01 outubro 2009

As flores, ou cores, de um imaginado olhar


As flores, ou cores, do meu imaginado olhar

Corri mundos buscando loucuras de encantar
Coisas singelas, tímidas, espalhadas por aí,
Que podem dar vida e sonho, alegria, eu vi,
As flores, ou cores, de um imaginado olhar

O mundo é tudo isso, aqui e além, à nossa volta,
Quantas que não vislumbramos, mas estão ali,
Coisas alegres, intensas, suaves, que eu senti
Longe de tudo, e mesmo tão perto, à nossa porta

As flores, ou cores, de um imaginado olhar
Longe de tudo, e mesmo tão perto, estão bem ali,
Juntos dos passos que encetei, o que já vivi,
Embelezando os dias que sucedem sem parar

As flores, ou cores, do meu imaginado olhar
São ventos beijando cheios de cores, o meu andar





24 setembro 2009

Músicas no ar...





Músicas no ar

Notas sonoras pululam nos ares
Invadindo quiméricas enseadas
Onde veleiros em repouso
Retemperam energias, ânimos,
Aguardando uma nova luz
Em auspiciosa aurora
E possam partir de novo
Aos sons de esperanças
Ao rufar de ímpetos cadenciados
Ao ritmo de caminhadas
Rumo ao mundo novo
Prometido
Esperado
Desejado
Querido
Um novo espaço
De explosão de ideias
De descobertas
De encontros
Num mundo encontrado algures
Onde o canto seja hino
E a liberdade bandeira
E nunca exista silencio
Nem escuridão
Nem seja império de sombras
Ou casa escura
Esse recanto num sitio imaginado
Onde as músicas envolventes
Nunca deixam de tocar
Em todos e em tudo
Que existe e no que é
E no que, mesmo não sendo ali estará
Com música, com notas soltas
Subindo e descendo, alto e baixo
Em tudo
No ar.





20 setembro 2009

100 100 100 100 100 100



100

No dia 10 de Março de 2009, curiosamente o dia do meu aniversário, coloquei a primeira mensagem neste Blog, a que chamara Kampus de Ideas e que há algum tempo antes idealizara mas que, na ausência de conhecimentos técnicos e alguns problemas entretanto encontrados, ficara adormecido à espera de luz.

Passaram 6 meses desde o momento em que, em bom rigor, nasceu este espaço internauta que procurei dedicar a todos os curiosos que por aqui espreitassem vindos de onde quer que fosse, deste mundo ou do outro, independentemente de cores, credos, ideologias, ideias, e a tudo aquilo meu, que podia criar, e que uma vida agitada ou embalada em desorganizações, e tempos demasiados cheios, ou vazios, alterados, complexos, nunca permitira edificar.

Aqui, como num baú de madeira escondido no porão de uma qualquer caravela, poderia guardar pensamentos, textos, em prosa ou em poesia, ou colocar fotografias que um pouco anarquicamente e sem técnica ia tirando nas minhas incursões pelo meu jardim, nos meus passeios nas redondezas buscando a paz num caminho cheio de natureza e tranquilidade, ou numa ou noutra viagem atrás de lugares com magia, ou coisas merecedoras de espanto. Poderia assim, mostrar a quem por aqui passasse lugares que desde sempre me tocaram e contemplo há muito, e outros que visitei e recolhi com a minha maquineta dos retratos, pessoas cuja importância não posso ocultar e coisas a que não consegui ficar indiferente.

De outro modo milhentos pequenos feitos rapidamente cairiam no meu esquecimento, e algo que eventualmente pudesse criar com mais alguma valia, seria seguramente levada pelos ventos, pelo tempo ou perderia o brilho, mesmo que ténue fosse, num céu sem fim, privado de estrelas.

HOJE, COLOCO A MINHA MENSAGEM 100

E, enquanto escrevo algo para marcar com a solenidade que merece tal número na vida de qualquer coisa deste mundo, o sensacional evento, para dar-lhe uma memória, torná-lo acto bastante, constato coisitas bem simples, mas simplesmente, também, verdades. Por exemplo;

- O tempo, enquanto fui aqui colocando mensagens, não deixou de correr e, se é bem verdade que os dias e as horas não parecem ter a mesma duração, não se parecendo iguais, foi com a precisão dos maquinismos mais exigentes no toque e no rigor, que tudo passou, iguais, com a mesma batida, hora após hora, e dia após dia.

- Com o tempo a passar, com o “Kampus de Ideas” aberto a um mundo imenso, e com algum amor-próprio, e afinal alguma validadezita que os humanos sempre justificam para crescer sorrindo, exigindo, na falta de melhor, que pelo menos deveria cuidar da criança entretanto nascida, sendo razoável, e elementar, fazer, fazer alguma coisa. Foi o que aconteceu, a pouco e pouco, mensagem atrás de mensagem, mais uma foto aqui e outra acolá, tudo foi crescendo, crendo eu, arriscaria em assumir que este devaneio internauta está, se não na idade adulta, num período exuberante e alegre de puberdade.

- A promessa de algo um pouco difuso que ia colocando timidamente no computador transformou-se num blogue, respira, tem corpo, (qualquer dia vai às sortes), com cor, com palavras e imagens, com visitantes, conhecidos e desconhecidos, a espreitar vindos sabe-se lá donde.

Posso afiançar, depois destas 100 mensagens, que me sinto muito bem, sinto que produzi alguma coisa, que guardo neste espaço sem limites e que partilho sem reservas com quem queira aparecer por aqui.

Uma despreocupada abordagem do que fui capaz de fazer, sem sujeitar-me a excessivos rigores, e da vida quotidiana de todas estas coisas aqui colocadas, leva-me a enunciar alguns dados que me parecem possuir maior destaque. Tais como:

- 100 mensagens e cerca de 400 fotos

- 3876 visitas de pessoas de 68 países

- 936 visitantes de Portugal (45,7 %)

- 397 visitantes da Colombia (19,4%)

- 148 visitantes do Brasil (7,2%)

- entre outros países tive visitantes de países como o Vietname, Guadalupe, Letónia, Coreia, Quénia, Palestina (Territórios Ocupados), Líbia

- visitantes de língua portuguesa – 1086

- visitantes de língua castelhana – 724

- visitantes de língua inglesa – 136

- dia mais visitado com 100 visitas

- dia com mais visitantes com 45

Só poderia estar aqui escrevendo tudo isto, porquanto fez-se realidade um sonho de há muito tempo, e o “Kampus de Ideas” é uma realidade, está vivo e cheio de vontade de prosseguir. Só foi possível porque desde a primeira hora, e em boa verdade mesmo antes dela, pessoas várias me incentivaram, primeiro a construir um espaço assim, e depois a manter-me atento, interventivo, criador, na labuta que sempre exige algo que desejamos permaneça interessante aos olhos dos que nos visitam.

Se não deixa de ser verdade, que muito do fazemos é construído para satisfazer as nossas pequenas vaidades, não deixa de ser verdade que o acto de estarmos partilhando sem qualquer limites ou controle, com todos que entram aqui, nos obriga a ir mais longe, a não parar, a não desistir. Estamos debaixo de olhares, de críticas, da nossa arte e engenho dependerá o interesse para os demais deste blogue, e por isso temos de seguir esta viagem que um dia, cheio de sonhos, começámos.

O caminho tem altos e baixos, a viagem decorre uns dias melhores outros com menos proveito, assim é a nossa vida também. Mas o que é verdadeiramente importante é este caminho que percorremos juntos, eu e todos aqueles que sinto por detrás de números que não param de crescer, ou das bandeirinhas coloridas que embelezam os meus contadores. Eu e alguns que conheço, e uma incrível maioria que desconheço, nunca vi, nem sei donde são, nem onde algumas vezes se colocam numa carta os seus países, somos quem dá vida a este espaço que procuro manter interessante e meu, muito meu no acto de criar – apenas as músicas e alguns pensamentos não são da minha autoria. Depois, colocada uma mensagem, uma foto, tudo deixa de ser objectivamente meu para se tornar de todos, de um espaço inimaginável e sem limites.

A esses todos, que conheço, que me inspiram, e aos que não imagino mas sei que estão aqui, deixo o meu agradecimento. Sem todos eles, teria desistido, teria abandonado de encher a arca com coisas minhas que partilho, estaria seguramente mais só, menos criativo e menos empenhado em fazer. Algo, que com muita alegria faço para mim procurando que possa produzir um pouco desse contentamento aos que me visitam

Muito obrigado a todos.






31 agosto 2009

Mudam-se os tempos e muda-se...




Mudam-se os tempos e muda-se, desassossegadamente
As mil vontades que a gente tem de correr, sem parar,
Rumo a um futuro tornado incerto, cada vez mais,
Atrofiado, hesitante, emparedado entre as recordações
E o receio de partir, sem saber bem como, e menos,
Ou mais, para onde, e se tudo acaba ou começa.

Mudam-se os tempos e muda-se, súbita, a força
De partir e mais a força de chegar, sem que se saiba
Por certo, qual a medida certa da viagem, e donde,
O apeadeiro, onde temos de parar, a tomar forças
P`rá jornada que julgamos viver em cada dia

Mudam-se os tempos e muda-se, a cor, a luz
Entre os ramos do arvoredo cada vez mais denso
Emergem, entre folhas e ramagens, tímidas estrelinhas
De raios, mortiços, que se recolhem, no escuro

Mudam-se os tempos e muda-se, a palavra, o verbo
Não só os passos se desviam como a vereda vagueia
Saltitante, busca novos poisos, à descoberta

Mudam-se os tempos, virando bom o que foi mau
Muda-se a comédia para virtude, a coisa para o sonho

Mudam-se os tempos, muda-se a vida, muda





São os olhos doces, teus... o teu olhar


Luzes do teu olhar...

Luzes existem, dispersas, altaneiras
Entre espaços sem fim, mundo fora
E nos fazem seguir um sentir que temos dentro
De nós, e do nosso mundo, teu e meu, bem nosso
Permitindo, enlevados, mãos nas mãos,
Caminharmos como se estivéssemos juntos
Numa entrega sem limites, nos querendo,
Nos amando, em cada toca de olhares
Sentindo aqui neste vale terreno, junto a mim
As luzes brilhantes, como em encontro estrelar
Onde as cores, fantásticas, cintilando
São quiméricos sonhos, bandeiras e faróis
Que além do alto nos fazem ver.

As luzes saltitando, que vejo nos céus
Faiscando, luzidias, entre mil estrelas
São as forças que recebo de ti em cada noite
Para que possa existir plenamente, em pleno dia
São os beijos que me confortam e me fazem viver
São as carícias de um amor ainda existente

São afagos ternos que das alturas me chegam
As luzes, entre sóis, irradiando clara luz
São os olhos doces, que sempre me incentivam
Teus, belos, brilhando, lá no alto… o teu olhar.

17 agosto 2009

Noites revoltas em magia




Noites revoltas em magia

Olho a escuridão sem quaisquer limites
Existente num mundo à deriva, sem luz,
Onde as estrelas e demais astros se quedaram
Vertiginosamente lançados sem direcção
Sem cor, sem qualquer brilho, num vazio

Olho a ausência de querer e inexistência de vida
Num espaço, obrigatório, incontornável, à frente
De um caminhar suspenso em busca de estar,
Ou de ser, simplesmente gente, e querer seguir
Na pegada de um brilho onde exista esperança

São ocasos, num mundo repentinamente louco,
Onde intensamente se interligam e misturam
A sombra de gelo, o frio, luzes perdidas e a fantasia
Em espaços inexistentes, ou sequer sonhados,
De êxtases intensos em noites revoltas de magia


Há sempre um regresso



Há sempre um regresso

Perdemo-nos em cada instante
Porque partimos em busca de nós mesmos

Perdemo-nos em cada dia, em todos e em nenhuns
Momentos
Porque desejamos transformar em realidade
Os nossos sonhos mais belos

Partimos, ao assalto, à aventura
Saltando precipícios e violando fronteiras
Porque acreditamos no tesouro
Oculto entre as areias de uma praia

Partimos, mesmo cansados,
Mesmo quando impossibilitados de mover-nos
Nos deixamos quedar, sós, sem um passo
Procurando que as nossas fraquezas
Se transformem em fúrias

Um dia vamos voltar
Regressamos, retornamos ao local
Donde partimos e a nós mesmos
E aos outros que assistiram calados
Á fuga que parecia a nossa partida
Um dia voltamos ao inicio de tudo
Do nosso pequeno mundo
E dos nossos primeiros passos
Ao que fomos e ao que queremos ser
À ilusão e ao sonho que nos fez correr

Um dia depois de partir
Vamos voltar a nós mesmos
Num regresso que sempre tem de ocorrer
E que existe sempre

Há sempre, no nosso mundo
E nas nossas vidas, o nosso voltar
Há sempre o retorno
O nosso regresso.

A Gente Vai Embora 🙏🏼