20 janeiro 2012

Ter um amigo é algo maravilhoso




1. Nem sempre o que parece duradoiro tem capacidade de resistir ao tempo. As adversidades, os interesses, as pequenas coisas que nos fazem revelar a nossa medíocre mesquinhez, o canto da sereia, as ilusões, os enganos, tudo isso corrói ou não deixa mesmo que se estabeleçam relacionamentos fecundos e elos fortes, que possam por isso garantir ou resistir a tudo isso que o tempo trás.

Pequenos nadas fazem-nos colocar à frente a insignificância que num certo momento é tentadora face a valores e princípios que sem nos apercebermos, deixamos para trás, fazendo com que uma aparente vitória sem qualquer importância se venha a revelar um castelo de areia, e o que perdemos, possa ser algo irreparável, e dano certo.

Acontece entre pessoas. Na conturbada voracidade dos tempos modernos em que se esquecem a todo o tempo valores morais e princípios éticos, e em que a amizade, a fidelidade, a confiança, são ignorados, acontece frequentemente, por coisas insignificantes, esquecermos o outro, aqueles que amamos, quem nos quer bem, e todos os demais com quem nos cruzamos.

As relações entre pessoas são assim esvaziadas, e o relacionamento torna-se frio, impessoal, ninguém quer saber do outro que está do seu lado, e se sente só, porque pelos mesmos motivos, vai perdendo valor para quem quer que seja.

Olhamos para o nosso umbigo e esquecemos o outro, que nos quer, que vive ao nosso lado, que nos sorri ou saúda em cada dia. Pisamos quem ao nosso lado nos quer dar afecto e respeito. A correr só pensamos no nosso interesse imediato, na nosso ambição, no nosso cantinho, e vamos entre nevoeiros de ilusões, atropelando amigos e quem nos ama, para passada toda essa neblina, olharmos em nosso redor e nos vermos sós.

É uma ilusão correr assim pelo mundo, distraídos, numa correria que nos faz imaginar que tudo é nosso, e os outros são marionetas espalhados um pouco por toda a parte, sem importância nem valor, quando afinal, estar bem com os outros é uma condição essencial para que possamos nos sentir bem, connosco próprios e com os demais, e o mundo, sempre será, afinal, não de um em exclusivo, mas de todos nós.

Pensemos melhor os nossos actos. E, a jeito de um conselho "blogueiro", quem tem alguém que o ama, o trate bem, pois hoje, na conjuntura existente por essa civilização decadente, ter um amigo, é algo maravilhoso. E quase único.







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