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30 junho 2016

DOS CASTANHEIROS


   Já passou o tempo da castanha...   

            A caminho de Marvão            



26 junho 2016

OLHA O PASSARINHO


A vida rodeia-nos por todo o lado. O mundo é um espaço imenso repleto de vida, de cor, de movimento. Tudo, garantem-nos foi feito para proporcionar ao homem uma existência mais bonita e mais fecunda. Não estamos sós. Por vezes esquecemos os outros seres que Deus criou e povoam a Terra, caçam nas selvas e nas pradarias, bebem em regatos e rios, nadam nos mares. Um passarinho, tão pequeno é lindo de observar, os seus tímidos saltinhos, o ora levanta e poisa e o aterra, inquietos, traquinas, irrequietos, voando e mostrando como ser livre é maravilhoso. Temos de agradecer a Deus tanta beleza que foi criada e posta na Terra para nosso deleite. Olha o passarinho.








20 junho 2016

ALPENDRADA DO ANTIGO COLÉGIO



CÂMARA MUNICIPAL DE PORTALEGRE




Apesar de se enquadrar tipicamente nas revelações espantosas do absurdo, creio que esta obra, de transformação dos restos que ficaram do Colégio dos Antigos Santos (que não recordo o nome), foi talvez o melhor aproveitamento que já vi nesta cidade de Portalegre.

Falo em absurdo simplesmente porque as obras que se realizam na nossa cidade trazem normalmente o contrário do que deveria ser, quer isto dizer, são obras enganadoras, sem a proporção, sem o respeito pela verdade, levando o incauto de fora e o de dentro, pois por aqui marcha muita gente distraída, a pensar coisas que não correspondem nem de perto nem de longe à realidade.

O edifício da Câmara Municipal de Portalegre tem um tamanho incrivelmente grande, é uma obra imponente, com uma volumetria, uma magnificência que creio está desenquadrada com Portalegre em qualquer dos momentos da sua história, muito mais hoje, que depois de décadas a perder população, a perder empregos, a perder grandes empregadores, caiu a uma pequenez que só não ofende pois as pessoas habituaram-se desde que nasceram à coisa pequena e à pequena coisa.

De todo o modo acho que este aproveitamento dificilmente seria melhor - não sendo transformar o Colégio numa Moderna Universidade de Medicina, que deixámos com a tal pequenez que nos comanda ir para as Beiras, esta foi uma solução aceitável, eficaz, que com a diminuição deste pequeno umbigo, pode amanhã ir-se dividindo em sectores diferenciados. E aproveitou-se uma grande obra que estava praticamente ao abandono faz muitos anos.

Desde que não venham amanhã por falta de dinheiro, desanexar parte do Jardim que perdeu em lugar de passeio e de estacionamento para uma cavaqueira familiar ou de amigos, num mega quiosque chinês ou outra magna ideia do sol nascente que vai deitando a unha a tudo.

Sei que não pertenço à elite de intelectuais da cidade - e ainda bem - que reúnem para anunciar suas ideias e projecções para a cidade, mas correndo o perigo de me chamarem idiota - o que não me perturba absolutamente nada - mas fico atónito, quando se gastaram fortunas para despegar a barracaria de cal e tijolo ou pedra, das oficinas e outros espaços que estavam em frente à muralha que passa por detrás do Museu das Tapeçarias, empedrar de calçada a via, que tanto adora as suspensões dos nossos carros, para dar ar distinto e antigo, e logo em frente se fez uma obra que tapa o trabalho feito. Um óptimo edificio moderno cheio de vidro que deveria ir para outro lado, mas que, as inteligências do regime puseram ali mesmo, quer dizer, estragando o que tanto trabalho e dinheiro se gastou e deu. Ideias de Portalegre. 

Mas percebo a acutilância do golpe de vista com todas estas construções, a cidade cada vez é maior, não tarda chega aos Fortios, às Carreiras, à Ribeira de Nisa, à variante, e as pessoas cada vez são menos. Um ou outro até podem dizer que a cidade se desenvolve. Como cresce? Caramba e ainda dizem mal do interior.



12 junho 2016

O QUE VEMOS NO OUTRO QUANDO O OLHAMOS


O ROSTO PODE SER UMA CARTA

TEMOS DE OBSERVAR E VER







Com quantas pessoas nos cruzamos na rua em cada dia? Terminando o dia não sabemos sequer imaginar a quantidade das pessoas que passaram ao nosso lado, nos passeios das avenidas, à porta das lojas e empresas, nos transportes públicos, sentadas nos bancos do jardim ou à soleira das portas. Hoje, a velocidade com que se processa a nossa vida pessoal além de nos afectar o relacionamento familiar cada vez mais fugaz, menos aprofundado, cada um tem coisas para fazer, ninguém tem tempo, tudo está demasiado ocupado, impede-nos de olhar aqueles que encontramos na rotina diária. Mecanicamente olhamos para um lado ou outro, de vez em quando até olhamos algo que nos desperta curiosidade, um barulho, um ruído nos fez desviar o olhar, uma cor, um movimento, mas olhamos e seguimos em frente.

Paramos naqueles locais que gostamos e aí, nos poucos minutos que temos ocupamos o olhar damos alimento aos sonhos, assimilamos, sentimos qualquer sentimento, desejo, posse, gosto, mas retomamos o nosso caminho, o dever, a maldita rotina, as horas, o ditador do ponteiro não nos permite estar tranquilos, viver em serenidade, olhando o mundo e a vida que nos envolve.

E por vezes passamos ignorando seres humanos que apresentam-se diferentes do que é o status tradicional. Hoje de certo modo houve como que uma libertação da moda me cada qual se veste e compõe como gosta, mas pessoas há que se vestem não do que gostam, não do que olhamos e vemos expostos nas montras dos grandes vendedores de marca, mas limitam-se a cobrir-se face às intempéries e o modo como as vemos seria razão bastante para prender o olhar, olhar atento, ver, sentir. Há pessoas que têm um modo de vestir fora de época, chamam a atenção por isso, por parecerem vir de um passado que faz muito tempo julgávamos perdido não existindo mais. Mas a roupa, o vestuário, apenas nos encaminham para uma pessoa que utiliza essas peças que pareciam já não existirem há muito. 

Normalmente por detrás dessas roupas do tempo das nossas avós, escondem-se rostos cansados, que viveram muito, que passaram muito. E com a idade foi-lhes vedada a possibilidades de fazer novas opções. Novas escolhas. Provavelmente são pessoas sós e falta-lhes a ajuda de uma filha ou neta, ou sobrinha ou mesmo uma amiga para a ajudar na escolha de qualquer camisola, ou vestido mais deste tempo. E com a solidão esconde-se também um rosto inculcado de rugas, profundas, vincadas, que mostram o tempo e o desconforto, a angústia, a dificuldade de viver. É um rosto maravilhoso, limpo mesmo que não seja lavado com a frequência do exagero das limpezas, mas está livre de cremes, bases, pós, e outras coisas químicas que as outras senhoras colocam no rosto e assim ocultam a carta da sua vida. 

Estes rostos sulcados de rugas, estes olhos sem brilho - parece que esqueceram chorar - são um mapa aberto diante dos nossos olhos, e porque nos deixam apreensivos, curiosos, olhando atentamente, são cartas vivas, que emitem muito pelo que passaram e são. É uma beleza, estranha, pura, sem mácula, pois os olhos, os lábios, as faces, os cabelos, mostram ou fazem-nos especular sobre um interior que aparece sem qualquer traição à verdade. São espelhos. São expressivos são demasiado humanos e aí reside a essência de olharmos algo que não obedece às regras da habitual apresentação do ser, expondo um interior que seguramente tem muito que contar e que passou por muito. Eu quando encontro um rosto assim, seja de homem ou seja de mulher, fico a pensar. Tento beber o máximo de tudo aquilo que consigo ler, mas o faço de um modo que a pessoa não se sinta alvo da curiosidade gratuita de um qualquer intruso. E fica dentro de mim uma amálgama de pensamentos, de interrogações, e aquele rosto não me sai da memória durante uns dias. 

E fica comigo sempre uma ideia, um vazio, acho que deveria ter feito alguma coisa. Mas nem sei bem o quê. Pois primeiro que tudo está o direito da pessoa à sua imagem a ser quem é, com dignidade e respeito dos outros, e sempre temo que qualquer acção possa provocar um sentimento negativo de repulsa de repúdio por parte de um ser que assim sem mais nem menos se vê algo da atenção de um estranho. Mas depois fico a pensar se a senhora do lenço azul não gostaria de ser convidada com singeleza a tomar um galão, ou um copo de leite e comer um bolo. Ou se o homem cansado de rugas e pele seca e ultrapassada por tufos de barba de qualquer jeito, não gostaria de entrar numa taberna e beber um copo de três, com uma tapa qualquer. Fico a pensar. E tenho muito para reflectir enquanto o tempo vai dissipando da minha memória esses rostos que o tempo e a vida marcou.