Nº de visitantes por País

free counters

30 abril 2016

Ainda existe uma Inquisição?



INQUISIÇÃO DOS NOSSOS TEMPOS




Como pensador atrevo-me a manter essa actividade do meu intelecto absolutamente livre. Até podem me chamar Livre Pensador  que só poderia me sentir bem, pois nada existe de tão importante como a liberdade. E os pensamentos mantêm-se livres mesmo quando o corpo está aprisionado, escravizado, mesmo quando se age condicionadamente e se diz o que obrigam. O pensamento esse, para tristeza de uns assassinos que por aí andam escondidos, ainda não pode ser alvo de grilhetas, de torturas, de sangue derramado. Basta mantê-los pujantes, teimosos, só nossos, isso ainda ninguém consegue controlar. Felizmente.

Coloquei estas fotos, de uma estrela que em alguns contos fantasiosos digo ser minha, ser minha amiga e ser a mensageira que todas as noites leva os meus beijos a uma princesinha que existe numa qualquer ponto desconhecido do Universo.

Felizmente as democracias não se ralam com o que cada um opina, seja em que sector seja do conhecimento. Apenas não apreciam muito a crítica que alguns ousam dedicar aos mais poderosos e governantes. A democracia ainda não é perfeita.

O maior assassino que existe na História do Homem foi uma entidade que surpreendentemente proclama o amor e o perdão, e se diz representante de Deus na terra, refiro-me à Igreja. Roma é responsável por mais mortes juntas que uns tiranos que a história não esqueceu nunca, como: Átila, Nero, Hitler e outros iniciados em comparação com a Igreja.

Hoje que se fala em fanatismos religiosos, em terroristas, bombistas, assassinos que torturam e matam em nome de deuses famintos olhamos incrédulos como essas coisas podem acontecer. Como a inteligência e o bem senso humano é dominado por crenças destruidoras. Deveria, penso eu, ser fácil meter dentro da cabeça o direito que cada um tem em ser pessoa, tendo, deste modo, direitos, liberdades e garantias. A liberdade religiosa é apanágio todo o estado moderno. E cada homem deve reconhecer no seu vizinho o direito de ter um Deus diferente, ou um pensamento distinto, práticas próprias. Apenas se pede em sociedade que cada ser humano possa ser ele mesmo, possa livremente ter a vida que procura e quer, busque a sua felicidade. O único condicionamento aceitável é aceitar as regras e as leis que enquadram a vida em sociedade, e não ser factor de perturbação ou uma violência perigosa.

Eu tenho uma estrela que todas as noites voa alegremente no espaço, e deposita com mil cuidados os milhares de beijinhos que eu lhe envio. Imaginem que tinha dito isto nas ruas de qualquer cidade portuguesa pelo ano de 1500. Era preso, torturado, acabava confessando o que os meus carrascos pretendiam, e acabava assado na fogueira. 

Podem questionar-se porque trago a Inquisição, as estrelas, os fanatismos, as mortes, os assassinos. Simplesmente porque nos meus 60 anos de vida vi muita coisa. Hoje há democracia, há liberdade, há uma Constituição que garante o mínimo de dignidade humana s direitos das pessoas. O mundo mudou. Mas posso assegurar que do mesmo modo que existem selvajarias descontroladas desses fanáticos do Islão, ou lá de que credo são, também existe no ocidente, pastores de Igreja que se pudessem, em nome de Deus, continuariam a querer condicionar as pessoas, a espartilhá-las, e impôr condutas e atitudes, como se de Reis se tratassem.

"Os deuses têm sede" é o nome da obra prima de um prémio Nobel da literatura, Anatola France. Não me vou debruçar sobre o conteúdo do livro, que li faz muitos anos, mas sobre o seu título. É que os deuses não querem nem carne, nem sangue, nem que saiba dançar, ou chorar. Quem quer ir mais longe que o próprio passo são aqueles que na sua pequenez, como se acham representantes do divino, convencem-se, entranha-se neles, como que um poder, que ninguém pode questionar. E se alguém ousar pisar o risco é inimigo. É para abater. E isso existe por detrás de todos os deuses. Homens pequeninos se fazendo de magos. E quanto mais insignificantes mais neles cresce a intolerância e o ódio. E a vontade de castigar, exterminar, 

Até hoje, posso afiançar a quem me lê, o pior olhar que um homem me dirigiu, carregado de ódio, parecendo libertar chispas, foi de um piedoso sacerdote. Porque ousei não seguir o caminho dele e lhe dizer várias vezes o que pensava. Livremente. Fui incauto. Tanta maldade que vi naqueles olhos, nunca pude esquecer. E o homenzinho que apregoa a paz, o amor, o perdão, e tantas maravilhas fez tudo para perder-me. Ainda bem que estamos no nosso tempo. Cuidado.

29 abril 2016

CAMINHOS DE TERRA


O caminho faz-se caminhando


Dizem que cada um tem a sua própria cruz para carregar nesta rota que é a nossa vida. E, da mesma maneira que é fantasioso imaginar que os homens podem ser iguais, também devemos aceitar pacificamente que o tamanho e o peso da cruz que carregamos varia de pessoa para pessoa.

Os desígnios de Deus, dizem os entendidos em assuntos teológicos, são insondáveis. O que determina não haver sentido algum em tentar perceber ou explicar porque o fulano António, cuja vida foi pautada por comportamentos inadequados, e de quem pouca gente se aproxima ou relaciona, segue ligeiro e sorridente dia após dia, como se viajasse em automóvel de luxo em autoestrada, passando por todo mundo exibindo sua superioridade a alta velocidade.

A outros dói-nos a lama, gente boa, humilde, simples, temente a Deus, só acolhe desgraça atrás de tormento. É a saúde que falta, o alimento pouco, casa ruim, e cada dia que passa mais se avolumam as dificuldades, as dores, o sofrimento e a indiferença. Cada dia é mais penoso que o anterior, e o caminho da vida é um calvário, onde se pode imaginar uma cruz bem pesada e grande. Essa vida também é uma viagem, mas de pé descalço e num caminho de terra perdido das cartas de orientação.

Estes dois exemplos bem simples reflectem uma das grandes questões ou dúvidas que os pensadores colocam face à existência de um Deus, justo, que é perdão e ama os seus filhos. Ao teólogo não vão faltar um inúmero rol de justificações para todos esses casos do conhecimento geral, em que parece que o pecador leva boleia divina e goza a vida, e o justo, o crente, parece vítima de um qualquer mal que sobre ele paira, e está condenado a uma vida de miséria e desgraças.

O ateu vai alicerçar a sua indiferença espiritual, não crendo na existência nem de deuses, sejam de que género sejam, repudiam a religião como se fosse uma doença que atropela a visão humana, e o escraviza. E crê que depois da morte, igual a um outro animal existente, acaba se tornando pó, e mais coisa nenhuma. Depois da morte nada existe.

Cristo foi uma figura histórica irrefutável, e dele mal ou bem chegamos à Igreja que ultrapassa os 2000 anos de existência, representando para os fiéis católicos Deus, a Sua casa.Quer gostemos ou não a moral cristã é um baluarte na tradição intelectual do ocidente, e influencia a vida do nosso mundo de modo decidido. Cristo foi crucificado pelos romanos e entregue pelos judeus que o viam como um perigo público. Cristo anunciava o amor, o perdão, o bem, e foi com uma cruz verdadeira, pesada de  madeira que caminhou no seu último rumo de encontro à morte, arrastando-a perante a indiferença e o divertimento de muitos populares. E, contam os evangelhos que quando estava pendurado na cruz, entre dois criminosos também crucificados, um deles disse a Jesus; " quando chegares ao céu lembra-te de mim", ao que Jesus moribundo, respondeu; "ainda hoje estarás comigo no reino de meu pai".

Ser ou não cristão, reconhecer ou não a existência de Deus, é sobretudo uma questão de fé. Discutir a fé é simplesmente uma perca de tempo. Não se pode discutir, ou se tem, e se sente dentro de cada um, ou não se tem nem se sente.

Estas reflexões são perfeitamente matéria para a qual não tenho qualquer preparação. Não possuo conhecimentos teológicos, nem tenho a Bíblia ou os Evangelhos sabidos de cor. Mas sei uma coisa, já vivi sem Deus e esquecido andei por onde quis e me apeteceu, e fiz o que me deu na real gana. Mesmo assim, ninguém pode contestar que em muitos passos e procedimentos que tomei lá estava a marca da moral cristã. Mas quando vivia sem Deus sentia como que uma amputação de algo em mim, um vazio, uma mancha escura, a ausência de caminho. Tudo terminaria sem nada, bastava estar vivo, e no segundo depois era cadáver. E sentia-me só. Quando ia nesses caminhos da vida fosse por onde andasse parecia faltar-me sempre alguma coisa. Ia incompleto, solitário, inseguro, temendo o dia seguinte, ou o fim.

Com Deus no coração nunca existe solidão, se ultrapassam melhor as crises, o sofrimento parece menor, as forças resistem mais e dificilmente quebram, o ser cai mas volta a levantar, e o dia seguinte nunca é uma ameaça. Quanto ao fim, ele simplesmente não existe. Apenas mudamos de caminho, deixando para trás a lama e a terra e entrando num mundo imaginário onde não existe o mal, e onde existe uma paz para sempre.


28 abril 2016

DESMANDOS IRRACIONAIS

O PENSADOR

"O pensador é antes de
tudo dinamite, um
aterrorizante explosivo
que põe em perigo o
mundo inteiro"

Nietzsche





IRRACIONALIDADES OBRIGATÓRIAS



Há mais de 10 anos construí a minha casa em Fortios. Burocracias, plantas, projectos e amsi projectos, recordo uma interessante troca de opiniões quando estive nos Serviços Camarários no Departamento dedicado a obras e construções.


Dizia eu - os pensadores inventam casa coisa - perante a exigência de um Projecto de Instação de um Sistema de Gás Natural, que pretendia morar nos Fortios porque precisamente buscava o regresso às origens, onde numa lista enorme de vantagens em morar quase no campo, estaria a minha paixão pela comida feita na lareira. Vivi muitos anos numa quinta no meio rural e não havia nada melhor que as favas que a Alzira fazia na lareira. Razão bastante a meus olhos para justificar a isenção de ter de pagar por algo que não me ia servir de nada.


Mas a lei é lei - apesar do conceito elementar que as leis desprovidas de racionalidade, não devem ser seguidas - e tive de andar pela cidade à procura de quem faria um projecto de instação de uma coisa que eu não queria. Depois de encontrar, ao tempo pouca gente tocava em assunto tão exigente, paguei o referido Projecto cujo valor não recordo e fiz a entrega na Câmara Municipal de Portalegre.


E fiquei esperando o dia em que a Companhia do Gás me viesse fornecer esse bem, que as entidades públicas me obrigavam a utilizar. Admitindo, mas eu ando na lua, que se era obrigado a pagar para um meio - a instalação do sistema - segundo as exigentes regras da interptretação jurídica, que o que permite os meios com força de razão permite os fins, haveria de ser também alguém obrigado a colocar-me, para ligar no sistema, esse bem precioso.


Passaram mais de 10 anos, continuo à espera. E penso que a Câmara Municipal de Portalegre continuará a exigir estes Projectos mesmo aos municipes que pela área de moradia, ela mesma sabe serem totalmente inúteis, dinheiro deitado ao lixo e perda te tempo.


Tenho reflectido muitas vezes sobre este assunto. Na realidade a Câmara Municipal de Portalegre, ou melhor quem fez as leis, deveria obrigar a sua aplicação apenas nos casos de garantia de acesso a esse bem. E posso mesmo admitir que esse seria o espírito do legislador. 

Só que vivemos num país desgovernado que se chama Portugal, onde as pessoas são vistas como incautos atravessando o Pinhal de Leiria. Só servem para pagar, pagar, e pelos vistos paga-se pelo que se deve, pelo que se não deve, e por imaginações futuras. Isto com toda a certeza foi obra de economista.


Na minha casa não chegou ainda o famoso Gás. É verdade que a meia dúzia de caixas colocadas no muro da moradia dão um aspecto quase galáctico ao bairro e os estrangeiros percebem de imediato que aqui vive gente desenvolta, moderna, dominadora de tudo o que de mais avançado se faz na terra.


Deitei dinheiro no lixo. Este país é de facto governado por gente muito pequena e que enxerga muito pouco. Só vejo, e depois de intensa e demorada reflexão uma vantagem que esquecera até hoje, a valoração imensa que o imóvel tem quando de uma possível venda. O comprador fica fascinado seguramente em adquirir um imóvel como ligação ao gás natural. É uma compra a olhar o futuro. Uma rentabilização. Quando ele um dia vender a sua casa vai também ganhar uma pequena fortuna por ter uma casa avançada no tempo. Esse el dourado todo mundo quer.



Que o Estado é assim assim meio larápio - há quem diga isso - não contesto, que as Câmaras andam meio falidas e tudo o que vem à rede é peixe os munícipes entendem. E no meio de tudo isto só me irrita a pele, e me deixa noites sem dormir, pensar que nos dias de hoje existe gente que vive em casas desprovidas de sistema de gás natural. Qual será o futuro dessa gente, coitada?





27 abril 2016

DETESTO BÚSSOLA SEM PONTEIRO

PENSADOR

"O pensador é antes de
tudo dinamite, um
aterrorizante explosivo
que põe em perigo o
mundo inteiro"

Nietzsche






Todas as pessoas, ou os povos, no caminho que percorrem rumo a determinado destino futuro, devem possuir um objectivo, e este deve ser claro, por todos assumido e aceite, como estandarte a seguir, permitindo deste modo mobilizar todas as energias para chegar serenamente e com segurança ao norte.

E, para chegar ao ponto cardeal que os chama, e escolheram atingir, que é sinónimo de esperança, de união, e agrega forças - o tal norte - exige-se, no mínimo, a existência de um aparelho cientificamente certificado e que aponte o sentido da marcha, sendo instrumento de comunicação e orientação, seguro, não permitindo assim que o movimento colectivo perca a trajectória correcta.


Podemos questionar se Portugal possuí algum instrumento de orientação, com qualidade e verificado regularmente para que garanta manter-se rigoroso. Portugal possuí alguma bússola?

Se olharmos ao passado glorioso de uma Nação como a nossa, que em 1415 deu o primeiro salto naquilo que hoje consensualmente se chama a globalização - com a conquista de Ceuta no Norte de África, e depois com suas naus e caravelas que foram mares fora, encontrando novos mundos, pela África rumo a sul, rumo ao intransponível Adamastor, que depois de vencido é conhecido por Cabo da Boa Esperança, e seguiu imparável a costa oriental da África até à Índia, `Malásia, à China. Um entendido em assuntos náuticos e na história da instrumentação de orientação assegurará sem qualquer dúvida e poderá responder com conhecimento e exactidão que Portugal teria imensas bússolas. Rigorosas, Certas. Que guiaram um pequeno povo a feitos grandiosos.


Portugal possuí alguma bússola? Faço esta questão olhando o quotidiano, olhando o dia de hoje e um punhado largo de anos atrás. E até tenho de admitir que o que não deve faltar é termos uma bússola. Admito que sim. Mesmo que desconheça alguma coisa, algum ponto cardeal que mobilize o povo português.

Nos nossos dias os representantes do povo, diz-se (embora tenha dúvidas se isso existe),enquanto eleitos na Assembleia da República, e assentes no sistema de democracia parlamentar representativa, têm como missão primacial representar os que os elegem, tendo para isso, e na medida estrita de honra e respeito, cumprir as promessas espalhadas para com aqueles que aprovando tais palavras os colocaram no comando do país.


Foram esses que indicaram os objectivos, as metas, o rumo, e então, correspondendo ao que acordaram como compromisso com os eleitores, e os portugueses em geral, levam o povo, no nobre trajecto rumo ao ponto cardeal que todos levantaram.

Infelizmente, o que se tem visto, e ameaçadoramente coloca em causa essa "léria" da democracia representativa, é que apanhados nas cadeiras do poder, o que tem acontecido com a certeza de um relógio suíço, é os governantes e os representantes que sustentam os primeiros, acabam por fazer tudo ao contrário do que havia sido acordado e prometido.


(Na minha modesta opinião que sou pouco culto, não possuo conhecimentos sólidos para fazer juízos de valor sobre gente grada, mesmo que mentirosa, fazendo o contrário do que foi acordado, além de estarmos perante trapaças, aldrabices, actos sem honra, sem seriedade, estamos perante a quebra de um acordo e, existindo essa gritante desconformidade, existiriam razões sérias para a imediata queda dos governos, por falta de verdade, por falta de honra, por enganar os portugueses.)

Mentem dizem uns, outros que não há vergonha. Outros revoltam-se. A maior parte das pessoas nem sequer confia já em ninguém. Imaginem se os grandes da governação, senhores doutores e engenheiros de diploma merecido (pensa o pequeno) mentem com todos os dentes que têm na cara, o que será no "pópulo minuto"? Isto virou um reinado de gente baixa, sem escrúpulos, doutorados na pantomina e na palhaçada. O mundo observa e ri. Rir ainda não tem imposto? Podemos rir também?


Podíamos dizer que o nosso rumo é um corso carnavalesco, mas não convêm meter em assuntos políticos o tema Carnaval que já queimou dois sujeitos que puseram os portugueses a trabalhar nesse dia. é assunto pantanoso. É que no meio da infelicidade o povo tem de facto direito a uns dias de gozo, de esquecer que é enganado todo o ano, é roubado a cada esquina. Merece um dia para esquecer a verdade. Que é bem triste.

Mas não divagando - quem pensa muito escreve demais - fico espantado com a justificação que cada governo que por norma desgoverna, além de fazer o contrário do que prometeu, e todos prometem igual, o céu e a terra, para acabar sempre saindo sem honra nem glória, e deixando o país sempre pior. E, assim se verifica a veracidade da justificação como tentei explicar de cada governo ao trocar as voltas aos eleitores e tudo fazerem ao contrário; a culpa foi do governo anterior.


Inteligente fundamentação. Pois é realista. Os governos passam, o desgoverno segue em frente, e o país continua a afundar-se. E assim segue o mundo. Nenhum político que me tenha apercebido foi chamado aprestar contas, são irresponsáveis pela lei, e sempre os espera mais ano menos ano, um colar para colocar em lugar de boa visão na sala da casa.

Cada dia devemos mais. E andamos em austeridade faz qualquer coisa como uma década. Paras os apostadores e gente de bom senso é certo e sabido que daqui a 10 anos vamos estar bem piores que hoje. A nossa militância é ser caloteiros. Indefinidamente


Voltando aonde queria chegar quando comecei este folhetim, todos os que nos têm "governado", não conseguem localizar o caminho do nosso Norte. E lá vamos aos solavancos.

Enquanto aguardamos que algum inteligente que seja português (e não tenha abandonado o território nacional a tempo e horas) , se lembre de pedir um empréstimo a um Banco estrangeiro (os nacionais mesmo explorando os depositantes estão falidos) para comprar um ponteiro milagroso que se possa colocar na nossa bússola que está amputada faz tanto tempo, sem agulhinha giratória, sem indicação do ponto onde todos um dia vamos querer chegar.


Feita a compra e tentando não faltar ao seu pagamento, nunca mais nos encontramos se temos de devolver nossa honra, resta-nos esperar e ter confiança. E ter ponteiro.


Fotos by Pedro Alcobia da Cruz, Estação da Campanhã, Porto

26 abril 2016

DETESTO DESTRUIDOR DE SONHOS

PENSADOR...



O 25 de Abril, em si, tornou-se um sonho doirado, maravilhoso, colorido, fantástico, que veio encher de esperança a alma de um povo que em quarenta e oito anos tinha sido amordaçado, oprimido, desrespeitado, tratado grosseiramente pelos poderes tirânicos de uma ditadura feroz e desumana.

Quando olho para os dias que correm, quando medito nas transformações que a modernidade vai impondo, vejo com temor, com revolta, como todo esse sonho por todos adoptado, lindo e imenso, é atacado subtilmente ou descaradamente dia após dia.

E a justificação para os sucessivos ataques a um país que sonhámos para todos, em democracia e em liberdade, com garantias de direitos, com melhor saúde, mais educação, melhor qualidade de vida, assenta na racionalidade, nos bens escassos, nos imperativos europeus, no rigor, na competitividade e na criação de riqueza.

Raramente, ou quase nunca, ouvimos a classe política ter a humildade de assumir que muito se tem enganado e acumula erros e culpas. Foram sempre os outros. E a culpa em Portugal, diz-se, morreu solteira.


Na verdade já conquistámos melhor saúde, uma educação que chegava mais facilmente a todas as famílias, mais direitos no trabalho, mais direitos sociais. 

Paulatinamente, e com um sorriso nos lábios, justificando que temos de avançar no mundo, sendo mais competitivos, vimos um assalto descarado às horas de trabalho que crescem. Dito de outro modo, assiste-se em simultâneo a dois roubos, o trabalhador tem que trabalhar mais tempo percebendo igual salário, e o valor hora diminuindo, isto é, desvalorizado, com todas as consequências que arrasta.

Atacaram os feriados como os chacais atacam a primeira presa incauta que encontraram, e o próprio abono de família dado pelo ditador, foi levado não se sabe para onde.

Fecharam tribunais, distanciando a já ilusória relação do indivíduo com a justiça. Que cada vez mais parece afastada das pessoas, e a qualificada é para os eleitos.

Recordo toda uma vida em que ouvi falar dos direitos adquiridos. Era uma frase intocável, era garantia, era estabilidade, era segurança, Todos esses direitos que normalmente foram conquistados com luta sofrida pelos trabalhadores, e fazendo parte de um extenso rol em que se percebia uma qualificação de gente, de pessoas de direitos e deveres, civilizada e solidária, foram jogados às malvas.


A corrupção expandiu-se de um modo que só parece não aterrorizar os políticos, os partidos, e os que chupam nas tetas da porca. Parece inacreditável mas não se vislumbra um único partido que defenda medidas claras, rigorosas e eficazes, que coloquem um travão nesse flagelo.

Hoje não subsistem dúvidas da dimensão desta chaga social, onde um gigantesco polvo mostra políticos, governantes, representes da nação, banqueiros, engenheiros e doutores, empresários, amigos, compadres, parceiros de partido, altos e baixos funcionários, gestores públicos, autoridades e muita gente ainda por identificar.

Mesmo com o caldeirão vazio, possuem criatividade para comer fora da lei. Depois o povo pagará. Assim anda a democracia. Onde se cruzam na rua Ferraris e desgraçados de mão esticada pedindo esmola.


E depois dá-se o paradoxo dos paradoxos; ninguém tem dinheiro. O Estado está falido e mais que falido devendo cada dia que passa mais e mais, os pobres continuam pobres, Os bancos exploram até mais não mas esquecem que vivem das esmolas dos contribuintes. Os banqueiros desconhecem o paradeiro da massa ou andaram a gozar á brava, a fazer negociatas ruinosas, a perdoar a familiares e amigos, sendo certo que alguns nunca lá deveriam ter ido, e outros estariam muito bem detrás das grades. No meio dessa confusão de tesos ainda estão gestores, empresários, patrões e falidos com contas no exterior. Um pandemónio.

Temos que concordar que se tem feito asneiras imensas e grandes. O que era de esperar dada a mediocridade que hoje caracteriza desde os nossos governos, à nossa classe política, na Administração Pública, nas Empresas Públicas e em institutos e fundações que já estiveram para fechar. Mas neste labirinto, onde pululam muitíssimos interesses e gente grada na hora de colocar travão, fecha-se os olhos. Não vá o Beltrano enervar-se. E o Sicrano vingar-se depois.

O desgoverno não é mais que simplesmente o resultado da bandalhice a que chegou o regime.

Os políticos, ao invés de terem lições de ética e moral, aprendem a astúcia de enganar, mentem constantemente. Enquanto se assiste à tragédia de suicídios e depressões, outras desgraças entre os que confiaram as suas poupanças nos Bancos, os banqueiros continuam ricos e com uma vida à parte. Nada preocupa esses homens da Banca que réplicas modernas dos guerreiros de Esparta aconselham mesmo o que caiu em desgraça a dormir debaixo da ponte. E não haver quem dê com um varapau nas costelas desses gajos. Se fosse na Bélgica ou na Holanda, quem ia para debaixo da ponte, ou teria de fugir deixando nuvens de pó atrás dos sapatos seria o banqueiro espartano. E seguramente animal.


Exposto tudo isto, e muito mais se podia acrescentar, entende-se perfeitamente o estado em que se encontra o sonho nascido em Abril. E o pior que pode acontecer a uma pessoa ou a um povo é assistir ao assalto despudorado, irresponsável, gratuito, que meia dúzia de saloios esclarecidos, ou convencidos disso, fazem ao seu sonho mais belo. Que está entranhado, pelo corpo fora até à alma.

Geralmente quando morre o sonho o ser humano cai, deixa de viver, e simplesmente existe. Logicamente que para a classe dominante o que contam são as estatísticas, as metas, os objectivos, se a pessoa vive ou existe, não conta. É tudo igual.

E, infelizmente quando um povo somente existe não há nem governo, nem europas, nem produtividade, nem progressos, que possam despertar forças, acordar gente, mobilizar o povo. Instala-se a indiferença. As pessoas encolhem os ombros. Estão cansadas de idiotas e de ser enganadas. E deixam-se ficar a ver a procissão passar.

Portugal está velho, muito envelhecido, sendo preocupante que existe gente nova já com sintomas de envelhecimento precoce. As pessoas estão cansadas, desmotivadas, deprimidas, não possuem ideais, não acreditam no amanhã, e sabem que o que virá a seguir será como a experiência cruelmente demonstra, mais um pulo para pior.


Recordo que os Romanos diziam dos Lusitanos que eram um povo que não governava nem se deixava governar. Herdámos isso? Esta-nos no sangue? Como uma maldição? E um jornal inglês no séc. XIX descrevia Portugal como a Turquia é impossível adquirir civilização. Pobre povo, que sempre mostrou caminhos ao mundo quando teve HOMENS ao leme da nau. Se, Eles andou à deriva.

Há 2000 anos ou há dois séculos parece que mantemos a tão desejada estabilidade. E continuamos hoje provavelmente sendo o país mais estável do mundo. Que pena não nos deixarmos governar. Aqui é jogo branco.


Fotos by Pedro Alcobia da Cruz, na Livraria Lello, na cidade do Porto (Oporto), considerada uma das 10 mais bonitas do mundo.





24 abril 2016

VÊ, OU SIMPLESMENTE OLHA SEM VER?


JÁ PROCUROU ME VER COM SEUS OLHOS?




O povo tem sabedoria que provêm de conhecimentos pragmáticos que passaram de geração em geração.
Raramente um ditado popular não assenta em algo de verdade.

Para reflectir:

As pessoas emprenham pelos ouvidos




Quando tomamos decisões baseadas em comentários de outras pessoas arriscamos a fazer simplesmente o que o outro quer que nós façamos.

Seremos injustos se agirmos por outrém que cobardemente se esconde por detrás da falsidade, que tem ideia de vingança, que busca provocar danos

E tão ladrão é o que fica à porta como que assalta a casa.

Ambos, o cobarde que agita na sombra, intriga, semeia o mal, e o tolo irresponsável que não usa sua cabeça e que executa, fere, ataca e prejudica à toa, encontrarão o momento do castigo.

DEUS NÃO DORME, E TUDO SE ACABA POR PAGAR...

ALDEIA DE PEDRA - (Pia do Urso, Fátima)


PIA DO URSO - FÁTIMA


Deambulando por aí, só, pulverizado por milhentos espíritos e sentimentos que se entrecruzam, descobri muito pertinho de Fátima, esta pequena povoação que virou turística, mas não de massas, entre pinheiros e eucaliptais, e depois de percorrer uma estrada serpenteada não muito convidativa.


Na minha solidão foi como que encontrar um chamariz num pequeno mundo que parecia tão escondido e desolado como eu. Ali tudo parecia virado do avesso, tornando sedutor sentir que entre pedras, e mais pedras, as casas são todas feitas de pedras como há muito se não fazem, ainda restariam amálgamas de tantas outras coisas velhas que o homem deveria ter orgulho em voltar a edificar.


Confesso que fiquei maravilhado percorrendo meia dúzia de ruelas, onde casas novas feitas de modo antigo emprestavam ao local um toque de mágica, como se num ataque de bebedeira o desgraçado, vítima de irresponsabilidades, atordoado pelos excessos imaginasse toldadas visões do tempo dos seu avós.


É que senti-me embriagado de espanto. Existia ali uma calmaria, uma serenidade, uma beleza natural de frondosas árvores e campo envolvendo o casario, que imaginei tratar-se de algo que se tem e onde se vai, mas, porventura, onde se não permanece no quotidiano.


Senti que tudo aquilo era como se fosse eu mesmo. Uma coisa esquecida, solitária, que todos podem ir ver, está por ali, eu também, e naquela expressão de belo, talvez pelo retorno que nos obriga a fazer ao passado que muitos nunca conheceram ou sequer imaginaram, acaba por possuir como que encanto impregnado de cousas que não existem, fantasmas, relíquias, saudades, tristezas e recordações.


Cada casa possuí o seu cunho, a sua individualidade, nada ali é igual, traduzindo também que a igualdade é algo muito difícel de encontrar, pois como nós, os homens, também nascemos logo diferentes uns dos outros, tivemos educações e crescimentos diferenciados, caminhámos por vias distintas até chegarmos à idade adulta, e depois disso cada qual, seguiu seu caminho, sendo o mais vulgar, o que obedece aos ditâmes de Cristo, "crescei e multiplicai-vos". Assim cresceu cada casinha. Umas mais singelas, outras mais altaneiras, umas mostrando pedra mas parecendo inspiradas no nosso tempo frente a outras que no mesmo material nos levam a tempos que há muito desapareceram.


Como tudo ali é diferente dos imóveis sem fim, que parecem atingir o céu, ou gaiolas sobrepostas constituindo mostras de arquitectura audaz, moderna e até provocante. O que se mostrs hoje, pululando nas aveinidas das nossas cidades é como que um desafio, o homem procurando chegar cada vez mais alto, ser mais forte, ganhar em beleza, em brilho. E, para que essas torres onde centenas ou milhares de pessoas se cruzam todos os dias sem se conhcer, sem se cumprimentar, sem um bom dia, não podemos descurar os enormes espaços que são cavados em profundidade. Tecnicamente são alicerces e são utilidades ocultas, como armazéns e garagens, onde já não existe, pois se não vê, a ostentação, o desafio às intempéries, a captação do interesse e dos olhares para algo que possa apelidar-se de arte. Tal como nos homens de hoje. Similar. Curioso.



De facto fez-me meditar tudo isso, a tristeza, a simplidade, a dureza, a resistência, a solidão, que pareciam envolver todas aquelas casinhas de pedra. Ali, tão perto da civilização, a um pulo da modernidade, parados no tempo. Hoje, dar uma volta pela Pia do Urso e tirar umas fotos pode ser uma incursão peculiar, curiosa, como se de repente surgisse do nada um conjunto de películas encontradas no baú do sótão lá de casa dos avós. E alegremente vamos fotografando, podemos filmar, e guardamos tudo nos cartões de memória, no computador, numa gaveta, depois de mostrar-mos aos amigos e familiares. 


Como admito apenas ter conseguido na minha incipiente vida fazer muitas vezes, mais ou menos bem, com persistência, e mesmo tentando ir além, perscrutar teimosamente no possível e no vedado ao conhecimento  (o que é normal dada a minha falta de conhecimentos académicos), ir a fundo, acreditei que o que me faltava como alicerce técnico-científico, não podia permitir a veleidade de me considerar um filósofo, isto é, diz quem sabe, um amigo do saber. E concretamente o meu saber é exactamente igual à característica dos bens na economia, que alguns consideram ciência, é escasso. Não sou erudito, não intelectual, não sou filósofo, e podia até nem ser nada. Mas sou, descobri isso de um modo parecido com um antigo que saiu de casa nu gritando "eureka". Lógico que nem imagino o que tal palavrão significa, mas que o homenzinho devia ser doido varrido não me restam dúvidas. E foi precisamente a pensar na figura do homem rua abaixo em pelota que percebi claramente no grupo de perigosos indivíduos me encaixava perfeitamente; eu afinal não era nada dessas coisas com Diplomas, certificados e títulos, não, sem dúvida, o que eu era e sou é PENSADOR.



Interessante. Canso-me imenso, e já descobri a causa, penso que me farto. Sou uma verdadeira formiguinha, mas sem inverno, pois não tenho época de descanso ou de usufruir do trabalho despendido, e penso, penso, penso. E volto a pensar. Isso aconteceu-me na Pia do Urso, quando olhava aquele casario e procurava razões racionais para o homem de hoje fazer coisas de ontem, quando o próprio homem, e em maior grau que a construção, tem sofrido mais metamorfoses ao longo dos tempos.


Meditei - penso que tem um significado parecido de pensar - e não coloca em perigo o meu novo ser pensante, e elaborei uma planificação a seguir para dar às minhas conclusões um conteúdo em nada diferente daquele que os revolucionários (no sentido de mudança e não de explosão) impuseram e vieram a alterar o rumo do mundo. Primeiro deveria confrontar todas e cada uma dessas casas de pedra comigo mesmo. E só depois de ter dado passos decisivos em tal matéria poderia minimizando os riscos, executar uma segunda fase de confronto ou similitude, ou o que quer que fosse, entre aquela descoberta de uma aldeia por defenir em bom rigor se é velha, é nova imitando coisa antiga, ou um embrulho de tudo isso para dificultar os estudos. Mas arranquei, como sempre, lançando nuvens de pó atrás dos sapatos,  com os pensamentos já encavalitados na cabeça.



Depois de muito pensar, coisa que eu creio é vedado a muitos humanos, cheguei à primeira conclusão vibrante que faz lei universal. Aquelas casas não foram ali colocadas para simplesmente se olhar, tirar fotos, ou contar aos compadres, aquelas casas, onde deduzo em algumas alturas do ano, ou fins de semanas e férias se encontram seus proprietários mais que uma exposição física - que também existe - são um mostruário, uma montra, dissimulada, pois nem todos conseguem discernir o nos pretendem dizer e ensinar, das mudanças operadas no ser humano. Aquelas casas mostram pedras, mas as pedras ali colocadas por homens explicam como os materiais foram substituídos. E a bem dizer, às casa de pedra corresponde um homem de pedra, e as torres coloridas, altas, brilhantes, coloridas, vaidosas, corresponde o homem de hoje. Aqui reside a grande lição da Pia do Urso. Vamos analisar em seguida:



O homem que construía aquelas casas em tempos esquecidos era um ser que se unia à terra, se realizava nela, e nela buscava o pão, ensinava os filhos, os via crescer apascentando animais ou cuidando da horta, comia o pão que a mulher tirava do forno depois de amassar a farinha comprada no moleiro, e se alimentavam do que a terra dava. Pouco possuíam, o gado quando havia, ficava na loja, piso térreo, assim aquecia a casa nos intermináveis invernos, cantavam nos campos, havia alegria e desgarradas nas descamisadas (tirar as cascas ou camisas ao milho), ao domingo iam à Igreja e descansavam. O homem era duro, era forte, era uma máquina de músculos lavrando a terra com a junta de bois ou com a mula, cavando as terras, cortando a lenha, e fazendo os trabalhos agrícolas de acordo com as épocas. Começava o dia ao nascer do sol e quando o sol caía já a família dormia de novo. Os problemas entre homens podiam resolver-se a pau, briga rija, que não impedia se uma desgraça acontecesse ao vizinho não fosse imediatamente socorrido e as querelas esquecidas. Havia uma são harmonia entre os elementos, havia o valor da palavra, honradez, humildade. A natureza, o homem e Deus harmonicamente envolviam  o homem, que na hora da morte, ao lado do padre, tinha a família e os vizinhos.



Ao contrário do homem que construía casas de pedra, o homem de hoje é o homem das torres, tal e qual, desconhece a terra, as diversas plantas, nunca montou uma mula,  nem apascentou um rebanho de cabras, mas conhece coisas inimagináveis para os nossos antepassados. Desde levar horas a mexer em aparelhos de comunicações, nada comunicando - hoje as pessoas não falam - mas vendo ilusões, brincando com bonecos, jogando com fantasias, ele está ligado aos centros comerciais, às compras, à posse, quer ter todo o mundo e mais alguma coisa dentro de casa. E o pai e a mãe, que deveriam juntos levar os filhos a ser gente, puxa cada um para seu lado, no trabalho, nos divertimentos, nos tempos livres, na corrida desenfreada de dias sempre iguais de corrida em corrida. Esperam o fim do mês para pagarem contas, estão empenhados a Bancos que ninguém sabe bem de quem são, desacreditaram na força dos valores espirituais, não valorizam a palavra, não conhecem o vizinho nem sentem absolutamente nada se lhe aconteceu alguma tragédia, levam a vida com subtilezas, essa é a parte oculta das torres, em que abaixo do pescoço é canela, vendem-se barato, apunhalam amigos e colegas para retirar dividendos, vivem num amontoado de leis que só alguns têm de cumprir, e violam regras, desconhecem a ética e a moral, é a lei da selva. A corrupção e o modo como vivem acaba calando e envergonhando os seres sérios. Como na Bolsa a seriedade não tem cotação, a lealdade é para cão, e o crime compensa. O homem de hoje é exactamente o homem das torres, não do arranha-céus, pois desconhecem e provocam cada dia o divino e ignoram seus mandamentos, mas por fora se cuidam, se banham, cheiram bem, vestem melhor, têm belos carros, estatuto social, vaidade q.b., e desprezam quem sofre, quem nada tem, e por detrás de todo esse invólucro, nem vale a pena retocar, fede, o que vem das caves, ali existe muito lixo, muita sujeira.




Por fim, fica a questão essencial que o meu pensamento buscou descortinar; qual a ligação entre aquelas casas feitas como noutros tempos, e eu, enquanto ser humano, enquanto pessoa. E percebi que não estava visitando algo para o mundo ir ver, mas um espelho para alguns homens se olharem;
vi naquele local ermo, entre os silêncios e a solidão, que também estou só, que mesmo que fale não me querem ouvir, e percebi que por ter tentado manter alguns valores hoje caídos em desuso, posso olhar cada manhã no espelho sem sentir vergonha, mas perdi amigos, perdi família, desapeguei-me do mundo de hoje. Vivo num tempo que necessariamente não pode ser o meu, ainda luto, sem que seja compreendido e respeitado, pela força da razão, não faço jogos dissimulados e nunca atraçoei um amigo. Ao contrário fiz inimigos defendendo pessoas. E como pareci aos olhos dos cobardes de hoje que não lutam de pau na mão, mas com vilania, sujeira, sem olhar a meios, fui muitas vezes atacado.
Mas como aquelas casas de pedra não mudei, teimosamente continuo a lutar, a procurar apoiar a minha solidão, encostando em valores esquecidos. Confesso que vivi, mas ainda permaneço, e espero a morte com serena tranquilidade, pois cada dia penso, por isso sou pensador, e por cada pecado, sou imperfeito, peço a Deus que me perdoe, e procuro levar uma vida sem atropelar ninguém.


Foi lá, na Pia do Urso que descobri o que sou verdadeiramente - um pensador - de resto, analisando tudo o que fiz e não fiz, nada tenho a enunciar que me distinga, excepto a teimosa fúria que o meu livre pensamento me impôs de lutar sempre pelo que acho justo. Pela verdade. E por mim.