12 janeiro 2012

Hoje a minha estrelinha voltou...triste





Hoje, a minha estrelinha voltou da sua volta pelo mundo um pouco silenciosa, talvez triste, de um modo que me fez sentir de imediato que algo menos feliz tinha acontecido. Me abordou de um modo tímido, quando todas as manhãs me acorda em alvoroço, entre silêncios, quando adora cantarolar, e sem as costumeiras piruetas, cambalhotas, veio junto de mim, me olhou e se sentou a meu lado na cama.

- Não digas nada... sinto que não tens boas notícias para mim, descansa, tens muito tempo para me contares o que se passou na tua viagem pelos céus em busca da nossa princesinha. Descansa. - E assim foi, a estrelinha que useiramente se apresentava cheia de luminosos coloridos brilhantes, parecia pálida, mostrando uma luz quebradiça em sem força.

"Fui, como sempre amigo Pedro, fui voando entre outras estrelas, umas vezes pelo alto, outras fugindo de maus ventos arrisquei voos rasantes junto ao mar. Fui, ia como sempre dando o máximo de mim, velocidade, ligeireza, habilidade, e foi rápido, enquanto cheguei. A porta estava meio aberta, existia no quarto uma claridade suave, que a lua e as estrelas deixavam aí, de modo que pude ver a tua princesita.

Estava linda. Como sempre, Ela é muito linda. Estava a dormir. Parecia um dormir tranquilo. E como sempre voei em seu redor, pude ver os reflexos de minhas luzinhas no seu rosto, e me fui pousar a seu lado, tudo como sempre, serenamente, com muita suavidade para a não acordar.

Disse-lhe baixinho que tu lhe enviavas muitos beijinhos, e os soltei. Soltos, os teus beijinhos atacaram com muita ternura cada ponto livre de pele. E com doçura e aquela ternura de cada noite, a beijavam. Muitos beijinhos recebeu. E os beijitos estavam empenhados vigorosamente em a tocarem deliciosamente. Eu, de acordo com tuas orientações cheguei ao seu ouvido e lhe disse, como me disseste:

- Princesita, estou de novo à tua beira, não me esqueço de ti, estou contigo e te quero muito. Creio que estou muito enamorado. Sinto por ti muito afecto, muita ternura, muito amor. E fui dizendo sempre tudo isso que conheço bem em ti, que sentes por ela.

E a cada palavra, a cada tumulto de beijinhos que tocavam nela olhava seu rosto esperando sentir ou ver um sinal. Esperava algo para te dizer, sempre fico feliz de dizer-te coisas boas. Algo feliz. Mas desta vez, ao contrário das outras noites, a tua princesinha não sorriu, o seu rosto não mostrava alegria nem contentamento, e num dado momento, que surpreendeu mesmo os teus simpáticos e ternos beijinhos, voltou-se na cama para o outro lado, e se cobriu com os lençóis.

Os beijinhos estremeceram e se retiraram confusos e tristes. Eu, senti em mim, como se o mundo estivesse a acabar, e assistisse em directo ao fim de tudo. Saímos em silêncio, e regressámos. Tudo sem nos sentirmos bem, tudo numa escuridão e frieza imensa.

E aqui estamos. Contigo. Pelo menos não te voltamos as costas e estamos aqui. Ânimo Pedro. O mundo ainda não terminou, nem deixes que os sonhos deixem de fazer-nos voar. Um bom dia amigo."

Me senti só, abandonado, triste, tão triste e vazio, que tapei minha cabeça de novo e desejei não acordar nunca. E, por muito tempo fiquei, só, mais pobre, não sabendo de nada, nem de mim, nem do futuro. Fiquei de novo só.







Sem comentários: