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15 janeiro 2012

Não me libertes mais...







Nem sei bem por onde começar... Estou só, comigo mesmo, com a minha costumeira e usual solidão. Mas me pesa mais. Talvez por ser domingo, por estar aqui em casa, um pouco à deriva, olhando os livros sem vontade de ler, tocando no papel sem ânimo para escrever, um pouco paralisado por um frio que foi entrando no corpo e parece tolher a alma. Sinto vontade de me abandonar, juntinho da lareira, e deixar que todo esse calor me anestesie o pensamento, o corpo, e me embale, numa irreal permanência, sem estar nem ser, até que chegue a hora de dormir.

Pensei na estrelinha, ela já faz parte de um mundo meu, essa estrela que todas as noites vai céu fora, desafiando os gelados ventos do norte, e os temporais, para te ver.

Esta manhã, ela sempre me acorda e me fala de ti, meditei eu, ao acordar, não tenho nem ideia do que possa ter acontecido, não apareceu. Não me deu as matinais notícias tuas. Não apareceu simplesmente.

Não imagino o que pode acontecer a uma estrela desvairada e atrevida que partindo para cumprir a sua tradicional missão de ir ao outro lado do mar, não regressa, não dá contas de nada, desaparecendo, rigorosamente entre milhões de pontinhos de luz, na imensidão dos céus. É tão estranho. Sinto-me em baixo. Queria tanto ter novas do meu amor, saber de ti, levantar-me da cama e sair ao mundo e à vida, como tantas vezes, audaz, temerário mesmo, cheio de energia e coragem por que te sei bem, porque adivinho, nesse sorriso que a estrelinha descobre na tua face, que estás feliz, e que talvez me penses nesse teu sono tranquilo.

As dúvidas inquinam os sonhos, e estou derreado, tenho uma paralisia que me toma o corpo e o espírito. Não saber de ti, sentir que estás mais distante, que podes ter ido, que não estás... Dilacera-me o coração tudo o que pode acontecer.

A minha razão bombardeia-me com milhentos argumentos justificando possíveis motivos para a estrelinha não ter regressado a tempo e assim, estar privado do doce elixir que é imaginar-te, tal qual me conta a estrelinha, isto é, maravilhosamente bela, e feliz.

Mas o coração, que "tem razões que a própria razão desconhece" está tenso, tem um bater que não é normal, está fraco, sem ritmo, descontrolado, receoso, ora pulando, se desatino, ora parecendo querer parar.

Hoje a minha estrelinha não veio me contar como estás...

E eu sinto saudade, essa saudade tão intensa que nem sei o que escrever, nem onde estar.

Hoje, em bom rigor, queria estar ao teu lado, olhar-te e ser eu mesmo a dizer-te:

- Estou aqui amor, estou aqui. Voei no meu aviãozinho de papel desde meu mundo para encontrar-te e me entregar a ti. Cheguei, minha querida, abre-me esses braços, dá-me o teu calor. Quero ficar contigo e não partir nunca mais.

Abraça-me, agarra-me, por favor, e não me libertes mais. Quero ficar aqui...










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