11 abril 2016

Em que estás a pensar?






Bom dia, - o que estás a pensar? - encontro sempre no topo de minha página de uma rede social esta pergunta. Creio que a fazem a toda a gente. Não é obrigatório responder mas alguns sentem o bichinho das letras aos pulos e aproveitam para descrever milhentas coisas que acabam ou não por nos clarificar sobre os seus pensamentos.

Alguns, eficazes no manejo das letras apenas necessitam três a quatro linhas e esclarecem o curioso que for interessar-se pelos nossos pensamentos.




Outros pura e simplesmente fazem vista grossa e escondem do mundo e às vezes deles mesmos o que pensam, deixando em branco um espaço que nos permite especular sobre quão interessantes ou coloridos são o pensar oculto, escondido, e podem mesmo fazer-nos interrogar se aquela pessoa pensa.




Acredito piamente que muita gente não pensa. Será possível? Vagueiam literalmente sobre as coisas da rotina de cada dia, pouco fazem, não criam, não querem saber de coisas da terra e das gentes, e fogem dos problemas como o diabo da cruz. São totalmente cinza no caixote que carregamos sobre os ombros e de lá não se pode esperar o milagre do arco íris.




Eu, ao contrário penso sempre e muito, o que não quer dizer que seja bom, é um modo de passar o tempo e não descansar. Algo se passa, e muitas vezes os próprios pensamentos esgrimem entre si, saltam e correm uns com os outros, enrolam-se, duplicam-se, baralhando uma mente já muitas vezes atordoada de tanto trabalho descoordenado da mente.




Por exemplo, em pouco espaço de tempo pensei que existem médicos corruptos que olham para os doentes como se olha para um caixote do lixo. Tudo isso seria motivo de reflexão e daria para prolongar no tempo e no espaço esse assunto buscando discernir a realidade. Mas ainda não ia a meio de reflectir que os médicos querem brincadeira comigo e me lembrei de uma velha empregada que tive quando vivia num meio rural, numa quinta de família e essa amiga levava o tempo a cantar; "olha a laranjinha que caiu, caiu,/ caiu lá do alto e nunca mais se viu". Fiquei um pouco baralhado de imediato e o meu processador que já tem 60 anos, fez sair na impressora algo como uma laranja tinha caído em cima dos médicos brincalhões. Vi que não havia muito sentido neste processamento de dados e quando ia para rever as entradas, recordei que a justiça costuma ser lenta mas sempre acaba por ocorrrer. Como se eu quisesse saber alguma coisa de justiça, pouco a revejo no ser humano, mas o meu processador anquilosado logo fez sair nova blasfémia; seria a justiça que teria lançado a laranja na cabeça dos médicos que se meteram comigo.




Fiquei parvo, com o processador, comigo, com a laranja que acabei por não confirmar se deu cabo da cabeça de algum médico, e com a justiça que sempre imaginei servir para algo mais nobre do que andar por aí mandando fruta à cabeça dos criminosos. E já me ia surgir um novo pensar, quando pensei que o melhor era imaginar tudo em branco. E, uma névoa foi envolvendo tudo em meu redor, lentamente, e a justiça foi a primeira a desaparecer, em seguida saíram do meu juízo os tais médicos malfeitores e por fim, tinha de ser, a laranjinha que caiu, acabou mesmo por cair e nunca mais se viu.



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