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26 abril 2016

DETESTO DESTRUIDOR DE SONHOS

PENSADOR...



O 25 de Abril, em si, tornou-se um sonho doirado, maravilhoso, colorido, fantástico, que veio encher de esperança a alma de um povo que em quarenta e oito anos tinha sido amordaçado, oprimido, desrespeitado, tratado grosseiramente pelos poderes tirânicos de uma ditadura feroz e desumana.

Quando olho para os dias que correm, quando medito nas transformações que a modernidade vai impondo, vejo com temor, com revolta, como todo esse sonho por todos adoptado, lindo e imenso, é atacado subtilmente ou descaradamente dia após dia.

E a justificação para os sucessivos ataques a um país que sonhámos para todos, em democracia e em liberdade, com garantias de direitos, com melhor saúde, mais educação, melhor qualidade de vida, assenta na racionalidade, nos bens escassos, nos imperativos europeus, no rigor, na competitividade e na criação de riqueza.

Raramente, ou quase nunca, ouvimos a classe política ter a humildade de assumir que muito se tem enganado e acumula erros e culpas. Foram sempre os outros. E a culpa em Portugal, diz-se, morreu solteira.


Na verdade já conquistámos melhor saúde, uma educação que chegava mais facilmente a todas as famílias, mais direitos no trabalho, mais direitos sociais. 

Paulatinamente, e com um sorriso nos lábios, justificando que temos de avançar no mundo, sendo mais competitivos, vimos um assalto descarado às horas de trabalho que crescem. Dito de outro modo, assiste-se em simultâneo a dois roubos, o trabalhador tem que trabalhar mais tempo percebendo igual salário, e o valor hora diminuindo, isto é, desvalorizado, com todas as consequências que arrasta.

Atacaram os feriados como os chacais atacam a primeira presa incauta que encontraram, e o próprio abono de família dado pelo ditador, foi levado não se sabe para onde.

Fecharam tribunais, distanciando a já ilusória relação do indivíduo com a justiça. Que cada vez mais parece afastada das pessoas, e a qualificada é para os eleitos.

Recordo toda uma vida em que ouvi falar dos direitos adquiridos. Era uma frase intocável, era garantia, era estabilidade, era segurança, Todos esses direitos que normalmente foram conquistados com luta sofrida pelos trabalhadores, e fazendo parte de um extenso rol em que se percebia uma qualificação de gente, de pessoas de direitos e deveres, civilizada e solidária, foram jogados às malvas.


A corrupção expandiu-se de um modo que só parece não aterrorizar os políticos, os partidos, e os que chupam nas tetas da porca. Parece inacreditável mas não se vislumbra um único partido que defenda medidas claras, rigorosas e eficazes, que coloquem um travão nesse flagelo.

Hoje não subsistem dúvidas da dimensão desta chaga social, onde um gigantesco polvo mostra políticos, governantes, representes da nação, banqueiros, engenheiros e doutores, empresários, amigos, compadres, parceiros de partido, altos e baixos funcionários, gestores públicos, autoridades e muita gente ainda por identificar.

Mesmo com o caldeirão vazio, possuem criatividade para comer fora da lei. Depois o povo pagará. Assim anda a democracia. Onde se cruzam na rua Ferraris e desgraçados de mão esticada pedindo esmola.


E depois dá-se o paradoxo dos paradoxos; ninguém tem dinheiro. O Estado está falido e mais que falido devendo cada dia que passa mais e mais, os pobres continuam pobres, Os bancos exploram até mais não mas esquecem que vivem das esmolas dos contribuintes. Os banqueiros desconhecem o paradeiro da massa ou andaram a gozar á brava, a fazer negociatas ruinosas, a perdoar a familiares e amigos, sendo certo que alguns nunca lá deveriam ter ido, e outros estariam muito bem detrás das grades. No meio dessa confusão de tesos ainda estão gestores, empresários, patrões e falidos com contas no exterior. Um pandemónio.

Temos que concordar que se tem feito asneiras imensas e grandes. O que era de esperar dada a mediocridade que hoje caracteriza desde os nossos governos, à nossa classe política, na Administração Pública, nas Empresas Públicas e em institutos e fundações que já estiveram para fechar. Mas neste labirinto, onde pululam muitíssimos interesses e gente grada na hora de colocar travão, fecha-se os olhos. Não vá o Beltrano enervar-se. E o Sicrano vingar-se depois.

O desgoverno não é mais que simplesmente o resultado da bandalhice a que chegou o regime.

Os políticos, ao invés de terem lições de ética e moral, aprendem a astúcia de enganar, mentem constantemente. Enquanto se assiste à tragédia de suicídios e depressões, outras desgraças entre os que confiaram as suas poupanças nos Bancos, os banqueiros continuam ricos e com uma vida à parte. Nada preocupa esses homens da Banca que réplicas modernas dos guerreiros de Esparta aconselham mesmo o que caiu em desgraça a dormir debaixo da ponte. E não haver quem dê com um varapau nas costelas desses gajos. Se fosse na Bélgica ou na Holanda, quem ia para debaixo da ponte, ou teria de fugir deixando nuvens de pó atrás dos sapatos seria o banqueiro espartano. E seguramente animal.


Exposto tudo isto, e muito mais se podia acrescentar, entende-se perfeitamente o estado em que se encontra o sonho nascido em Abril. E o pior que pode acontecer a uma pessoa ou a um povo é assistir ao assalto despudorado, irresponsável, gratuito, que meia dúzia de saloios esclarecidos, ou convencidos disso, fazem ao seu sonho mais belo. Que está entranhado, pelo corpo fora até à alma.

Geralmente quando morre o sonho o ser humano cai, deixa de viver, e simplesmente existe. Logicamente que para a classe dominante o que contam são as estatísticas, as metas, os objectivos, se a pessoa vive ou existe, não conta. É tudo igual.

E, infelizmente quando um povo somente existe não há nem governo, nem europas, nem produtividade, nem progressos, que possam despertar forças, acordar gente, mobilizar o povo. Instala-se a indiferença. As pessoas encolhem os ombros. Estão cansadas de idiotas e de ser enganadas. E deixam-se ficar a ver a procissão passar.

Portugal está velho, muito envelhecido, sendo preocupante que existe gente nova já com sintomas de envelhecimento precoce. As pessoas estão cansadas, desmotivadas, deprimidas, não possuem ideais, não acreditam no amanhã, e sabem que o que virá a seguir será como a experiência cruelmente demonstra, mais um pulo para pior.


Recordo que os Romanos diziam dos Lusitanos que eram um povo que não governava nem se deixava governar. Herdámos isso? Esta-nos no sangue? Como uma maldição? E um jornal inglês no séc. XIX descrevia Portugal como a Turquia é impossível adquirir civilização. Pobre povo, que sempre mostrou caminhos ao mundo quando teve HOMENS ao leme da nau. Se, Eles andou à deriva.

Há 2000 anos ou há dois séculos parece que mantemos a tão desejada estabilidade. E continuamos hoje provavelmente sendo o país mais estável do mundo. Que pena não nos deixarmos governar. Aqui é jogo branco.


Fotos by Pedro Alcobia da Cruz, na Livraria Lello, na cidade do Porto (Oporto), considerada uma das 10 mais bonitas do mundo.





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