actualidade. Como estamos, qual a nossa posição no mundo, que problemas se nos colocam, como se encontra a saúde, a educação, a justiça, como se concertam as forças sociais, qualo papel da entidades privadas e dos cidadãos em relação à Governação. Enfim, faríamos um levantamento da actualidade.

Por fim, saboreado o passado, e estudado o presente, perante o diagnóstico que os debates e reflexões suscitassem, deveríamos em conjunto, num leque alargado de forças, as tradicionais entidades e instituições,  partidos, Presidência da República e membros do Conselho de Estado, Membros do Governo, Entidades representadas na Concertação Social, Representantes dos diversos sectores de actividade nacional, homens de ciência, de cultura, artistas, pensadores, sindicalistas e empresários, deveríamos programar e organizar meticulosamente um caminho que juntos deveriamos trilhar com vista a chegar a um futuro de todos, mais próspero, mais justo, mais eficiente e eficaz, mais ligado às populações em geral. Com as mãos dadas, com uma união contra as adversidades, com um planeamento no tempo e não dependente dos ciclos eleitorais, poderíamos edificar um país diferente, e voltar a dar lições no mundo onde vivemos e onde podemos, quando soubermos caminhar juntos, voltar a dar lições.

Viva o dia 10 de Junho, Viva o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.


09 junho 2016

VESTÍGIOS ARQUEOLÓGICOS ENTRE 2000 A 7000 a.C.


MEGALÍTICO




NÃO SOU ESPECIALISTA EM HISTÓRIA, MUITO MENOS EM PRÉ-HISTÓRIA, MAS UMA COISA EU TENHO, RESPEITO E DEFERÊNCIA QUANDO ENCONTRO VESTÍGIOS QUE EMBORA POSSA NÃO CONHECER EM PROFUNDIDADE NEM SABER QUALIFICAR ME GARANTEM UMA COISA, AQUELE LOCAL ONDE ESTOU JÁ FOI IMPORTANTE PARA O HOMEM FAZ MUITOS MILHARES DE ANOS. ESTA ANTA É PERFEITA, É LINDA, FICA NO CUME DE UMA PEQUENA ELEVAÇÃO DONDE SE AVISTA, CREIO, O MUNDO DE ENTÃO PARA UM GRUPO DE HOMENS QUE VIVIAM JUNTOS. COMO ELES FORAM CAPAZES DE EDIFICAR AQUELE MONUMENTO QUE CREIO FÚNEBRE NÃO FAÇO A MAIS PEQUENA IDEIA, O QUE JUNTA A TODA A NARRATIVA HISTÓRICA QUE SE PODE FAZER ALGO DE MISTERIOSO SOBRE UM MUNDO QUE OCORREU ANTES DE NÓS HÁ MILHARES DE ANOS. QUANDO NÃO SE CONHECIAM MÁQUINAS DE TIPO ALGUM, NEM INSTRUMENTOS OU UTENSÍLIOS CAPAZES DE PER SI LEVANTAR PEDRAS ENORMES MAIS ALTAS QUE A ESTATURA HUMANA, E COLOCAR EM CIMA UMA PEDRA A SERVIR DE TECTO OU TAMPA. PRÉ - HISTÓRIA E MISTÉRIO. TODOS CONHECEM? FICA RELATIVAMENTE PERTO DE PORTALEGRE. HÁ OU NÃO NECESSIDADE DE CRIAR UM MAPA ARQUEOLÓGICO DE ACESSO FÁCIL AOS VISITANTES, LOCAIS E TURISTAS.



E O QUE ME DIZEM DESSE MAJESTOSO MENHIR. NÃO TEM APENAS INTERESSE PARA O OBÉLIX DA BANDA DESENHADA, MAS PARA TODOS AQUELES QUE SÃO DESPERTOS POR CURIOSIDADES. QUEM LEVANTOU AQUELA PEDRA COM UNS POUCOS METROS DE ALTURA (TALVEZ UNS 5 METROS) É O MAIOR MENHIR OU DA PENÍNSULA IBÉRICA OU DA EUROPA. DEVE SER DE UMA ANTIGUIDADE PRÓXIMA DAS ANTAS? QUE QUER DIZER? QUE SIMBOLIZA? TAMBÉM FICA NO DISTRITO DE PORTALEGRE E FICARIA BEM NO MAPA DA PRÉ-HISTÓRIA MEGALÍTICA DA NOSSA REGIÃO. É IMPRESSIONANTE OLHAR A ALTURA DESTA PEDRA BEM NA VERTICAL E MAIS ALTA QUE AS ÁRVORES QUE A RODEIAM. TAMBÉM SE COLOCA A QUESTÃO DE COMO TERIA SIDO COLOCADA TANTOS ANOS RESISTINDO ÁS INTEMPÉRIES NA VERTICAL. ESTE MONUMENTO E OS SEGUINTES ENCONTRAM-SE NO CONCELHO DE CASTELO DE VIDE E NOTA-SE QUE A CÂMARA MUNICIPAL NÃO DESCUIDOU SEUS MONUMENTOS. MAS ELES TERÃO SIDO DIFUNDIDOS DE MODO A PODEREM SER ALVO DE VISITA E DE REFLEXÃO.



SÓ COMO NOTA ACREDITO QUE PESSOAS QUE CIRCULAM HABITUALMENTE ENTRE CASTELO DE VIDE E PORTALEGRE AINDA NÃO TIVERAM TEMPO DE OLHAR, TIRAR UMA FOTO, A UMA PEQUENA ANTA QUE SE ENCONTRA A UNS 100 - 150 METROS DA ESTRADA. A MESMA ENCONTRA-SE ASSINALADA, MAS OS VEÍCULOS ANDAM RÁPIDO E AS PESSOAS NÃO TÊM TEMPO, E SEMPRE CORREM A CAMINHO DO TRABALHO OU DE REGRESSO A CASA. MAS UNS MINUTOS DE REFLEXÃO, MAIS DO QUE DE CIÊNCIA  QUE TAIS TESTEMUNHOS DA PRESENÇA DO HOMEM TÊM DEMASIADA TECNICIDADE PARA SIMPLES PASSEANTES OU CURIOSOS, EXISTE A CURIOSIDADE, O RESPEITO, O CONHECIMENTO, O MISTÉRIO, E O SABERMOS QUE MUITO ANTES DE NÓS, QUANDO O HOMEM NÃO TINHA NADA A VER COM O QUE SOMOS HOJE, ELE EDIFICOU ESSES MONUMENTOS, QUE SÃO SINAL DA SUA PRESENÇA HÁ MUITOS MILHARES DE ANOS. ABRANDE, OLHE, IDENTIFIQUE, SE VÊ DA ESTRADA E TEM UM CAMINHO QUE LEVA MUITO PRÓXIMO. UM DIA PARE E COM O TELEMÓVEL PODE TIRAR DUAS OU TRÊS FOTOS.




O NOSSO PATRIMÓNIO MOSTRA O QUE FOMOS



O QUE FOMOS NÓS?

O QUE EDIFICÁMOS?

DEMOS ALGUMA COISA AO MUNDO?





Portugal é um pequeno país à beira mar plantado, cujo território se mantêm mais ou menos sem alterações faz quase 900 anos. É muito tempo. Temos de voltar à reconquista cristã, quando os líderes dos condados espalhados no norte da península ibérica faziam da epopeia que foi a luta árdua de empurrar de novos os árabes para as suas antigas possessões territoriais no norte de África


Temos de voltar ao tempo místico do enorme movimento das cruzadas que partiam da Europa com o melhor que tínhamos, Reis, alta nobreza, jovens cavaleiros e exércitos imensos. Esses movimentos propunham-se na essência em garantir nas mãos dos cristãos as terras de Jerusalém. Desses movimentos de defesa da Terra Santa se organizaram Ordens de Cavalaria que vieram a ter um importante papel militar e económico ou mesmo de desenvolvimento na Europa.


As reconquistas levadas a cabo pelo nosso primeiro rei D. Afonso Henriques foram em alguns casos concretos ajudadas pelos exércitos cruzados que vinham do centro da Europa em naus e aportavam portos portugueses para reabastecer. E como dilatar a fé e o Império era um ideal de nobreza de enorme valia, esses movimentos de homens de guerra ajudavam os locais nas suas lutas contra a moirama  (árabes).


Em Portugal as Ordens Militares vieram a ter um papel importante que no povoamento das terras conquistadas aos mouros, quer na sua defesa, sendo certo que com os seus poderes militares não se inibiam de fazer incursõs nos territórios vizinhos sempre que podiam.


A ordem Militar mais importante e poderosa que possuía grandes áreas geográficas e inúmeros castelos era a Ordem dois Templários. A sua sede era em Tomar onde possuíam um belíssimo castelo, mas possuíam também todos os castelos da linha do Tejo, Almourol, Abrantes, Santarém, Ceras, e outros. o seu Grão-Mestre mais importante foi Gualdim Paes.


Outras ordens que existiam então tinham menos importância mas de todo o modo existiam e recebiam dos monarcas como prémio ou reconhecimento terras e vilas ou mesmo castelos ou mosteiros. Assim, não podem dissociar-se da história pátria as Ordens Militares como a dos Hospitalários, de Calatrava, de Avis e muitas outras


Através de 900 anos de história ficámos herdeiros de uma vastíssima colecção de testemunhos. Eles são os testemunhos que mostram uma realidade que leva séculos, e explica o que aconteceu. De um modo geral penso que o Património Monumental português, de testemunho histórico - salvo um pequeno número de castelos e mosteiros em derrocada ou já ruínas - tem sido alvo de uma atenção cada vez mais atenta por parte do poder central e sobretudo dos poderes locais e da gente de cada terra. Espanha é o segundo país do mundo com mais Patrimónios Mundiais da Himanidade, não se trata de um país de praias e "movida". Há todo um trabalho por detrás, que levou anos, em que se teve de gastar muito para recuperar ou manter património. Por isso Espanha também está no ranking dos países mais visitados do mundo. Creio que nós portugueses que temos de tudo, pode ser mais pequeno, mas o nosso país tem riquezas em todos os cantos, deveria não deixar cair até à impossibilidade de alguma coisa fazer, Temos a obrigação para com a história, os nossos antepassados, e devemos projectar tudo isso no nosso futuro, que não se limita ao povo de um concelho ou aos portugueses ams a todo o mundo que nos visita e está ávido por cultura. Dou um exemplo de uma experiência maravilhosamente bem sucedida; o Perú, um país da América do Sul com grandes oportunidades e perspectivas de desenvolvimento, encontrou a sua mina de ouro, Machu Picchu, e a trata como um bem muito precioso, a mantêm impecável, fazem obras de manutenção permanentes, as visitas já tem de ser programadas e existe um limite para os visitantes por dia. Depois tudo em seu redor foi alvo de esmerado trabalho, falo na Rota dos Incas de Machu picchu, que está a ser totalmente recuperada e sob várias obras de manutenção e limpeza, falo do Vale Sagrado dos Incas, e ainda falo na cidade de Cusco, a capital do Império Inca. Hoje o investimento estrangeio no perú multiplicou-se umas poucas de vezes mais, e a oferta hoteleira e restauração explodiu. Um dos 10 hotéis mais bonitos e de melhor qualidade já está situado em terras peruanas.

Não precisamos inventar. Precisamos fazer um levantamento, monumento a monumento. Temos alguns que são notáveis mas se mantêm desconhecidos. E cuidar deles, os publicitar, os colocar nas rotas turísticas. Portugal ainda pode ir mais longe. É um velho país, pequeno, romântico e cheio de história.

07 junho 2016

VALE A PENA LUTAR SEM NINGUÉM DO MEU LADO?




MORRER SIM

MAS EM LIBERDADE...


A LIBERDADE É O TESOURO

MAIS VALIOSO QUE O HOMEM

PODER TER


MORRER COM ELA É MORRER LIVRE










O homem é um animal social. Só, ou se trata de um deus ou de uma besta. Tudo o que o homem sonha, realiza, deseja, conquista tem o seu semelhante mesmo que de modo difuso incluído em qualquer feito ou realização.

Nem que se seja para impressionar ou influenciar, ou apenas mostrar precisamos de alguém para apreciar os nossos sucessos, para apoiar as nossas lutas, para verem o que encontrámos ou conseguimos possuir. Sem o outro cai por terra a ideia de ter, de conquista, de sucesso, de vencer. Sem o outro tenhamos feito muito ou pouco pouco vale, pois não nos chega a nossa própria satisfação se não tivermos um ser humano que ateste, que veja, que sinta, que olhe aquilo que nos deu trabalho a conseguir ou a sorte nos brindou.

Por tudo isso tenho momentos em que me apetecia fechar a loja, nada fazer, mandar com a toalha ao chão, desistir. É vão um esforço que se faz, uma guerra que se mantém é luta sem alma, o trabalho parece escravidão, se aqueles que usufruem de um modo directo ou indirecto das nossas realizações, ou são essas pessoas a razão maior da nossa luta, se seguem o seu caminho absolutamente indiferentes ao que tentamos edificar. Nem o seu bem parecem querer por ser luta de outrem, e em vez de incitar a persistir declaram a todo o tempo a inutilidade do nosso sacrifício. Mal exemplificando, parece mesmo que preferem que sejamos mal sucedidos para gritar uma razão triste e absurda que se volta contra elas.

Mas o que é certo, é que só é um suplicio maior. Olhar a indiferença parece condenação, castigo. E sentir que menosprezam simplesmente o que fazemos e o que somos parece empreitada demasiado desgastante para que um indivíduo siga lutando.

Vale a pena? Vale a pena lutar por gente que simplesmente nos despreza, nos faz danos, nos deita por terra? Para quê? Para alcançarmos um vitória amarga, e sairmos cansados, mais doentes, mais frágeis e mais humilhados? Qualquer vitória dessas é exactamente igual à Vitória de Pirro. Com outra vitória igual simplesmente caio por terra e não mais me levantarei. Vale a pena seguir lutando?

Não sei. Vou reflectir seriamente sobre tudo o que se tem passado comigo e continuar com a minha solidão, onde está pelo menos uma conquista; a liberdade. Sou livre, e se morrer, não é a queda de um escravo, de um estúpido explorado, é o fim de um homem livre, em liberdade.












05 junho 2016

EM DEMANDA DA SERENIDADE ESQUECIDA



Jesus não tinha biblioteca... Alguém algum dia fez esse comentário como que desse modo justificasse uma desvalorização dos livros enquanto fonte de enriquecimento pessoal. E, na verdade, os livros são apenas um meio, cuja valoração é muito variável, e podem ser um fim, mas nessa qualidade, ficam desvirtuados, fora da sua real valia, eles fizeram-se para ser lidos, estudados, criticados, como ensinamento, como reflexão, e não como mera colecção. Comprar livros a metro pode ser interessantíssimo para os livreiros e para ocupar estante vazia, mas aí o fim é discutível, também se podem encher estantes de objectos artísticos, de colecções de outros objectos, de coisas raras, de preciosidades  maravilhosas .

Eu desde muito cedo fui atraído para a leitura. Lia imenso, sempre que podia e muitas vezes no segredo da calada da noite. Cheguei a interromper a leitura de um livro quando chegada a hora de levantar e em breve novo dia começava para a família.

Curiosamente o meu interesse mantinha-se na leitura, e na minha adolescência devorava livros. Lia-os com uma sofreguidão que só encontrava termo quando o livro terminava. e o propósito seguinte era ler outro. Tive a possibilidade de ler todos os clássicos juvenis, de ler Júlio Verne em todas as suas obras, embrenhar-me na colecção imensamente rica dos livros de Emílio Salgari. Daí aos livros (proibidos para a minha idade foi um pequeno pulo e li toda a obra de Júlio Dinis e me perdi com a colação nada pequena de Camilo Castelo Branco.

Tive a sorte de ter tido uma avó maravilhosa que levava horas a contar-me histórias era eu um rapazinho. Eram dias e horas de volta da Ala dos Namorados, e de outros romances históricos. Já adulto percebi a riqueza extraordinária da sua memória quando percebi que ela me contava histórias que constavam de volumes grandotes e chegou a contar-me uma história interminável - nem podia ser de outro modo - de uma história em três volumes. Tinha eu os meus 18 anos quando toquei nesses livros de encadernados capa grossa acastanhados, e os comecei a ler. Cada página era um espanto, pois tudo o que ia lendo me tinha sido revelado muitos anos antes. Toda a história, três livros, com pormenores e tudo. Acho que muito do que sou enquanto leitor, enquanto interessado em ler, saí a ela. Quanto à memória, não podia me queixar, mas fui dando cabo dela com uma quantidade sucessiva de acidentes fruto de um estar no mundo em solidão, sem regras, e fazendo o que bem entendia.

Mais tarde apercebi-me da beleza do livro em si. E tornou-se um vício comprar, comprar sempre, livros novos. Levantava dinheiro para a semana mas logo por azar passava na porta de uma livraria e não resistia a entrar e parte expressiva do dinheiro que era suposto ter de durar uma semana ficava no livreiro. Depois vieram outras preocupações, as estantes e o espaço para livros que cada vez eram mais. A certa altura deu-se como que uma ruptura de assimilação, e comecei a ler menos. Mas continuava a comprar. 

E de verdade que não é preciso ter biblioteca para se ter conhecimento ou para se ser mais feliz. Existe gente que nem sabe ler e sabe muito fruto de uma vida mestre escola. Outros aprenderam na Universidade do Mundo, viajando, conhecendo novos países e povos diferentes. Quando regressaram traziam seguramente uns poucos de cursos superiores tirados na vida e no mundo.

Mantenho os meus livros ao pé de mim. Durmo ao lado deles, E passo grande parte do dia junto das minhas estantes. Não sei quantos livros tenho, nem me imagino a contar, nem os das estantes do meu anexo biblio-secretário-dormitório, e muito menos nos que andam espalhados na casa.

Os livros não trazem a felicidade, não são a garantia de conhecimento mas podem ajudar bastante, e podem ser ou não companheiros. Amigos. Tive a minha época com eles. Agora, como em tantas outras coisas, perdi esse entusiasmo, e mudando de vida vou levar comigo um punhado, seguramente daqueles que ninguém quer mas me ajudaram a ser irreverente, teimoso, lutador, defensor da verdade, dos mais fracos. Nem vão dar falta deles. São fortes e impetuosas obras que em cada momento ajudaram a catapultar no tempo. Foram demasiado longe quando escritas. Foram proibidas. Fizeram arder na fogueira o pensador cientista que ousou escrever coisas verdadeiras que os poderosos não aceitavam.

Quando olho esses livros penso como esses homens foram corajosos, como foi por existirem espíritos rebeldes, irreverentes e teimosos que a ciência avançou e o mundo é como o vemos.Uns perderam a vida, outros tiveram de retractar-se, outros de se esconder atrás de outros nomes ou publicando na hora da morte.

Servem-me de exemplo. Quando luto por alguma coisa penso nesses homens. E percebo o valor deles, e vejo que nunca morreram, que um pouco por todo o lado existem testemunhos e homenagens recordando sua dedicação à verdade.

Os livros podem ensinar-me a minha pequenez. Podem desmontar alguma vã e efémera vaidade de algum momento solto numa vida dura e difícil. Podem mostra-me que quanto mais leio menos sei. E mais pequeno é o meu conhecimento face a tudo aquilo que desconheço.

Sonhei toda a vida que um dia escreveria um livro. No declínio não será fácil encontrar engenho e forças para uma tal empreitada. Escrevo para mim. Escrevo o que penso, e na escrita encontro o caminho para lutar pela verdade, e por valores e princípios hoje simplesmente esquecidos. Não é importante ser escritor, como não é importante ser advogado, ou ter sido um brilhante operário na vida laboral. O que é importante é escrever, o que vem na alma e o que a liberdade quer. Melhor defendo um amigo com as armas de uma amizade à antiga, que sendo um fraco tribuno, e da minha vida profissional guardo a ideia que cumpri.

Vou continuar a escrever enquanto a vontade o determinar e me der ânimo colocar no papel virginal, meandros de arabescos que traduzem toda a amálgama de uma vida, de um mundo, de ser gente. Se Deus quiser...





A Gente Vai Embora 🙏🏼