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13 maio 2016

O CAMINHO FALACIOSO DA GLOBALIZAÇÃO



A globalização e os seus reais efeitos




Parece interessante encontrar num qualquer supermercado num qualquer ponto do globo um produto à poucos anos inimaginável, ou porque fora de época, ou porque oriundo do outro lado do mundo. Agora, tudo se pode comprar. Democraticamente expostos em lugares de fácil acesso e a preços competitivos, tudo facilmente nos chega às mãos.

Justifica-se esse facilitado acesso a produtos de todos os cantos do mundo com a globalização, esse fenómeno que efectivamente parece ter diminuído o tamanho do mundo, e aproximado coisas e gentes.

Os segredos, as coisas guardadas de cada um, os exclusivos, parecem estar condenados tal a velocidade em que tudo gira, e o modo com que tudo se desloca, parecendo que a magia tomou conta do nosso pequeno planeta, tornando o homem dono, senhor e conhecedor de tudo.

Esperava-se, também, que com essas facilitadas e quase livres circulações de pessoas e bens, de capitais, de conhecimentos e saberes, as colossais diferenças que o mundo sustentava entre os países mais ricos e os mais pobres e afinal, entre as pessoas dos países ditos desenvolvidos e aquelas que nasceram num mundo ainda à procura do desenvolvimento, se viessem a atenuar de modo expressivo. Tornando tudo, um pouco mais igual, o que quer dizer de outro modo, mais justo, e mais humano.

Contra a bondade de milhentas ideias luminosas de homens que dirigem o nosso tempo e as nossas economias, os pobres parecem cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. Consideração que tanto se aplica a gentes como a países. Todos parecemos mais próximos, mas infelizmente, nesses olhares que trocamos é possível perceber mais facilmente a desgraça do nosso vizinho, ou a opulência de um do outro lado, ou deste, ou daquele.

Enquanto o mundo acelerou a vertiginosa velocidade em tudo o que dizia respeito a troca de produtos, serviços e bens, tratados de comércio livre, movimentação de tecnologias e ciências, ao mais pequeno, coube nesta sendo inacreditável de desenvolvimento mundial global, olhar novos produtos que não pode adquirir, e ver que alguns, muito poucos, mostram ter coisas que antes parecia coisa de filme ou simplesmente de ficção.


Curiosamente existe gente que defende que o primeiro país a dar o passo rumo a uma globalização da terra foram os portugueses quando em 1415 saíram de suas fronteiras e foram tomar a Praça Forte da cidade de Ceuta no norte de África, aos mouros, ou muçulmanos.

Depois desse movimento que não mais parou portugueses e espanhóis, e mais tarde holandeses e ingleses encarregaram-se, de acordo com as forças e vontades que os dominava, a fazer do mundo um tabuleiro de xadrez, onde valia tudo. Portugueses e espanhóis acharam-se senhores do mundo e através do tratado de Tordesilhas dividiram ao meio, metade para cada um tudo o que de novo se encontrava. 

Quem não ficou muito satisfeito com essa divisão do mundo para dois, com a bênção do Papado, foram as outras nações que achavam que tal divisão não passava de um disparate violador das regras mais elementares que o ser humano devia respeitar. O mundo tinha sido dado aos homens por Deus para que eles dele desfrutassem livremente. Os mares e o que escondiam não podia de modo algum ter donos. Na defesa das teorias do "mare liberum" (mar livre, liberto) destacou o homem de leis dos Países Baixos, Hugo Grócio, que muitos apelidam como pai do Direito internacional.


Entre uns e outros, a ganância sempre foi coisa que não dá bom resultado, ocorreram guerras, e nos mares era absolutamente normal uma quantidade apreciável de piratas ou corsários oriundos dos Países Baixos e da Inglaterra, assaltavam os Galeões espanhóis carregados de ouro e as Caravelas portuguesas com a preciosidades que transportavam. 

A guerra entre a Inglaterra e a Espanha ( a maior potência desse tempo) teve o seu termo no cruel desastre da marinha espanhola que reúne os seus barcos de guerra, e a eles junta os barcos de reinos que ela submeteu como Portugal, Catalunha, e outros reinos, apresentando-se com uma armada como nunca fora vista e a que presunçosamente chamaram Armada Invencível. 

Deus castiga os fanfarrões e convencidos. A Armada Invencível foi praticamente toda destruída por uma terrível tempestade antes de alcançarem espaço marítimo inglês. Essa batalha marca a queda do poderio da Espanha como primeira potência do mundo e a Inglaterra torna-se a senhora de terras e mares.


A Inglaterra ao mesmo tempo que vai atribuindo títulos de nobreza a corsários que saqueavam as embarcações espanholas, torna-se dominante na América do Norte que partilha com os Franceses. Os Holandeses no meio de todas estas guerras e guerrilhas nos mares, apodera-se também de territórios que estavam nas mãos de portugueses e espanhóis.

Esse movimento não mais parou. Os portugueses chegaram à Índia, à China, à Malásia, ao Japão. Mas nesses territórios do Oriente apenas conseguem duradoura soberania sobre três zonas e cidades da India, Goa, Damão e Diu (que veio a perder por invasão dos exércitos indianos no séc. XX) e sobre Macau, uma península ao sul da China que foi oferecida aos portugueses como recompensa das suas lutas contra a pirataria que infestava aqueles mares, pela China. Macau, seguiu-se a Hong-Kong, na recuperação de territórios pela República Popular da China.

E, o que começou devagar, com muito esforço, com espírito de expandir a fé, e deitar a mão às especiarias e metais nobres encontrados em grande quantidade em longínquas paragens, torna-se nos dias de hoje uma acção fulminante. Num dia a Empresa Alemão de Hamburgo larga tudo e vai colocar-se na Tailândia. E o mesmo acontece com Empresas americanas que se deslocam para o sudoeste asiático e China. E, tudo muda. O carro que compramos é de marca alemã mas é montado na Polónia ou na Coreia do sul. A moto é japonesa mas foi feita na Tailândia. 


E este movimento que é sustentado em boas práticas e tem por finalidade levar riqueza a todo o mundo, traduziu-se num autêntico logro. É que a deslocalização não foi traduzida numa troca de bem estar, saúde, educação, condições de trabalho, direitos sociais e de trabalho, desenvolvimento sustentado. Grande parte das vezes o que acontece é que os grandes fabricantes mundiais deslocam as suas fábricas para países onde os salários são de miséria e as condições de trabalhos não são exigência, e os direitos dos trabalhadores não existem. 

E deste modo o produto final chega às nossas prateleiras de loja de tecnologia com um preço cada vez menor. Não tem dúvida, outra coisa não seria de esperar, quem faz o produto trabalha 12 ou mais horas por dia, em locais sem quaisquer tipo de higiene e segurança, os trabalhadores não têm direitos garantidos, empregam-se muitas vezes crianças. 

Isto é uma globalização de vergonha, nada mais. Quem detêm o poder económico que cada vez está mais oculto, não se percebendo bem quem está por detrás de Impérios Económicos, exige lucros, objectivos, metas, o alcance dessas directrizes é o que pesa sobre as grandes decisões. Essa massa incógnita, que até se comenta serem muitas vezes dirigidas por grupos mais ou menos ocultos ou secretos, não quer saber das pessoas, quer saber de lucros. As pessoas e as famílias não contam.


Por isso, tirando excepções, a globalização não se veio a sentir na riqueza dos países de um modo geral, mas acentuou que as maiores riquezas estão nas mãos de cada vez menos pessoas, o que se traduz exactamente que cada vez as riquezas produzidas chegam em menor percentagem a quem as trabalha. O valor trabalho tem sido desvalorizado tanto nos países pobres onde existe um ataque sem ética e sem valores a uma escravatura moderna, como nos países ditos evoluídos, pois, alegando a necessidade de competir com a produção dos tais países onde se pratica o trabalho sem regras nem direitos.

Urge cortar, cortar sempre mais, e os empresários afastados de negócios fáceis que antes se faziam sem necessidade de muita tecnologia ou tecnicidade, e prosperavam facilmente, agora apontam para manter os lucros que estão a perder, e não revolucionando ou modernizando as técnicas de gestão e de criação ou produção, que os trabalhadores têm direitos a mais, deve ser mais fácil despedir, trabalham pouco, produzem pouco, ganham muito. Enfim, aos escravos de longe, se não houver uma consciencialização, e uma solidariedade entre a massa produtiva, o trabalho, como forma eficaz de travar os ímpetos cada vez mais desumanos dos Impérios da Economia, irão juntar-se um novo tipo de escravos. Para lá vamos caminhando.

A globalização não deu os frutos que a impunham como caminho e factor de progresso. Não sou eu, Pedro Cruz, um homem simples, apenas pensador que o afirma. Existem economistas Prémio Nobel que já denunciaram a derrocada de um caminho tão falacioso.




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