26 maio 2016

IMPULSE...


E SE REPENTE

LHE OFERECEREM FLORES?...






"E se de repente alguém lhe oferecer flores? Isso é Impulse..." Esta frase marcou algum tempo um reclame televisivo que se referia a desodorizante ou algo assim de cosmética feminina: E em bom rigor, brincando com as palavras - ninguém se vai zangar seguramente - poderíamos que existe um Impulso quando alguém entrega de repente a uma dama umas bonitas flores. Mas o impulso está associado apenas ao movimento, repentino, que vai suscitar a recepção não premeditada, perante um um gesto que pode também impulsivamente querer traduzir mais que um impulso, um sentimento.

Cresci ouvindo dizer que a uma senhora não se batia nem com uma flor. E nunca bati, nem com uma flor. A mulher era algo intocável, era uma magia na vida social, na vida da família e na vida do lar. Ensinava-ser mesmo certos gestos e atitudes ou comportamentos que o homem educado deveria conhecer e aplicar junto das mulheres. Por exemplo era completamente inaceitável que uma senhora fosse em pé num autocarro e um homem ou um jovem seguisse sentado. Havia de imediato como que uma reprovação social. O homem dava a prioridade à mulher na entrada do restaurante, de uma sala. Era elementar, educação. 

Aprendi que senhora era um ser diferente, representava algo superior e porque não admiti-lo, a mulher - mesmo colocando de lado interpretações sexistas ou demasiado liberais - era a "fada" do lar, a dona da casa, a esposa dedicada, a mãe protectora, a trabalhadora responsável e briosa.

O homem que agredia uma mulher era um cobarde sem vergonha e a sociedade não o valorizava, era gentalha um ser bruto. E a mulher agredida - aí havia uma enorme falha da sociedade também baseada em usos e costumes que vêm de uma triste tradição do passado, era alvo de pena, mas, dizia, como frase indicativa do procedimento perante situações menos boas dentro de um lar, ou no seio da família, que "entre marido e mulher não metas a colher". Essa mulher dificilmente podoa regressar à família original, isto é à casa dos seus pais, que muitas vezes nem aceitavam esse comportamento e a devolviam ao marido. 

Parecia que existiam dois mundos em separado. Um onde existia respeito e educação onde se defendiam comportamentos de deferência e respeito perante a mulher. E, será que podemos ir por aí, admitir que em famílias ou entre comunidades menos cultas o direito do homem sobre a mulher era inquestionável e ninguém interferia.

Hoje sabe-se que o fenómeno da violência doméstica atinge proporções dantescas e é uma realidade que atravessa transversalmente a sociedade. A todo o momento se houve falar que um marido matou a esposa à frente dos filhos, de outro que leva o dia perseguindo a esposa ameaçando, outros que agridem. E pode verificar-se que tudo isto ocorre em todos os estratos sociais. Como exemplo, e logicamente sem tecer juízos pois não conheço pormenores da triste história, um casal conhecidíssimo em Portugal, ela vedeta de televisão e ele filósofo e político, andam em tribunais, ela queixa-se que ainda sente pavor quando o vê. E afirma que ele a agrediu várias vezes. Um filósofo. Pior só mesmo se fosse o Papa Francisco, mas tal não tem esposa, e parece ser gente de humildade, amor e perdão.

Para mim, creio que estas duas realidades, uma a da minha infância e adolescência, em que fui educado com uma moral e um comportamento cívico marcante, e a da idade adulta madura em que se conhecem como realidades costumeiras uma percentagem expressiva de homens que violentam as mulheres e mulheres que fazem o mesmo aos maridos, acreditando que com os novos lares do mesmo sexo, homem bate em homem e mulher em mulher. Uma loucura, não sei se podemos falar que  a educação tem sido descurada com as famílias demasiado ocupadas em resolver os problemas do dia a dia. Com uns pais que não educam nem deixam educar os seus filhos. Hoje, grosso modo, homem e mulher é igual. Para mim tudo isso baralhou a confundiu a minha existência.

Ainda vejo a mulher como ela era considerada quando aprendia a viver em sociedade mas, com efeito tudo mudou. E mudou muita coisa no sentido contraditório e contra a moral, recordo que o homem era um ser sem educação, grosseiro, se entrasse em casas de ver mulher mal vestida. Hoje a mulher vai ver homem e grita, dizem que nem desejo ver, tira, tira, tira. Curiosamente os homens segundo as estatísticas têm deixado de fumar, mas fuma-se o mesmo, a compensação dá-se que cada vez mais à mulheres a fumar. 

A família não tem nada a ver com o que foi. Hoje quem manda numa casa são os filhos. Não respeitam os pais, os tratam grosseiramente, e exigem. Os pais para evitar extremos, guerras e violências, lá seguem fazendo o que os filhos desejam. E os filhos já não procuram estudar, procurar trabalho e casar. Não, esses mandamentos do antigamente não correspondem ao novo padrão de vida, hoje os filhos estudam, calmamente, trocam de cursos, empregam-se ou não, a casa dos pais é acolhedora e eles dão o que faz falta. E qual a ideia de casar, para quê? Não é mais divertido e fácil namorar eternamente, e cada um viver à conta dos pais, e se têm independência individual, em vez da maçada de ter casa, mobílias, filhos, vão levando a vida serenamente, vão levando anos de divertimento, passeiam, viajam, e os pais pagam as contas.

E na minha modesta reflexão que começou com o Impulse das flores, ou da cosmética, acabei fazendo uma digressão que me caracteriza de não calar a boca. No fundo, bem no fundo, queria falar no Impulse e nas flores, porque continuo a pensar que é a combinação perfeita. A mulher a sua sensibilidade e beleza e as flores. E arrisco a crítica; o homem fez-se para a guerra e a mulher para o amor. Por isso nunca pensei poder ter uma guerra com uma senhora, me parece desleal ao meu tempo. Mas está de acordo com o nosso tempo. Que tristeza.





19 maio 2016

ORDEM DE MARCHA: TOCA A RECUPERAR


ALTEREI ESTRATÉGIAS














Os milagres são coisas inexplicáveis que o entendimento não conhece, nem pode imaginar fazer. São actos excepcionais apenas feitos por Deus ou, em estrita medida em quem ele delegar, Anjos ou Santos, ou mesmo algum homem que sem o saber já entrou nesse reservado grupo de seres de eleição que Deus quer a seu lado e a quem dá poderes que ultrapassam a ciência, a técnica, e o conhecimento humano.

E apernas alguns, por desígnios que nos escapam, são ajudados através dessses fenómenos celestiais. Eu não tenho a pretensão de ser mais que o meu semelhante, sou homem, sou filho de Deus, sou imperfeito, cometo erros.

Ontem, em bom rigor vim aqui carpir as minhas mágoas - não tem dúvida que este blog funciona como um baú, muito reservado, onde vou colocando meus delírios, meus sonhos e meus estados de alma. Ontem estava completamente destroçado. Caído, sem forças, sem ânimo. Tomei um SOS, que mais não é que um salva vidas quando estou à beira de uma crise mais profunda, tomei os medicamentos da noite algum tempo depois e fui deitar.

Ainda deixei preparadas as fotos sobre a Costa Rica que coloquei hoje no meu blog Kampuslatinoamericanus. E fui deitar. Adormeci e descansei. Acordei cedo.

Vim - me sentia melhor - colocar qualquer coisa no meu blog de luta, não poso permitir-me deixar passar um dia sem dar notícias. Creio que o recado foi dado, e como sempre, mesmo quando trato com gente que não presta, tento ser claro, não mentir e dizer o que sinto.

E disse que estava morto de cansaço. Mas regressaria. É o meu desejo mais íntimo e mais forte. Alterei hábitos, fui á cidade beber um café, depois vim aqui e enviei uma mensagem a uma personagem importante que tenho a honra de conhecer e em quem deposito esperanças, pois o considero além do mais uma pessoa bem formada, e que tem poder, podendo, se puder e quiser, resolver esta trágica guerra que não esperava receber quando me aposentava por doença, isto é, quando reconhecidamente me encontro mais debilitado.

Fui dar um passeio a pé, coisa que não recordo de ter feito. Mas cheguei meio morto a casa. A energia ainda está longe, as forças mantêm-se fracas mas a vontade de seguir em frente recebeu um pequeno impulso. Temos guerreriro. Vamos dar alguns dias. Vamos ter fé. Até pode acontecer tudo se resolver sem recurso a guerrilhas injustificadas, que acontecem infelizmente quando a pessoa a quem sempre se quis bater, está frágil, doente. Mesmo sendo coisa de gente baixa e cobarde não deixa de ser um ataque, sujo, mas que fere. Se Deus quiser, não se encontrando a paz, como já propus duas vezes, vamos continuar a guerra. E mesmo debilitados só podemos ter um resultado, a vitória do bem sobre o mal, do direito sobre o torto, da justiça sobre as ilegalidades. Quando a entidade que me atacou e andou brincando com a minha dignidade de homem, quiser a paz, eu não sou pessoa nem de ódios nem de rancores (ao contrário da pessoa que está por detrás de tudo isto) e tranquilamente enterro as armas.

Hoje, nada mais farei. Tenho uma consulta. jà fui ao médico de manhã. E tenho de recuperar forças. 



18 maio 2016

PENSO LOGO EXAUSTO



"COM A MORTE NA ALMA"














Dizia Nietzsche que só acreditava em quem escrevia com o seu próprio sangue. Achava que a frase traduzia a profundidade de se sentir na carne e no espírito o que as mãos transcreviam para uma folha papel. Achava que o filósofo desvalorizava simplesmente os que escreviam por escrever, por ter jeito, espírito criativo, riqueza de expressar e domínio da língua e das técnicas.

Hoje, pela primeira vez senti uma nova interpretação para essa frase que conheço faz imensos anos. Acho que o acto de escrever pode ser um pouco de nós que vai atrás de cada palavra, uma energia que perdemos com uma nova frase, e uma exaustão completa e incompreensível, de muito escrever. 

Apetecia-me dizer que Nietzsche escreveu menos do que queria expressar. Eu acredito que se pode escrever com a própria vida. Não com o sangue reduzido ao corpo mas também com o espírito que é alimento essencial do homem.

Tenho me empenhado numa luta desproporcional a favor de princípios  e valores que toda a vida defendi. Curiosamente foi com muito vigor e até com espírito de missão que ajudei algumas pessoas que recorreram a mim, a amigos, a conhecidos envolvidos em situações de injustiça, de prepotência de castigo. Sem crime.

Acreditei que o fazia desinteressadamente, nunca cobrei nada a ninguém, servindo apenas um dever que me possuía e me orientava no caminho a tomar. E cada ajuda era uma alegria, no apoio achava ânimo, no vencer ou ultrapassar barreiras sentia que ficava bem, que tinha feito algo de útil, que a justiça e a terrível ideia de direito que se apoderou de mim, tinham vingado.

Toda a vida, pode se dizer tive de lutar, lutas grandes, lutas pequenas, normalmente contra gente sempre mais poderosa, não vejo decência em tocar em mais fracos, e perdi algumas, sou humano, erro, e às vezes não imaginamos sequer onde pode chegar a força do adversário, e pude festejar algumas vitórias. Não sei fazer o balanço. Não estou emcondições de dizer que se pudesse voltar atrás mudaria o meu modo de estar, e com isso possivelmente teria tido uma vida mais fácil, e teria, se me tivesse vendido fácil, uma vida bem melhor.

Hoje não consigo fazer qualquer tipo de exercício. Escrevo com dificuldade. É o sangue que parece ter perdido ímpeto dentro das veias, ou deixou de irrigar alguma parte de mim mesmo. Mas continuo a escrever. E continuo a lutar. Sinto a cabeça estalar, quente, como se fosse explodir. Sinto um formigueiro que me apanha o corpo e parece atacar o próprio pensamento. Estou muito cansado. Apetecia-me dormir, ou fugir para bem longe onde ninguém me conhecesse. Como se fosse um criminoso e tivesse necessidade de me esconder.

É seguramente a última guerra que vou travar. Se o corpo e a alma conseguirem aguentar. Mas só entendo uma fuga de combater se cair, e não tiver mais forças para levantar. Aí será escrever com a própria vida. Pois não há vida possivel quando deixamos de conseguir defender as nossas causas. Quando sucumbimos de fraqueza perante a ignomínia, a tirania, a maldade e a injustiça.

Ainda penso, mas estou de facto à beira da exaustão. Incompreendido por quem devia me apoiar. Sem aliados. Como eu me habituei a esgrimir, sózinho.

Acredito que se não for eu, se não for por tudo o que tenho tentado e lutado, a verdade não morrerá jamais, e com ela, vai supostamente impôr-se a justiça.

Agora sou eu que digo, só acredito nos que escrevem com a sua própria vida. E mais não consigo escrever...



13 maio 2016

O CAMINHO FALACIOSO DA GLOBALIZAÇÃO



A globalização e os seus reais efeitos




Parece interessante encontrar num qualquer supermercado num qualquer ponto do globo um produto à poucos anos inimaginável, ou porque fora de época, ou porque oriundo do outro lado do mundo. Agora, tudo se pode comprar. Democraticamente expostos em lugares de fácil acesso e a preços competitivos, tudo facilmente nos chega às mãos.

Justifica-se esse facilitado acesso a produtos de todos os cantos do mundo com a globalização, esse fenómeno que efectivamente parece ter diminuído o tamanho do mundo, e aproximado coisas e gentes.

Os segredos, as coisas guardadas de cada um, os exclusivos, parecem estar condenados tal a velocidade em que tudo gira, e o modo com que tudo se desloca, parecendo que a magia tomou conta do nosso pequeno planeta, tornando o homem dono, senhor e conhecedor de tudo.

Esperava-se, também, que com essas facilitadas e quase livres circulações de pessoas e bens, de capitais, de conhecimentos e saberes, as colossais diferenças que o mundo sustentava entre os países mais ricos e os mais pobres e afinal, entre as pessoas dos países ditos desenvolvidos e aquelas que nasceram num mundo ainda à procura do desenvolvimento, se viessem a atenuar de modo expressivo. Tornando tudo, um pouco mais igual, o que quer dizer de outro modo, mais justo, e mais humano.

Contra a bondade de milhentas ideias luminosas de homens que dirigem o nosso tempo e as nossas economias, os pobres parecem cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. Consideração que tanto se aplica a gentes como a países. Todos parecemos mais próximos, mas infelizmente, nesses olhares que trocamos é possível perceber mais facilmente a desgraça do nosso vizinho, ou a opulência de um do outro lado, ou deste, ou daquele.

Enquanto o mundo acelerou a vertiginosa velocidade em tudo o que dizia respeito a troca de produtos, serviços e bens, tratados de comércio livre, movimentação de tecnologias e ciências, ao mais pequeno, coube nesta sendo inacreditável de desenvolvimento mundial global, olhar novos produtos que não pode adquirir, e ver que alguns, muito poucos, mostram ter coisas que antes parecia coisa de filme ou simplesmente de ficção.


Curiosamente existe gente que defende que o primeiro país a dar o passo rumo a uma globalização da terra foram os portugueses quando em 1415 saíram de suas fronteiras e foram tomar a Praça Forte da cidade de Ceuta no norte de África, aos mouros, ou muçulmanos.

Depois desse movimento que não mais parou portugueses e espanhóis, e mais tarde holandeses e ingleses encarregaram-se, de acordo com as forças e vontades que os dominava, a fazer do mundo um tabuleiro de xadrez, onde valia tudo. Portugueses e espanhóis acharam-se senhores do mundo e através do tratado de Tordesilhas dividiram ao meio, metade para cada um tudo o que de novo se encontrava. 

Quem não ficou muito satisfeito com essa divisão do mundo para dois, com a bênção do Papado, foram as outras nações que achavam que tal divisão não passava de um disparate violador das regras mais elementares que o ser humano devia respeitar. O mundo tinha sido dado aos homens por Deus para que eles dele desfrutassem livremente. Os mares e o que escondiam não podia de modo algum ter donos. Na defesa das teorias do "mare liberum" (mar livre, liberto) destacou o homem de leis dos Países Baixos, Hugo Grócio, que muitos apelidam como pai do Direito internacional.


Entre uns e outros, a ganância sempre foi coisa que não dá bom resultado, ocorreram guerras, e nos mares era absolutamente normal uma quantidade apreciável de piratas ou corsários oriundos dos Países Baixos e da Inglaterra, assaltavam os Galeões espanhóis carregados de ouro e as Caravelas portuguesas com a preciosidades que transportavam. 

A guerra entre a Inglaterra e a Espanha ( a maior potência desse tempo) teve o seu termo no cruel desastre da marinha espanhola que reúne os seus barcos de guerra, e a eles junta os barcos de reinos que ela submeteu como Portugal, Catalunha, e outros reinos, apresentando-se com uma armada como nunca fora vista e a que presunçosamente chamaram Armada Invencível. 

Deus castiga os fanfarrões e convencidos. A Armada Invencível foi praticamente toda destruída por uma terrível tempestade antes de alcançarem espaço marítimo inglês. Essa batalha marca a queda do poderio da Espanha como primeira potência do mundo e a Inglaterra torna-se a senhora de terras e mares.


A Inglaterra ao mesmo tempo que vai atribuindo títulos de nobreza a corsários que saqueavam as embarcações espanholas, torna-se dominante na América do Norte que partilha com os Franceses. Os Holandeses no meio de todas estas guerras e guerrilhas nos mares, apodera-se também de territórios que estavam nas mãos de portugueses e espanhóis.

Esse movimento não mais parou. Os portugueses chegaram à Índia, à China, à Malásia, ao Japão. Mas nesses territórios do Oriente apenas conseguem duradoura soberania sobre três zonas e cidades da India, Goa, Damão e Diu (que veio a perder por invasão dos exércitos indianos no séc. XX) e sobre Macau, uma península ao sul da China que foi oferecida aos portugueses como recompensa das suas lutas contra a pirataria que infestava aqueles mares, pela China. Macau, seguiu-se a Hong-Kong, na recuperação de territórios pela República Popular da China.

E, o que começou devagar, com muito esforço, com espírito de expandir a fé, e deitar a mão às especiarias e metais nobres encontrados em grande quantidade em longínquas paragens, torna-se nos dias de hoje uma acção fulminante. Num dia a Empresa Alemão de Hamburgo larga tudo e vai colocar-se na Tailândia. E o mesmo acontece com Empresas americanas que se deslocam para o sudoeste asiático e China. E, tudo muda. O carro que compramos é de marca alemã mas é montado na Polónia ou na Coreia do sul. A moto é japonesa mas foi feita na Tailândia. 


E este movimento que é sustentado em boas práticas e tem por finalidade levar riqueza a todo o mundo, traduziu-se num autêntico logro. É que a deslocalização não foi traduzida numa troca de bem estar, saúde, educação, condições de trabalho, direitos sociais e de trabalho, desenvolvimento sustentado. Grande parte das vezes o que acontece é que os grandes fabricantes mundiais deslocam as suas fábricas para países onde os salários são de miséria e as condições de trabalhos não são exigência, e os direitos dos trabalhadores não existem. 

E deste modo o produto final chega às nossas prateleiras de loja de tecnologia com um preço cada vez menor. Não tem dúvida, outra coisa não seria de esperar, quem faz o produto trabalha 12 ou mais horas por dia, em locais sem quaisquer tipo de higiene e segurança, os trabalhadores não têm direitos garantidos, empregam-se muitas vezes crianças. 

Isto é uma globalização de vergonha, nada mais. Quem detêm o poder económico que cada vez está mais oculto, não se percebendo bem quem está por detrás de Impérios Económicos, exige lucros, objectivos, metas, o alcance dessas directrizes é o que pesa sobre as grandes decisões. Essa massa incógnita, que até se comenta serem muitas vezes dirigidas por grupos mais ou menos ocultos ou secretos, não quer saber das pessoas, quer saber de lucros. As pessoas e as famílias não contam.


Por isso, tirando excepções, a globalização não se veio a sentir na riqueza dos países de um modo geral, mas acentuou que as maiores riquezas estão nas mãos de cada vez menos pessoas, o que se traduz exactamente que cada vez as riquezas produzidas chegam em menor percentagem a quem as trabalha. O valor trabalho tem sido desvalorizado tanto nos países pobres onde existe um ataque sem ética e sem valores a uma escravatura moderna, como nos países ditos evoluídos, pois, alegando a necessidade de competir com a produção dos tais países onde se pratica o trabalho sem regras nem direitos.

Urge cortar, cortar sempre mais, e os empresários afastados de negócios fáceis que antes se faziam sem necessidade de muita tecnologia ou tecnicidade, e prosperavam facilmente, agora apontam para manter os lucros que estão a perder, e não revolucionando ou modernizando as técnicas de gestão e de criação ou produção, que os trabalhadores têm direitos a mais, deve ser mais fácil despedir, trabalham pouco, produzem pouco, ganham muito. Enfim, aos escravos de longe, se não houver uma consciencialização, e uma solidariedade entre a massa produtiva, o trabalho, como forma eficaz de travar os ímpetos cada vez mais desumanos dos Impérios da Economia, irão juntar-se um novo tipo de escravos. Para lá vamos caminhando.

A globalização não deu os frutos que a impunham como caminho e factor de progresso. Não sou eu, Pedro Cruz, um homem simples, apenas pensador que o afirma. Existem economistas Prémio Nobel que já denunciaram a derrocada de um caminho tão falacioso.




11 maio 2016

O AMOR E O FIM (DEVANEIOS INIMAGINADOS)



Amor. Dois corpos abraçados






Recordo os ínfimos milhões de instantes que souberam edificar o sublime momento da descoberta do amor.

Era tarde, muito tarde. Noite feita. O quarto estava povoado por escuridão e sombras. E silêncios.

O amor que tinham feito destruíra em suor, em prazer, e numa entrega desalmada sem quaisquer limites, a unidade que cabia a cad um, até então, e acabava de construir um só corpo, e uma só alma.

Existia nessa sombria escuridão um só corpo, de dois feito. O abraço parecia não ter fime os corpos estavam unidos, ligadoscomo se acorrentados para um todo sempre. Parecia que jamais alguma coisda poderiaseparar o que acabava de se unir, e que o amor mais belo do mundo havia criado. Assim, na magia de uma noite, depois de muito tempo de um querer sem fim.

Ouvia-se o cair da chuva, que as rajadas de vento, em alguns momentos fazia deslizar nas viraças das janelas, no forma de milhentas gotas de água, e que musicalizava ritmadamente todo o ambiente ao cair ininterruptamente na calçada das pedras da rua.

Senti-me o homem mais feliz do mundo. Senti finalmente a paz. Chegara, por fim. Era consolo, era desejo, era uma conquista inimaginável. Acreditei que aquele momento era o catapultar para um futuro que valeria a pena viver. Desfrutar.

No dia seguinte quando voltaram a encontrar-se - após uma separaçaõ dificil entre mil beijos e abraços intermináveis - ela disse assim:

"- O que aconteceu ontem à noite, foi seguramente algo dse muito belo, e será inesquecível, mas não voltará a acontecer nunca. O nosso amor é impossível."

E tudo acabou precisamente quando parecia não poder terminar jamais. 

Foi um caos. Um desabar de sonhos. O castelo de areia que tanto levara a construir e tão pouco a desfrutar desfez-se em segundos. Foi, iamginava dentro de mim, o fim de tudo. Do mundo, da vida, do querer, do ser e do estar. Continuar parecia impossível e  o desinteresse por tudo invadiu um coração destroçado.

E, de tudo isso, muito foi passando, lentamente, com o decurso do tempo. Foi difícil. Foi brutal. Mas o tempo sempre foi um aliado. Um amigo. E meses depois existia uma recordação e menos dor. E noutro tanto de tempo para diante existia uma mágoa mais difusa e uma recordação menos constante. E anos depois, tudo se foi desfazendo, entre fugazes instantes em que parecia que era visitado por recordações e doía na alma, e períodos maiores de tempo em que parecia ter esquecido, e ia vivendo.

A imagem dela foi-se desfocando na memória até que chegou um dia em que tive dificuldade, desejando, em visualizar a sua imagem, o seu corpo, a sua face, os seus lábios e os seus olhos.

Lembrava-me que era muito morena, e tinha uns rasgados olhos profundamente negros, asáticos, que tão bem conjugavam com um curto e liso cabelo muito negro.

Mas o que nunca foi esquecido, foi o momento sublime, depois de fazer amor, os dois corpos abraçados, unidos, ali perdidos ou encontrados, na escuridão, em silêncio, entre cada um, um ao outro, escutando junto do bater dos corações, a chuva que teimava em cair lá fora, martelando na calçada, ou batendo ao de leve nos vidros das janelas.

Nunca se apagou da memória aquela paz, aquela entrega, aquele amor, aquela certeza na vida, num quotidiano balanceado ao futuro, e a todo esse tempo que seguramente não deixarioa de nos trazer e garantir felicidade.






Por isso, a partir daí, dessa noite, concebeu-se inconscientemente no meu interior um devaneio ou um delírio. Um sonho indestrutível, fortíssimo, que me posuía e que iria nortear toda a minha existência futura. Mas era um sonho porque lutar, um sonho para acreditar, um sonho para trazer sempre vivo, algo que me fizesse sujeitar a tudo e mais alguma coisa, que me anestesiasse, tudo suportando, valendo tudo, ultrapassando as leis da física, envolto em loucuras, audaz e irreverente, sendo temerário. Sem medos nem temores, sendo mesmo eu, e para além de mim.

Tinha que encontrar outra noite assim. Amor. Amor e paz. Dois corpos abraçados, entregues um ao outro sem sentir passar o tempo. E porque não o mesmo silêncio, uma escuridão semelhante, e a chuva se ouvindo cair em algum lugar doi universo.

Nunca desisti desse sonho, de encontrar a noite, de ter outra vez amor. Sentir-me amorosamente ambalado num manto sereno de paz.

A sorte de ter conhecido esse amor relâmpago, aparentemente efémero, mas duradouro em mim, ultrapassa largamente a aceitável infelicidade de se ter perdido de imediato, logo a seguir, e para todo o sempre. Quimera de ter sido um conjunto inexplicavelmente mágico de instantes, realmente vividos, sentidos, interiorizados, onde culminou um querer, um desejo, e um sonho de muito tempo, e apenas esses, infímos pontos de tempo, que nunca puderam ser esquecidos.

Trocaria todo o tempo que tenho de vida por outro conjunto de momentos iguais. Por uma simples parte de noite repleta de chuva, onde o amor voltasse a ser realidade, reunindo dois corpos num abraço fantástico, e a paz e os silêncios, fizessem acreditar de novo, que novamente, era para todo o sempre.

Esse foi o sonho ou a ilusão que orientaram toda a minha jornada por muito tempo e naturalmente influenciou e condicionou muito de mim, por muitos anos. 

É preciso trazer cá dentro de nós, no nosso mais profundo e belo cantinho do coração, uma chama, um pequeno fogo sempre a arder, uma luz tal qual candeia sirve de referência e permita levar uma vida perseguindo um sonho assim.

Hoje, a vida segue sempre mergulhada em profundas voltas e reviravoltas, no meio de novidades, de turbulências, de alegrias e tristezas, tudo é recordaçaõ que se não esquece. A magia permanece, mesmo depois da esperança que foi sua companheira ter desistido um dia, mesmo que pareça agora apenas um fenómeno longíquo e intangível, mesmo que agora pareça irreal.

Mas aconteceu. É um facto. Mas admito, hoje, com ou sem sonhos, com delírios ou com loucuras, com tudo isso, natural ou fantástico, que todos esses factos marcaram um marco numa vida e num coração. Nunca mais voltarão a repetir-se.

Hoje... até a capacidade para sonhar parece ter-se esvaído. Parece que abandonou, saiu fora, e o sonho quimérico perdeu a razão de existir. E, sem sonhos, sem chama, sem luz, o ponteirinho da bússola que firmemente apontava para um pontinho mágico, perdeu o tino, e descontrolado gira sem rumo.

Hoje, em boa verdade, perdido o sonho, sinto que deixei de viver e simplesmente existo.






08 maio 2016

Que futro para o homem e para a terra


Cada um colhe o que semeia



Muito se especula sobre o fim do mundo. Se o mundo acaba ou não, obviamente não tenho conhecimentos para sustentar tal teoria, nem sou futurólogo. Se tudo o que se passa com a terra é interligado directamente com o homem,  tendo acontecido que se voltaram um contra o outro, numa luta que pode encontrar um fim, é coisa que parece por demais evidente. O homem além de se maltratar a si, maltratou o seu habitat. Uma coisa contra a natureza, não revelando nem cuidada responsábilidade com os filhos e os netos que vão herdar um planeta há beira da ruína.



Se tudo acabar, O Juízo final vai chegar a muita gente, e creio mesmo, no ponto onde chegámos, muitos que nem imaginam sequer ser colocados entre os merecer justo castigo, nunca chegarão a saber, calculo, que mereceram o essa paga por omissões cometidas, por calarem quando deveriam ter dito "não", por consentirem todo o tipo de atentados à natureza; tão ladrão é o que entra na casa como o que fica à porta. O admirável mundo novo de Huxley foi uma visão quimérica, hoje em realidade só se afiguram criveis visões dantescas, de cataclismo horrores e desgraça.




Cada um colhe o que semeou. Os inocentes, esses terão a garantia de estar no Paraíso. Quem não tem culpas, quem foi enganado, que abusivamente foi obrigado a atentar contra o mundo, os que ignoravam os malefícios de suas obras tem com toda a certeza o perdão de Deus



O povo vive enganado e iludido. Perdeu a noção, de valores e princípios. Fazem-se guerras que nem se entende bem quais as razões que as sustentaram. Há países a reclamar contra outros que fazem a guerra mas a quem depois vendem as armas. Valores universais vendem-se como a legalidade, a honra, e vingam comportamentos criminosos em governantes, que com os bens do país, fazem crescer num eldorado provocante, ao lado da fome e da miséris. A comunidade internacional fala, esgota-se em estéreis congressos, palaestras, encontros mundiais, depois disso, nada faz, Os custos para as grandes potêcias no tratamento das enfermidades globais pesa no ineteresse de um um, esbarra com o projecto de outro e tudo se justifica com o Direito Internacional, declarando-se a impossibilidade ingerência em questões de outras soberanias, e isso acontece de facto quando há outros interesses em cima da mesa. Noutro caso id~entico não havia interesses a actuação foi ao contrário. Vogamos ao sabor de uma diplomacia desprovida de valores mas atenta às riquezes, lugares estratégicos, proximidade miliatr. Perdeu-se o pudor. Há dificuldade em saber quem faz o bem, e mesmo o que é o bem. Pessoas que temos por sérias e socialmente se destacam caem do seu pedestal com a descoberta de inspeitáveis ilegalidades e falsos títulos. O povo vive enganado e iludido. Se o banditismo de estado, e a lesa pátria, a gestão danossa dos governantes pudesse ser sindicável, não existiam prisões para tanta gente grande.



É uma saída de futuro para alguns municípios do interior, terem no seu território prisões com boas condições, modernas, que rapidamente ficariam cheias com corrptos e corrumpidos, ladrões, vigaristas, abusos de poder e associação criminosa, gestão danosa , e comportamentos contra a Constituição da Repúblicsa, ou atitudes conmtrárias que foram pometidas em campanha eleitora.




Neste país o crime com pinça. Sem dúivida.