25 fevereiro 2012

Sonhos, delírios e desejos...




Enquanto a minha estrelinha num qualquer lugar do mundo te obeserva em cada noite, olha para ti, vê-te ali ao seu lado e pode tranquilamente desfrutar de tudo o que de belo ofereces, eu, aqui longe de tudo, afogado nas sombras das noites frias de um inverno agreste, sinto mais pesada a solidão, e mais duro o abandono a que estou condenado desde há muito tempo.

Resta-me, e sempre que posso me embriago nele, me atiro totalmente para esse remoinho de sensações e fantasias, o sonho delirante de sem te ter, te sentir, sem te tocar ser invadido pelo teu calor, sem te olhar, ver a tua cara, o teu sorriso, o teu olhar, a embaladora e inebriante maravilha de um corpo lindo que se me oferece.

É o que tenho de ti. Imagens difusas, vagas, um corpo irreal e quente irradiando desejos e paixões que me invadem descontroladamente, provocando em mim que me perca de todo, do que é real, do mundo, do ser e do estar, de tudo.

Tenho de ti, ao mesmo tempo que a minha estrela te olha e te sente, a projecção pouco nítida de um rosto que me sorri, de uns braços estendidos, de um colo arfando entre uma respiração ofegante e um chamamento à perdição que me deixa sem tino, sem racionalidade, sem saber de nada, nem de mim, apenas te olhando, desvairado, louco, sedento de amor.

Olho no vazio e vejo que estás, não como a estrelinha minha te vê, que és tu, de facto, ali, ao seu lado, descansando, respirando, tranquila e em paz, mas como esse amor que se liberta das entranhas do desconhecido e vem a mim, e me chama, e me grita, e qme quer.

Olho entre as sombras da noite gelada, e vejo manchas de desejo, pinceladas de sensualidade, retoques de excitação. Olho toda essa mistura de cores, manchas, sombras, onde te moves, e percebo que estás aí, que vieste até mim, que existes, que sorris e me chamas.

Percebo então, meu amor, que juntos podemos amar-nos, entregar-nos, que vens para mim, e que me ofereces, junto do teu amor, esse corpo magnifico impregnado de desejo e ternura, loucura, que é todo esse amor que temos.

Olho para ti, e entre os sonhos, os delírios e os desejos, tu estás de verdade, comigo, e juntos, os dois, entre as sombras, os silencios, desafiamos com o calor dos nossos corpos a invernia do desassossego, as trevas da solidão, e realizando uma alvorada explosiva e alegre de cor, e calor, unimos os nossos corpos, e fazemos amor.

Em cada noite saltas da escuridão e do nada e te transformas em mulher. A pouco e pouco, na espera e olhando o vazio, vou percebendo que chegas, que vens, que estás, e vais transformando a ausência de vida e cor, na tua imagem, em ti.

E entre os delírios que podem ser sonhos, com todos esses desejos que tenho de ti, estar contigo, olhar o teu corpo, ver-te sorrir, é um renascimento maravilhoso, em cada momento em que te vejo. Aqui, entre sombras e vazios, te olho, vejo-te, e sinto transformar-se em harmonia, o que era antes solidão e tristeza.





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