17 janeiro 2011
Outros tempos...
Em todos os tempos, tenho cá para mim, existiram pessoas de bem assim como gente sem escrúpulos, comportamentos dignos e outros menos recomendados, coisas e loisas, altas e baixas, de monta e sem qualquer importancia. Só o tempo foi seguindo o seu curso e com ele, resultado da evolução da ciência e da técnica, e de pensamentos e ideias novas, de utopias que deixaram lugar a novas realidades, se foram assinalando novidades, nas rotinas, nos modos de fazer e de estar, no relacionamneto entre todos.
Os problemas antigos foram entretanto esquecidos com o renascer de novas temáticas, e com as preocupações dos nossos dias, parece agora ter inexistido, o que outrora também teve registo e foi relevante.
Naturalmente que fora de época, parece adquirir muito maior dimensão, o que cria actualmente tensão, embaraço, dúvidas, e parece mais preocupante, a quem não entende, a quem não se interliga naturalmente com as novas problemáticas, a quem parece ainda viver num outro cosmos, que foi um passado vivido, mais ou menos aceite e compreendido, e que já faz parte de nós.
Eu também já vivi em outros tempos, onde não existia computador, não se imaginava a internet, e onde a maior parte dos aparelhos que hoje possuímos nas nossas casas, não tinham sequer tinham sido sonhados. A tecnologia foi aparecendo a meu lado, enquanto crescia, fazendo-me calcular que o mundo era uma esfera que nunca parava, e que os homens, que entretanto tinham chegado à lua, era criadores ilimitados, seres imaginativos, inteligentes, e que de passo em passo, rasgavam manuais de regras e saberes, criando novas coisas e mundos novos.
Às vezes sinto saudade desses tempos em que tudo eram surpresas e conquistas, eram avanços, era a modernidade sempre fazendo emergir novas coisas e com isso fazendo as pessoas mudar hábitos e comportamentos. Nessa altura, ainda jovem também, tudo o que surgia era uma feliz novidade que curioso corria a abraçar e tornar coisa de mim próprio. Hoje, confesso, a velocidade com que tudo neste mundo se desenrola, a forma rapidíssima como surgem mais e mais coisas novas, em como se força a novos conhecimentos e hábitos, leva-me, algumas vezes, a duvidar que mantenha um espírito treinado para receber, como antigamente, e sobretudo, compreender e assimilar, as novidades, tornando-as coisas minhas, como antes.
É a lei da vida. Cada vez mais inebriante, veloz, exigente, parecendo mesmo desapiedada de todos nós. Tudo corre, cada vez mais rápido, mesmo quando nós próprios parecemos estar a entrar em desaceleração. E nessa corrida que novos e velhos temos de disputar, em cada dia, connosco e com o mundo, seguimos recebendo toneladas de novas informações, milhentas novas exigencias, novos avanços da ciência, novos comportamentos, novas realidades.
E seguimos vivendo, assimilando, correndo atrás do tempo, nunca esquecendo, naturalmente, os outros tempos em que tudo nos parecia mais simples, menos exigente, e muitas vezes mais humano e melhor.
Foi seguramente assim, noutros tempos em que, como agora, vivemos. Outros tempos, simplesmente.
01 novembro 2010
O lugar de Deus
26 outubro 2010
Fui ver o mar num dia cinzento e frio
Muitas vezes precisamos fugir ao quotidiano que nos traga, enquanto conjunto de rotinas e de realidades, para que uma nova brisa nos dê novo alento, e seja possível voltar à turbulência de mais um punhado de dias que afinal compõem, para o bem ou para o mal, a nossa vida.
14 outubro 2010
Existem dias assim...
Existem dias assim, em que estar só, é simplesmente o vazio, que não se pretende nem sabe explicar, mas é tudo isso que nos causa muitas vezes repulsa, como o frio, a escuridão, as sombras. Baralha-se tudo, numa amálgama de muitos nadas polvilhados de estranhos sussurros, de coisitas sem jeito que sem graça nos devoram a alma, que nesses momentos teima em enclausurar-se, auto-mutilar-se, em esgares sem termo num lugar sem fim.
Existem dias sombrios em que mesmo que incapazes de provar - a ciência ainda apresenta as suas debilidades, levantando aos céus a imensidão de uma ignorância cada vez maior - sentimos. Não temos como afirmar, dizer, defender o que curiosamente é-nos distinto, cá dentro, nessa manchinha minúscula que pulsa desordenadamente e a quem devemos tudo. O existir, o sentir destes dias, o passar do tempo, as cores, os movimentos, os desejos e muitas vezes envoltos na malícia de um querer que se esconde, os próprios sonhos.
Nos dias frios e escuros, sem luz, a alma exausta, envolta num esforço imenso de se assumir por igual aos demais dias, deixa-se, queda-se, sem que se sinta que está. Parece que partiu, que levantou asas e buscou para lá das nuvens a carícia suave que se adivinha de um sol que tudo seduz.
Nesses dias sem sol, envoltos na neblina de uma solidão maior, sentimos mais pesado o fardo de seguir viagem, seja ela a rotineira passeata diária ou a peregrinação da nossa vida, rumo a um desconhecido que nos chama, e nem mesmo a secura que possuímos e que nos impele a beijar em flor, mesmo indistinta, sem cheiro ou sabor, mas que quimericamente imaginamos num mundo onde já existe alguém, consegue impulsionar este corpo pesado, teimosamente atado às sombras envolventes.
Sabemos que existem flores adornando paisagens sem fim, e que o sol, se por aqui não se mostra é porque cheio de energia veraneia por outras paragens, e a luz dele, e da lua, sem esquecer a de milhentos milhões de campos de estrelas,foram colocados para nosso deleite por um Deus que sempre desejou valer-nos nas horas de maior infortúnio, e cuida de nós. Está ao nosso lado. Connosco.
Sabemos que nos dias cinzentos e gélidos aconselha-se em jeito de compensação um pouco de luz, uma lufada serena e tépida de esperança, alguém.
Existem dias assim, dias sombrios, frios, em que a nossa alma viajou para longe, os nossos amigos parecem não existir, o coração bate devagar, sem pressa de chegar a lado nenhum, e não buscamos ninguém à nossa beira. Estamos sós. Ele existem dias assim, sós.
in Pedro Alcobia da Cruz (2010-10-04)
17 setembro 2010
Tenho para dar-te, um milhão de flores
Tenho para dar-te um ramo com um milhão de flores
16 setembro 2010
Deixa-me tocar-te...
Deixa, deixa-me que te toque
Como se de sentir-te pudesse interiorizar
A explosão incomensurável de uma impressão
Com os dados e medidas, de um sonho
Daquilo que foi e é o amor que te tenho
Deixa-me tocar-te, ao de leve, levezinho
E sentir uma nova vida a reconquistar este espaço
Que tem jazido, petrificado, entre pedras e escuros,
Como se a chama, brilhante, quente, sedutora,
Fosse ela mesma, o que vem de ti, ao tocar-te.
Deixa tocar-te, sem mesmo te tocar
Mas imaginando que a tua pele alva e sedosa foi minha
Por instantes imperceptíveis, mas reais
Que o que dentro de ti corre veloz em mil direcções
Tocou e entrou em mim, em miraculosos sais
Deixa que sinta a existência desse momento mágico
De um amor que teimoso se deixou ficar, firme, meio louco
Ébrio em volteios e piruetas de musicais delirantes, nos céus,
Nos sonhos, em quimeras, e que desperta, felizmente, vivo,
Forte, intenso, como sempre foi, nosso… quando te toco.
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Li com muita atenção um pequeno texto em que uma jovem amiga atribui a Deus digamos a força, o ânimo, a companhia, a protecção e ...
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Parece que me fui Parece, admito, que te abandonei Falo contigo, sopro na brisa Palavras de consolo porque te sinto triste Parece, tudo par...
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Sobre o amor perfeito eu diria o mesmo que Platão, nós não o conhecemos, mas ele existe, nós apenas dele temos ideia. Primeiro temos...