22 setembro 2016

QUEM PODE EXPLICAR O INEXPLICÁVEL?



Há mais de 6000 anos os homens construíam estes monumentos a que chamamos ANTAS.

Não havia máquinas, mecanismos, a física deveria ser desconhecida; a roda, a roldana, etc...

Como o homem de então colocava estas pedras que chegam a medir mais de dois metros de altura, erectas, em forma de circulo, e em cima colocavam uma outra pedra sobre as demais, horizontalmente e cobrindo todo o espaço de modo a tapar, como se um tecto se tratasse.

Como transportava as pedras? Como as levantava? Como levantava e colocava a pedra que servia de tampa?

Esta é a mais bela ANTA que conheço. Não está perfeita, falta-lhe uma pedra lateral e tem outra partida mais ou menos a meio, mas tem uma colocação num cume perfeito, tornando-se , deste modo, o centro do mundo. É grande e está muito bem construída.

Sente-se qualquer coisa no nosso interior quando ao seu lado contemplamos a vastidão da paisagem envolvente. Faz-nos reflectir, como desde sempre fizemos coisas admiráveis, mesmo quando desconhecíamos as ciências e as técnicas, possivelmente nem falavam, utilizavam utensílios de pedra, como machados, facas, objectos para se defenderem e para os usos de então.

O homem de então superava-se. Existem centenas de testemunhos destes que nos deixam sem saber o que dizer. O homem do nosso tempo, ao contrário está em risco de ser superado, tragado pela velocidade com que as revoluções se dão, nas ciências e nas técnicas. A internet tem tudo, o computador pode fazer muito mais, pouco se faz sem recurso ao conhecimento cientifico.

No meio de toda esta multiplicidade de engrenagens, onde a mão do homem já quase nem toca, a obra faz-se, os resultados aparecem. Também construímos obras impressionantes em tamanho e ousadia. E falamos uns com os outros, temos máquinas e ferramentas para tudo. os recursos tecnológicos ultrapassam o que a realidade mostra, e cada dia seremos sacudidos com novas inovações, novos avanços, novas e mais espectaculares realizações.

Verdadeiramente em crise só o homem. Ele devia ser o centro de tudo isto. Devia recolher os frutos da evolução científico- técnica, sentir isso na sua vida. Com tanta coisa a trabalhar, a realizar, a programar, a calcular, o homem continua escravo do trabalho. Alguma coisa não funcionou. Tudo ao serviço do homem deveria ter-se traduzido numa qualidade de vida generalizada em nada parecida com aquela que temos. O tempo de trabalho deveria ser muito menor, pressupondo que com a modernidade a produtividade era consequência simples da realidade, e a vida dos homens seria menos penosa e estes aproveitariam o tempo que não precisavam aplicar em produção, em realização, em desporto, tempos livres, conhecimento, viagens, estudo, arte, ambiente e cultura.

Mas o homem de hoje, dois mil anos depois continua a seguir a pregação de Cristo; "ganharás o teu pão com o suor do teu rosto". Dois mil anos depois não só parece enigmaticamente que as pessoas devem trabalhar mais, produzir mais, estar mais anos no trabalho, como de um modo frustrante vemos a miséria que anda no mundo, e constatamos que apesar de uma globalização feita em nome do bem geral, afastou os países pobres ainda mais dos que detêm as riquezas. E o mesmo amargo fenómeno pode verificar-se também na desigualdade numa mesma sociedade entre os que mais ganham e os que menos recebem pelo trabalho, e entre os que detêm o capital e os outros, já não só os que trabalham, como os que trabalham próximo da escravatura em países desenvolvidos, como aqueles que nem encontram trabalho.

À conta de tanta desigualdade, de tanta falta de humanismo, da falência das promessas de regimes que prometeram a felicidade, o homem perdeu o seu norte, o seu equilíbrio. Hoje o homem é massacrado entre mundos que faliram, outros que apregoavam igualdades maravilhosas mas se descobriram tão ou mais desiguais que os outros, e o pêndulo pula de um lado para o outro. De falência em falência. E o homem de hoje igualmente ao de ontem busca para suprema realização pessoal a conquista da felicidade.

Estranho mundo este onde buscamos a felicidade e encontramos a depressão.

Como disseram outros antes de nós o lugar do homem é o lugar central no planeta. Nada pode tomar o seu lugar. Nem a economia, nem as ciências, nem a política, nem as leis, nem a força. Tudo isto apenas tem algum valor se estiver ao serviço do homem. Outros fizeram o Renascimento depois de uma pobre Idade Média em termos de desenvolvimento do saber e humano. Outros entenderam que o homem é angústia, não tem liberdade, vive num engano constante em que a esperança o vem anestesiando e prolongando a ilusão. Outros disseram que o homem tem que ser superado.

Eu não queria um mundo de super homens, de super - heróis, mas desejaria um mundo tal qual foi criado por Deus, para o homem, e um mundo onde o homem fosse o fim de tudo, se tornasse o alvo da vida, do bem, da convivência, da felicidade.

Pode ser uma utopia, pode ser uma simples ideia. Reconfortante é sabermos que aquilo que hoje acontece e existe no mundo tornou-se realidade depois de ter sido uma ideia, talvez insignificante, assaz despropositada de alguém.













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