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08 abril 2016

Homenagem ao poeta portalegrense José Duro




























Quando passeio pelo Jardim da Corredoura em Portalegre - faz tempo que não passo por ali, parece que as pessoas se escondem nas casas e deixaram de percorrer os espaços públicos - sempre olho para um singelo Frontispicio do jovem poeta portalegrense José Duro.

E sempre leio a quadra poética que está exposta. Sempre me disse muito aquele conjunto de quatro frases que considero de uma profundidade imensa, tocando as pessoas da sua cidade suponho, e terminando no próprio poeta que se acha incoerente e na sua obra Fel que qualifica de brutal.
Vou arriscar transcrever essa quadra que penso saber totalmente, ou quase, de cor:

O livro que aí vai - obra de um incoerente
É um livro brutal, é um poema a esmo...
Pensei-o pela rua olhando toda a gente,
Escrevi-o no meu quarto. olhando-me a mim mesmo


José Duro (1875 - 1899) era filho de mãe solteira, a operária de lanifícios Maria da Assunção Cardoso, e do industrial José António Duro. O seu poema mais precoce, um soneto intitulado A Morte, escrito em Portalegre em 1895, revela já o temperamento melancólico, pessimista e mórbido do autor, que é ainda mais marcado na sua obra mais conhecida, Fel, livro escrito em 1898.
Em 1896 publicou em Portalegre um folheto de versos que intitulou Flores.
A prostituição, a morte, a tuberculose e o desespero são os temas mais recorrentes da sua poesia, por muitos considerada a concretização mais negativista das correntes estéticas decadentistas em Portugal.

O meu prazer é bruto, em mim só há desejos...
O que amo na Mulher não é imaculado
Eu só lhe quero a Forma e, quando saciado
Desprezo-me a ,i, mesmo, enojam-me os seus beijos...


Fel é uma espécie de diário poético dos últimos dias de José Duro. O poema Doente, que encerra o livro, é uma longa confissão de amargura e desespero de um jovem que sabe já que a morte está muito próxima.

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre)

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