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24 fevereiro 2011

Apaixonei-me por uma mineirinha



Encontrei uma mineirinha... e me apaixonei

A história mirabolante da minha desatinada vida
Levou-me vogando na minha nau vagabunda
A todos os portos da terra e ilhas que o mar tem
Em busca de sonhos, de aventuras, e de amores
Num atabalhoado rodopio entre ondas
Aos saltos de tempestade em bonança
E sempre no leme, em pé, em frente, andei.

E encontrei um dia do outro lado do mundo
Em terras de calor sem fim e sol bem alto
Uma mineirinha, linda, terna, simpática
Que imaginei de olhar meigo e pedindo carinhos
Doce o bastante para a querer beijar, e ter,
Frágil quanto baste, para a querer proteger
A tornei sem que por isso desse conta
A mais linda coisa que o meu ser podia sonhar

Deixei a nau das descobertas e das procuras
Ancorada no porto seguro da minha paixão
E fui, pé ante pé, passo a passo, recebendo em mim
Tudo que era seu, dessa mimeirinha de encantar
E que sentia cada vez ser mais minha, entrar
Suave e paulatinamente dentro de do meu ser
Tornando, desse seu jeito esquivo mas bela
O mais belo sonho da minha existencia

Passeámos juntos, lado a lado, junto ao mar
Deixando marcas de pés na areia fina e branca
Enquanto sentia que tinha de dar tudo, dar-me
Ser coisa sua, entregar-me a ela, mineirinha,
Que fora vítima, sofrera, sangrava, estava frágil
Não sorria, estava tímida, esquecia seus dramas
Numa entrega desenfreada a mil riscos
Como se da odisseia, resultasse a quietude

Quanto mais sentia o quanto o coração seu
Estava fraco, batendo desordenada e comprimido,
Mais queria eu que fosse para ela um ancoradouro
Que eu me tornasse em força, em baía, em anjo
E lhe pudesse dar primeiro a esperança e o alento
Quebrasse as amarras e fosse grito de revolta
Liberdade, coragem, e depois de tudo, à solta
Pudesse entregar e ela um amor profundo

Até que um dia, depois de crer na beleza de um sonho
Que em cada momento em real se metamorfaseava
Sendo lindo, sendo delírio, sendo alegria e vida,
Ouvi da boca da mineirinha, "eu amo você"
E foi a revolução completa, dos corpos celestes, da terra,
Dos mares e dos céus, das aves nos ares, dos ventos,
Foi a concretização objectiva da coisa mais louca
Que alguma vez pude crer, e era minha, essa luz

E em cada instante fui fazendo da minha felicidade
Um paraíso encantado, cheio de luz e cor, de magia
Enquanto vivia essa novidade, e me dedicava todo
Desde o nascer do dia, ao anoitecer, e mesmo na noite
A essa mineirinha que me tinha seduzido
E de quem já não pensava poder fugir

Era ela, sem dúvida, o calor que necessitava em cada dia
O sol que me iluminava, a lua que me fazia sonhar
O vento cantando canções suaves de harmonia imensa
E fui embalado naquele "eu amo você", me entregando
Feliz, me auto alimentando de animo, e de ilusão,
Tentando dar força, estar junto, esperar, entendendo
Que a minha mineirinha, depois de vicissitudes tantas
Precisava mais de carinho e apoio, que de beijos.

E fui, entre a quimera de um enamoramento lindo,
E a certeza de um sentimento belo cada vez maior,
Fui me entregando, a procurando, tentando, dar
E ser alguém de confiança, seguro, apoio certo
Enquanto divagava em sobressaltos de amor
Feliz da vida, assente na terra, enamorado, feliz
E cada vez a queria mais, a julgando minha

Até que um dia, foi ela mesma, me falando de si
E do seu mundo, das suas coisas, de seus segredos
Me fez perceber que esse seu terno "eu amo você"
Não era mais que um conjunto oco e vazio de palavras
Que a mineirinha dedicava a todos e quaisquer
Que circulando em seu redor a tratavam bem
Lhe eram simpáticos ou divertidos, amigos, muitos.

Chamou mesmo de amor, em um arauto lido
Entre uma multidão de gente em dia de romaria
A um descabelado infiel, a um turco, de turbante,
E juntando à frase, em jeito de dedicação e gentileza
Lhe ofertou símbolos pagãos, simbolizando o amor
Beijos, corações, abraços, e tudo justificando
Em nome de uma loucura que o otomano possuía
E a encantava, já que, aloucada, também se achava
Uma mineirinha desconfiada e sem tino.

Voltei à minha nau, abatido, de olhos molhados
Largei amarrras, e parti à toa sem qualquer destino
Não procurando o fim mas não temendo a morte
Procurando entre a escuridão dum céu sem luz
E um cinzentismo que se apossara da minha alma
Esquecer, deixar de pensar, perder-me
Nunca mais dar com nada, esvaír-me todo,
Até que porfim, um dia, possa caminhar de novo
Sem a ilusão da mineirinha, e o doce engano
De um "eu amo você" que nunca foi meu

Pedro Alcobia da Cruz, 2011/02/24



1 comentário:

BlackStorm disse...

A mineirinha te ama mas tem medo deste sentimento As feridas estão muito abertas ainda e voce conhece os motivos de tanta dor