18 abril 2016

CORAGEM E UM POUCO DE LOUCURA


O mundo, tal qual é conhecido, e limitando-o ao planeta terra, é, como já foi várias vezes referido, um género de laranjinha, redonda, mas achatada nos pólos, mas que junto de seus companheiros do sistema solar, vai ininterruptamente, desde há milhões de anos, girando à volta do sol.






Deste modo, temos que ao contrário do que diziam os antigos, e era a interpretação do grande homem que determinava o conceito astronómico, S. Tomás de Aquino, que a Igreja seguia, e a todos forçava a aceitar, O nosso planeta deixou de ser o centro do mundo conhecido, teoria geocêntrica resultante do sistema astronómico de Ptolomeu, para se tornar, depois de mil tormentos em que a ciência acabou por vencer as barreiras de uma astrologia teológica, um astro que vai girando sobre si, e gira de igual modo, e ao mesmo tempo mantêm os dois movimentos, em volta do sol, teoria heliocêntrica.


"Maester dixit" era a lei, era a resposta dominante, era inquestionável. S. Tomás de Aquino que sistematizou o sistema conceituar da natureza que dominou a Idade Média. Conciliou o sistema da natureza de Aristóteles a teologia e a ética cristãs moldando o pensamento por mais de trezentos anos.


Para que o mundo reconhecesse esta realidade, para que a autoridade geral do tempo, espiritual com ascendência absoluta sobre o secular, tiveram que derrubar-se barreiras quer pareciam intransponíveis. Grandes astrónomos, teólogos, físicos passaram as maiores adversidades para que a verdade não estivesse oculta. Para que a realidade fosse conhecida da comunidade científica e mais tarde, de um modo geral, se tornasse conhecimento de toda a gente.


Hoje devemos esse grande salto da barreira ao desenvolvimento do conhecimento das ciências a homens como Giordano Bruno, que foi queimado na fogueira da Inquisição depois de anos preso nos calaboiços em Roma, a Galileu que teve de se retratar publicamente para se manter vivo, a Nicolau Copérnico cuja grande obra foi publicada após o seu falecimento.

Leonardo da Vinci já dissera que o Sol não se move. Outros nomes como Isaac Newton ou Kepler acompanham o desenvolvimento do conhecimento cientifico juntos de outros.


Esta pequena e insignificante resenha de um período da história da humanidade, além do interesse sempre existente em rever alguns conhecimentos que a memória perdera, tem a relevância de mostrar que há barreiras que parecem invioláveis, poderes estabelecidos que se julgam duradouros e nunca perturbáveis, grandes nomes que são referência em termo de artes, ofícios, técnicas ou ciências que vêem cair do pedestal as suas teorias mais solidificadas.


O mundo só consegue ser o que é, devido a constantes e consequentes transgressões, a confrontos, tensões. Muitos julgados loucos impuseram-se como seres que dominaram e ultrapassaram as certezas dos que se julgavam inquestionáveis. 


Hoje, continua a imperar nos meios científicos o Princípio da Incerteza, isto é, já ninguém do saber crê em verdades absolutas, e o que é hoje considerado como certo pode cair a todo o tempo. As revoluções sucedem-se, e a um ritmo cada vez maior. Tudo muda. Tudo gira.


E a laranjinha dos pólos achatados veio dar uma dor de cabeça tremenda ao poder da Idade Média, à Igreja como potência e centro do saber, e a tantos que ousaram desafiar um status quo decadente e que teve de ruir.


Por mim, e só em termos de nota simbólica a anexar a esta pequena incursão em doutos assuntos que deveriam me estar vedados dado não ser homem nem de ciência nem possuir títulos académicos, nem dinheiro para os comprar, gostaria de deixar apenas uma frase e terminava coma empreitada que hoje fiz: só acredito nos homens capazes de desafios e de confrontar, capazes de ousar defrontar, e que acabam por mostrar que do suor, da tenacidade, da coragem e um pouco da loucura, acabaram vencendo, mostrando que sem medo tudo é possível.








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