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13 fevereiro 2011

Transfrontera: uma aventura de loucos...

Deambulando pelo meu album de fotografias deparei-me com um vasto conjunto de fotos sob o nome de "transfrontera". Arrepiei-me... Por um lado senti saudades, é sempre bom recordar feitos que muitas vezes realizamos, mesmo se, irresponsavelmente, não estamos preparados para os realizar, e dessa estouvada decisão, decorrem, inevitavelmente, consequências pouco agradáveis. Senti também um certo sofrimento, a lembrança de algo penoso, sofrido, desgastante, muito cansativo e muito doloroso.


Transfrontera... em 2009, mês de Abril, uma ventura de caminhar entre serras e ribeiros, terras e pedras, muito pó, na arraia espanhola, ali para os lados da fronteira de Marvão, cerca de trinta quilómetros bem perto do céu e de muita narureza, horizontes longínquos, neblinas primeiro e depois calor, muito que caminhar, para depois da cruzada, receber como herói um Diploma certificando a proeza.


Fui convidado por um grupo de amigos naturais dessa região vizinha de "nuestros hermanos". Eles praticavam esse salutar desporto que é caminhar pelas veredas da região, em plenas serras e recebendo a benção de um ar puro que nos garante saúde e bem estar, e mesmo algumas vezes, na companhia dos castelhanos, em terras lusas ou mesmo espanholas. Eu não. Sabia que havia gente meia louca que passava horas caminhando, esquecendo essa memorável conquista que foi a motorização dos meios de transporte, dando, se assim bem se pode dizer, cabo do corpo, a bem da saúde, o que no mínimo parece um paradoxo.

Quem se mete em loucas avarias, já se sabe, pode acabar em desnorte. Foi o que aconteceu, depois de meia dúzia de horas a caminhar por serras e caminhos de cabras, depois de muito tempo sem ver ninguém (quando nessa caminhada participavam centenas de pessoas)concluímos, e bem, que estariamos perdidos. E estávamos. Voltámos para trás, mais um ror de quilómetros, e virando no local adequado, deficientemente assinalado, lá voltámos à corrida, mais mortos que vivos, arrastando-nos, em grandes dificuldades até ao fim da aventura.



Comecámos cedinho, que de manhã é que se começa o dia. Ainda fazia frio, viam-se ao longe as neblinas, os grupos imensos de gente, já que a partida não foi dada em simultâneo, marcavem os caminhos até perder de vista. Havia de tudo ali naqueles caminhos serranos, gente jovem alegre e brincalhona, namorados que aproveitavem a empresa para estar junto e treinar o caminhar de mão dada, gente adulta, responsável, chefes de familia e donas de casa, e mesmo, afoita, gente mais entradota nos anos. Cada um daria até poder que as autoridades espanholas garantiam em certos pontos do percurso transportes alternativos e assitência aos necessitados.


Como amante de fazer fotografia que sou, entretia-me aqui e acolá disparando com a minha maquineta dos retratos. O que destoava com a fúria generalizada que possuía aquelas pessoas de caminhar, caminhar sempre, sem parar, com ritmo, com energia, teimosamente. Claro que eu, depois de meia dúzia de disparos, já londe dos amigos, tinha de acelerar atabalhoadamente, naqueles pisos de meter medo e respeito, para os apanhar.


Fui-me cansando, sentindo um bater desordenado no meu coração. A certa altura o prazer de um passeio com os amigos, em terras estranhas e de outro povo, começava a revelar-se algo desgastante, sacrifício mesmo. E o pior é que a sofreguidão de fazer tudo e chegar à meta, parecia ter tomado todos de um modo pouco razoável. Eu que estava ali para me divertir, tirar fotos, estar com os outros, treinar um pouco o meu fraco espanhol, sentia-me metido em trabalhos esforçados, num ritmo de fuga, de corrida, que nem me deixava já, nem tirar fotos, pois perdia muito terreno para os meus companheiros, nem saborear as paisagens imensas, e lindas que se estendiam ao longo do percurso.


Poucos quilómetros andados, e em grandes dificuldades para acompanhar os meus entusiasmados amigos portugueses, fiquei em delírio quando descobri, mais lento um outro grupo que os meus camaradas de caminho se preparavam para ultrapassar, onde estava gente que eu por acaso conhecia de um convívio que tempos antes fizera também na zona fronteiriça. Foi a sorte grande, educadamente cumprimentei quem conhecia, e claro, já sem animo nem pedalada, deixei abalar os meus, e contente por não ficar só, deixei-me ficar com aquele curioso grupo onde, parecendo uma mini união europeia, seguiam espanhóis, um italiano e uma senhora inglesa.


Nem um terço da caminhada estava realizada quando me juntei àquele curioso grupo onde, uns mais jovens ian divertidissimos, o que é natural naquela idade, e os demais seguiam paulatinamnte, conversando, parando aqui e ali, o que deu para que sem atropelos nem riscos, fosse de novo, tirando novas fotos.


E lá fomos. Parámos aos 10 quilómetros, onde havia uma zona de assitencia, aí estivemos algum tempo, bebemos águas, senta´mos-nos um pouco à sombra. o sol começaca a castigar. E depois, mais animados, arrancámos para nova etapa de diferentes no percurso, mas iguais na distancia, novos 10 quilómetros.


Na verdade eu lá seguia aproveitando a boa disposição do grupo e a sua mais que notória indiferença com o tempo a realizar. Queriam passar, como eu, um bom bocado, divertir-se, e tirando partida da natureaza e do ar do campo, desfrutar de algo benéfico para a saúde humana.


Chegámos ao segundo ponto de assistencia aos 20 quilometros, - sendo certo que eu, que já não podia com uma gata pelo rabo, - aparentemente capazes de fazer o que ainda faltava para a conclusão do feito e o recebimento, como recompensa, do maravilhoso Diploma para colocar em quadro na parede do escritório lá de casa.



E lá fomos sempre andando. Casa vez com mais calor, mais suor, mais cansaço, mas sempre seguindo cada um melhor ou pior de acordo com a sua afoiteza e resistencia. As conversas diminuiam, o sofrimento ia chegando a cada um. Mas era só mais um bocadinho. Nada demais.


O grupo que entretanto diminuira de número, dado que uns naturais e residentes da zona abandonaram numa pequena povoação que atravessámos, seguia ainda, cansado, teimoso. Eu confesso, já não podia dos pés e começaba-me a doer perigosamente quase tudo, pernas, barriga, eu sei lá o que no meio daquela irrefletida aventura não dava queixas.


A dado momento, cansado, desorientado, dorido, num estado deplorável já dizia à senhorita espanhola que tinha sérias dúvidas no percurso. Em boa verdade há demasiado tempo já não viamos ninguém pelos caminhos. è verdade que poderiamos ser dos últimos, mas estranhava não ver marcas nos caminhos, nada ouvir, nem ver na mirada mais longe, quando a paisagem nos possibilitava olhar à distancia. Nada.


Depois de muito andarmos - já só seguiamos eu a senhora espanhola e um casal de espanhóis - parámos num cruzamento de quatro caminhos, sem qualquer indicação de sentido, sem nada, perdidos. Eu sentei-me à beira do caminho e sentia os meus pés miseráveis, sentia um mal estar tremendo, parecia que a quelauer momento rebentaria.


Eu, jurava que dali ninguém me tirava, que chamássem uma ambulância ou o Jeep da Guardia Civil. Eis que ouvimos um motor que se aproximava. Sorte nossa duas senhoras num carro vinham ali, direito, a ter connosco. Explicámos a situação, que estávamos perdidos sem saber dali que caminho tomar. Um desnorte.


As senhoras do carro quando perceberam que pertenciamos à malta do Transfrontera logo nos explicaram que nada daquela caminhada era por ali. Nós deviamos ter seguido um outro caminho muito atrás. Muitos quilómetros antes, pouco depois da povoação onde tinhamos deixado os nossos anteriores companheiros. Estavamos perdidos, inhamos de voltar para trás.


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