27 janeiro 2012

Será que estou perdido...





Será que estou perdido?

Hoje acordei em sobressalto. Ainda reinava o silêncio da noite e a escuridão obstaculizava-me a percepção do mundo real em que vivo, e onde desperto em cada manhã.

Muitas vezes é com os primeiros raios de sol, ou de luz que entra no meu quarto, que dou conta dos contrastes entre um ambiente fantástico em que sou feliz, te tenho, te amo, e onde tudo de belo acontece e é natural, e esta existência rotineira, insípida, monótona, sem cor, nem luz, do quotidiano dos tempos que correm.

Hoje, tudo se antecipou. Tomei consciência, se assim se pode dizer, do real, quando em condições normais ainda me encontraria embalado em doces sonhos, e numa ilusão quimérica de inigualável deleite. Tudo termina normalmente com a chegada da minha estrela, que pontual, divertida e amigavelmente me acorda, ou simplesmente, se deixa ficar silenciosa a meu lado, esperando que desperte.

Como tudo foi diferente esta madrugada. Foi uma tomada de consciência difícil, de uma vida que é de facto a minha, sempre igual, e foi também um desajustado confronto entre essa realidade que teima em me perseguir e a ilusão, onde me perco em cada noite, e onde, posso afiançar, tudo, efectivamente tudo, acontece.

Perdi-me na maior das confusões, desconhecendo, em bom rigor, onde e como posso discernir claramente os limites, entre a sofrida e descolorida existência do dia-a-dia, e a delirante, alegre, e multicolor vivência que encontro quando tudo na terra descansa, a tranquilidade e a calmaria tudo invade. Primeiro existo somente, neste mundo cão de cada dia, no segundo estado eu, posso assegurá-lo, encontro então, a verdadeira vida, que quero, desejo e teimo desfrutar. Onde deixei de existir simplesmente para viver de facto.

Sou feliz de noite quando sonho. Quando estou contigo. Quando o nosso amor é real, é bonito, existe e é lindo, e tem em si, uma incomparável beleza e uma magia sem fim.

Sou feliz quando os meus beijos tocam a tua face, deslizam no teu colo, pulam nos teus braços e percorrem divertidos e apaixonados, aventureiros, tudo o que podem levemente tocar, de ti.

E, nem penso saber, se é aceitavelmente verdade, concretizável, real, que a minha estrelinha te possa um dia transportar do outro lado dos mundos, até mim. Para mim tudo é possível. Tu existes, a minha estrela está à minha beira todos os dias pela manhã e me fala de ti e do nosso amor, e eu, sei que sou feliz, que estou bem, quando nesta nossa enigmática paixão, seguimos juntos num amor que só vai terminar com o fim do mundo.

Hoje, acordei antes de tempo. Encurtando assim todos esses instantes riquíssimos que se vão sucedendo em fantástica doçura e alegria entre nós. Despertei, sem a estrelita a meu lado, sem saber de ti, parecendo duvidar, no confuso crepúsculo, nessa imensa mancha escurecida de um inexistir de tudo.

Hoje, na desorientação, sem qualquer vislumbre de lucidez, senti-me perdido. Sem ti, sem o meu norte, sem a minha estrela, toda a minha verdade se apresentou oca, inexistente, sem qualquer sentido.

Foi um pesado momento de incerteza, de dúvida, de angústia, de medo, envolto em toda aquela escura envolvência de um fim de noite, que invadiu o ânimo e me tolheu a alma. Senti-me perdido, atordoado, desorientado, cambaleando em busca de um equilíbrio inexistente, desconhecendo quem era, e que fazia ali, num despertar semi-consciente, que mais parecia um naufrágio entre tormentas num desconhecido ameaçador.

De repente, ouvi um ligeiro ruído. Olhei de imediato. A meu lado, sorridente, acabada de chegar, lá estava a estrelinha que regressava da sua odisseia a ver a minha princesita num desses mundos perdidos que só ela sabe encontrar. Sorri. Falámos dela. Dos tais beijinhos travessos, irrequietos, que como sempre nunca se cansaram de lhe transmitir os afectos que tenho dentro de mim, e que adoro imaginar tocando o seu corpo.

E ela sorriu...

Foi lindo saber que a minha querida princesa sorriu quando a estrela lhe falou de mim, do meu amor por ela, do meu desejo de me unir a ela, de um dia, ou um só instante nos encontrarmos, e fazermos realidade o mais belo sonho do mundo.

Foi lindo, nesse momento percebi com clareza, que estava em mim, lúcido e coerente, não me encontrava perdido. Afinal tudo era verdade. O amor, eu, a estrela, a princesa, o sonho, o desejo, o delírio, o mundo, tudo. Tudo era verdade. Eu não estava perdido, como chegara a admitir, apenas me desorientara com este acordar hoje de manhã fora de horas, e com a escuridão da noite. Afinal, tudo voltava a estar como sempre, tudo estava bem, e estava seguro que nunca tinha estado perdido.








Fotos tiradas em Castelo de Vide - Alentejo - Portugal (caminho em pedra medieval)


2 comentários:

Dulce B disse...

Olá amigo, adorei este conjunto de belas paisagens e os teus textos, mts parabens, bj.

Ana Simões disse...

Perdido não sei... mas esquecido não:)))
Olá Pedro. Desejo que em tua vida tudo vá bem...
O teu blog está excelente. Um beijinho e o desejo de um bom 2012.
Tua amiga
Ana Simões