27 fevereiro 2011

E se de repente a quiser amar?



e se de repente lhe pedirem um beijo
lhe disserem que a desejam
(mesmo sem a conhecer)
que lhe querem fazer caricias
sentir seu calor olhar seu corpo

se de repente, lhe disserem
te amo amor
te quero
entregue-se a mim
que eu não posso fazê-lo por ninguém
pela simples razão que já sou seu
em sonhos
em delírios
em noites sem dormir
em chamas que devoram cá dentro
em tudo
que sou eu
e hé em mim

e se de repente lhe oferecerem tudo
partindo de um nada
de um vazio
lhe disserem
sem seu calor
não há vida
sem seu olhar não há esperança
sem sua ternura só a escuridão
de um qualquer catapultado
quadradinho tão escuro
como o negro mais negro

e se de repente lhe disserem
quero amá-la, a sua imagem
o que representa
os seus olhos, os seus beijos
acariciá-la a olhando
sentindo sua sensualidade
perdendo-me nos seus seios
na sua pele
na entrega
num querer que devora

e se de repente a quiser amar?



Vou partir, em busca dos sonhos




Vou partir...
...Em busca dos sonhos
Que nasceram em mim
De um dia sair ao mar
E navegar até ti
Que estás, princesa
No outro lado do mundo

Vou partir...
... procurando delícias
Que me alimentam
E me dão energia e vida
E que trazes contigo
Nos teus beijos
No calor dos teus abraços

Vou partir...
...Numa hora qualquer
De um dia com ou sem sol
Rumo a ti praia iluminada
Onde passeias junto ás ondas
Transportando essa ternura
Que tanto me deixa louco

Vou partir...
... Não resisto ao teu olhar
Que me chama, ao teu corpo
Que me descontrola, prometendo
Paraísos de mil cores, amores
Deleites sem fim, que a mim
Me fazem perder o norte

Vou partir...
... As ondas e os ventos
Vão acalentar os meus anseios
Dar-me a sensação que te beijo
Dar as caricias que sinto me darás
Compensar-me do que sofro
Em cada dia longe do teu olhar

Vou partir...
... Para chegar a ti
Para que o meu desnorte
A minha desordenada vida
Volte nos teus braços
A ter novo sentido
Encontrando-me contigo

Vou partir...
Ansiando chegar à praia
Onde sei que me esperas
Onde a areia testemunhará
A vitória do amor e do querer
Quando nos abraçar-mos
E nos perder-mos em nós.

Vou partir...



24 fevereiro 2011

Apaixonei-me por uma mineirinha



Encontrei uma mineirinha... e me apaixonei

A história mirabolante da minha desatinada vida
Levou-me vogando na minha nau vagabunda
A todos os portos da terra e ilhas que o mar tem
Em busca de sonhos, de aventuras, e de amores
Num atabalhoado rodopio entre ondas
Aos saltos de tempestade em bonança
E sempre no leme, em pé, em frente, andei.

E encontrei um dia do outro lado do mundo
Em terras de calor sem fim e sol bem alto
Uma mineirinha, linda, terna, simpática
Que imaginei de olhar meigo e pedindo carinhos
Doce o bastante para a querer beijar, e ter,
Frágil quanto baste, para a querer proteger
A tornei sem que por isso desse conta
A mais linda coisa que o meu ser podia sonhar

Deixei a nau das descobertas e das procuras
Ancorada no porto seguro da minha paixão
E fui, pé ante pé, passo a passo, recebendo em mim
Tudo que era seu, dessa mimeirinha de encantar
E que sentia cada vez ser mais minha, entrar
Suave e paulatinamente dentro de do meu ser
Tornando, desse seu jeito esquivo mas bela
O mais belo sonho da minha existencia

Passeámos juntos, lado a lado, junto ao mar
Deixando marcas de pés na areia fina e branca
Enquanto sentia que tinha de dar tudo, dar-me
Ser coisa sua, entregar-me a ela, mineirinha,
Que fora vítima, sofrera, sangrava, estava frágil
Não sorria, estava tímida, esquecia seus dramas
Numa entrega desenfreada a mil riscos
Como se da odisseia, resultasse a quietude

Quanto mais sentia o quanto o coração seu
Estava fraco, batendo desordenada e comprimido,
Mais queria eu que fosse para ela um ancoradouro
Que eu me tornasse em força, em baía, em anjo
E lhe pudesse dar primeiro a esperança e o alento
Quebrasse as amarras e fosse grito de revolta
Liberdade, coragem, e depois de tudo, à solta
Pudesse entregar e ela um amor profundo

Até que um dia, depois de crer na beleza de um sonho
Que em cada momento em real se metamorfaseava
Sendo lindo, sendo delírio, sendo alegria e vida,
Ouvi da boca da mineirinha, "eu amo você"
E foi a revolução completa, dos corpos celestes, da terra,
Dos mares e dos céus, das aves nos ares, dos ventos,
Foi a concretização objectiva da coisa mais louca
Que alguma vez pude crer, e era minha, essa luz

E em cada instante fui fazendo da minha felicidade
Um paraíso encantado, cheio de luz e cor, de magia
Enquanto vivia essa novidade, e me dedicava todo
Desde o nascer do dia, ao anoitecer, e mesmo na noite
A essa mineirinha que me tinha seduzido
E de quem já não pensava poder fugir

Era ela, sem dúvida, o calor que necessitava em cada dia
O sol que me iluminava, a lua que me fazia sonhar
O vento cantando canções suaves de harmonia imensa
E fui embalado naquele "eu amo você", me entregando
Feliz, me auto alimentando de animo, e de ilusão,
Tentando dar força, estar junto, esperar, entendendo
Que a minha mineirinha, depois de vicissitudes tantas
Precisava mais de carinho e apoio, que de beijos.

E fui, entre a quimera de um enamoramento lindo,
E a certeza de um sentimento belo cada vez maior,
Fui me entregando, a procurando, tentando, dar
E ser alguém de confiança, seguro, apoio certo
Enquanto divagava em sobressaltos de amor
Feliz da vida, assente na terra, enamorado, feliz
E cada vez a queria mais, a julgando minha

Até que um dia, foi ela mesma, me falando de si
E do seu mundo, das suas coisas, de seus segredos
Me fez perceber que esse seu terno "eu amo você"
Não era mais que um conjunto oco e vazio de palavras
Que a mineirinha dedicava a todos e quaisquer
Que circulando em seu redor a tratavam bem
Lhe eram simpáticos ou divertidos, amigos, muitos.

Chamou mesmo de amor, em um arauto lido
Entre uma multidão de gente em dia de romaria
A um descabelado infiel, a um turco, de turbante,
E juntando à frase, em jeito de dedicação e gentileza
Lhe ofertou símbolos pagãos, simbolizando o amor
Beijos, corações, abraços, e tudo justificando
Em nome de uma loucura que o otomano possuía
E a encantava, já que, aloucada, também se achava
Uma mineirinha desconfiada e sem tino.

Voltei à minha nau, abatido, de olhos molhados
Largei amarrras, e parti à toa sem qualquer destino
Não procurando o fim mas não temendo a morte
Procurando entre a escuridão dum céu sem luz
E um cinzentismo que se apossara da minha alma
Esquecer, deixar de pensar, perder-me
Nunca mais dar com nada, esvaír-me todo,
Até que porfim, um dia, possa caminhar de novo
Sem a ilusão da mineirinha, e o doce engano
De um "eu amo você" que nunca foi meu

Pedro Alcobia da Cruz, 2011/02/24



17 fevereiro 2011

15 fevereiro 2011

Olha o passarinho...


Foto by Pedro Alcobia da Cruz, 2010

Do princípe encantado do reino de maravilhas...


Descoberto por um qualquer estudioso cujo nome a história preferiu ocultar, existiu à muitos séculos, num lugar estranho, muito longe, talvez no outro lado do mundo, um príncipe, jovem, sonhador, temerário, que vivia rodeado de magos e sábios, para que um dia ao se tornar rei, depois de cuidadosamente preparado, pudesse por fim criar um reino, onde, diferente dos demais da terra, pudesse instalar-se, de mão dada a sabedoria, a paz, a justiça e a prosperidade.

Esse reino, de que apenas se possui esse testemunho que o homem de estudos encontrou nas suas árduas pesquisas, e o palácio desse príncipe, que se pode perceber na gravura junta, existiu, e o seu reinado foi durante muitas gerações recordado por todos. Ali existia felicidade, o povo vivia tranquilo, administrava-se com prudencia e sabedoria, havia abundancia, a harmonia existente garantia um bem estar imenso.

Os homens desde que os respeitem na sua dignidade, e os tratem com respeito, que tenham ao seu dispôr o que lhes és seu por natureza ou necessitem para viver, relacionam-se com frontalidade e cortesia, longe de intrigas e invejas, afastados de violencias, realizando, deste modo, uma existência feliz.

Assim foi ese reino, do príncipe do palácio junto ao rio, e todos viveram felizes, tão felizes que muitos aindam ateimariam não ter sido realidade tal mundo de outrora, não se atrevendo a constestar tal evidencia face à provas do velho historiador, e que colocamos junto. Para que conste e sirva de exemplo.


Castelinho mágico de Almourol



Acredite se quiser, da mesma maneira que está provado cientificamente que existem bruxas e que a poção mágica que muitos políticos da nossa praça demandam em busca de inteligencia e bom senso é uma realidade, também são reais, aí, pululando entre lugares do nosso planeta, coisas mirabolantes e sitios cheios de magia.

Ás vezes, o que não é nada fácil é de provar, com os meios que o cidadão normal tem ao seu dispôr, da existencia de uma dada coisa, ou da presença nela, da mencionada magia ou encantamento.

Assim muitas das vezes a verdades que o nosso discernimento procura fugir, vêm os eruditos, com arrazoados de meia tigela, explicar o que se lhes escapa ao saber, chamando às coisas, de histórias de pasmar, de lendas, e muitos outros nomes, catalogando assim, num apenas imaginável feito ou facto, o que foi ou é mesmo, rigorosa verdade.

Exemplos? Bem, nem sempre é fácil, mas procurei neste "post" que de modo claro, sem que possa suscitar dúvidas, se coloque uma irrefutável prova, a de um castelo português, construído há muitos séculos atrás para defesa na denominada linha do Tejo, e que a muitos parece ser obra de fantasia, ou simplesmente delírio imaginativo de uns quantos meio possuídos por qualquer loucura ou falta de tino.

Procurei-o e porfim, depois de horas e horas em perseguição tenaz, que o pobre castelinho romantico colocado para inacessível se tornar no meio de um rio, fugia da maquineta dos retratos como o diabo da cruz, lá o fui caçar, para de modo audaz e temerário o registar com a minha máquina fotográfica.

Poucos acreditariam se o vissem naquela noite em que por estranho fenómeno, parecia dia, havia luz, e cores, muitas, tornando algo que a realidade assinala, numa coisa que parece do outro mundo.

Para que não duvidem coloco aqui a foto do castelo, que a história diz ter pertencido à Orgem Militar dos Templários,e que pertenceu de facto à conhecida linha defensiva do Tejo por alturas da nossa reconquista cristã, e estava sempre, como hoje ainda se encontra, numa pequena ilha, isto é, rodeado de água do referido rio por todos os lados, mais quando cheio, e a que denominaram de Almourol.

Para que conste, certificado, pronto a ser visitado, mesmo que pareça imaginário, ele existe, tal e qual como muitos bruxedos e poções de saber e conhecimento, e é, não duvidem, mesmo igualinho à foto que todos podem observar. Para que não restem dúvidas.

14 fevereiro 2011

Amar é tão natural como a sua sede!...



14 de Fevereiro, ano de 2011, segunda-feira, DIA DOS NAMORADOS

Coloco hoje aqui quatro simples flores, com as suas cores, a sua representação de uma beleza perfeita, procurando destacar deste modo, um dia dedicado ao amor, à entrega tão desejada em todos e em qualquer parte do mundo, de algo mágico, belo, que pode ocorrer entre seres que se querem e se desejam.

Amar é tão natural como a sua sede, poderia dizer-se, mas seguramente tem em sí muito mais encanto, mais delírio, mais sonho. É maravilhoso estar apaixonado, ser de alguém, entregar-se todinho ao que se ama. Amar com plenitude, com êxito, totalmente realizado, é quando dois seres conseguem entregar-se, cada um ao outro, mantendo-se a unidade, mas sentindo-se um único ser. É dar e receber, é partilhar, é misturar-se em fantasias maravilhosas, num outro mundo, tão belo, que parece inacreditavelmente longe de tudo e de todos.

Por isso, porque o amor representa algo de muito lindo na vidas das pessoas, e seguramente um catapultar de feitos e realizações - um coração enamorado é capaz de tudo - não poderia deixar aqui de colocar algo, que fosse belo, que fosse simples, mas que representasse dignamente o sentimento que de mais belo pode existir juntando duas pessoas.

Quatro flores simples, singelas, com suas cores, aquie enaltecendo, recordando, celebrando, a doce certeza que existe nos corações de enamorados, que os leva a desfrutar de sensações sem ímpar, de um elevar-se, de suaves maravilhas.

Hoje, 14 de Fevereiro, celebramos aqui, e nos rendemos aqui, e enaltecemos, e cantamos, o amor, o estar enamorado, os beijos, as caricias, os momentos de ternura, a troca de olhares, a mão dada, o poder voar nesse tumulto inebriante de sensações que nos fazem loucos, perdidos, querendo mais, e sempre, mais até à entrega de corpos e almas, num amor sem fim.

Que hoje, e em cada dia, se não esqueça nunca o amor, tudo o que representa, as sensações de leveza, a sedução, o beijo. Que o amor continue a fazer parte das nossas vidas, seja o sonho que mantemos teimosamente, seja um querer imenso, para que seja possível crer, num amor sublime, que cada um de nós vai encontrar e ter, sendo feliz assim, até ao fim do mundo.

Eu por mim, olhando essas quatro flores, olhando o mundo e a vida, o acumular de experiencias já vividas, poderia assegurar sem correr riscos que uma vida com amor, é milhentas vezes mais saborosa, mais feliz, mais intensa, que muitas existencias juntas, sem a chama, sem abraços, sem mil delícias, de um estar sem o outro ao nosso lado.

Que o dia do amor, dos namorados, seja efectivamente celebrado hoje um pouco por todo o mundo. Mas que o amor seja uma realidade em cada e em todos os dias, e que os namorados continuem de mãos dadas, se querendo, aos beijos, um pouco por todo o mundo, gozando o prazer inesgotável dum querer sempre.




13 fevereiro 2011

Liberdade... voar alto, sem limites, só voar






Transfrontera: uma aventura de loucos...

Deambulando pelo meu album de fotografias deparei-me com um vasto conjunto de fotos sob o nome de "transfrontera". Arrepiei-me... Por um lado senti saudades, é sempre bom recordar feitos que muitas vezes realizamos, mesmo se, irresponsavelmente, não estamos preparados para os realizar, e dessa estouvada decisão, decorrem, inevitavelmente, consequências pouco agradáveis. Senti também um certo sofrimento, a lembrança de algo penoso, sofrido, desgastante, muito cansativo e muito doloroso.


Transfrontera... em 2009, mês de Abril, uma ventura de caminhar entre serras e ribeiros, terras e pedras, muito pó, na arraia espanhola, ali para os lados da fronteira de Marvão, cerca de trinta quilómetros bem perto do céu e de muita narureza, horizontes longínquos, neblinas primeiro e depois calor, muito que caminhar, para depois da cruzada, receber como herói um Diploma certificando a proeza.


Fui convidado por um grupo de amigos naturais dessa região vizinha de "nuestros hermanos". Eles praticavam esse salutar desporto que é caminhar pelas veredas da região, em plenas serras e recebendo a benção de um ar puro que nos garante saúde e bem estar, e mesmo algumas vezes, na companhia dos castelhanos, em terras lusas ou mesmo espanholas. Eu não. Sabia que havia gente meia louca que passava horas caminhando, esquecendo essa memorável conquista que foi a motorização dos meios de transporte, dando, se assim bem se pode dizer, cabo do corpo, a bem da saúde, o que no mínimo parece um paradoxo.

Quem se mete em loucas avarias, já se sabe, pode acabar em desnorte. Foi o que aconteceu, depois de meia dúzia de horas a caminhar por serras e caminhos de cabras, depois de muito tempo sem ver ninguém (quando nessa caminhada participavam centenas de pessoas)concluímos, e bem, que estariamos perdidos. E estávamos. Voltámos para trás, mais um ror de quilómetros, e virando no local adequado, deficientemente assinalado, lá voltámos à corrida, mais mortos que vivos, arrastando-nos, em grandes dificuldades até ao fim da aventura.



Comecámos cedinho, que de manhã é que se começa o dia. Ainda fazia frio, viam-se ao longe as neblinas, os grupos imensos de gente, já que a partida não foi dada em simultâneo, marcavem os caminhos até perder de vista. Havia de tudo ali naqueles caminhos serranos, gente jovem alegre e brincalhona, namorados que aproveitavem a empresa para estar junto e treinar o caminhar de mão dada, gente adulta, responsável, chefes de familia e donas de casa, e mesmo, afoita, gente mais entradota nos anos. Cada um daria até poder que as autoridades espanholas garantiam em certos pontos do percurso transportes alternativos e assitência aos necessitados.


Como amante de fazer fotografia que sou, entretia-me aqui e acolá disparando com a minha maquineta dos retratos. O que destoava com a fúria generalizada que possuía aquelas pessoas de caminhar, caminhar sempre, sem parar, com ritmo, com energia, teimosamente. Claro que eu, depois de meia dúzia de disparos, já londe dos amigos, tinha de acelerar atabalhoadamente, naqueles pisos de meter medo e respeito, para os apanhar.


Fui-me cansando, sentindo um bater desordenado no meu coração. A certa altura o prazer de um passeio com os amigos, em terras estranhas e de outro povo, começava a revelar-se algo desgastante, sacrifício mesmo. E o pior é que a sofreguidão de fazer tudo e chegar à meta, parecia ter tomado todos de um modo pouco razoável. Eu que estava ali para me divertir, tirar fotos, estar com os outros, treinar um pouco o meu fraco espanhol, sentia-me metido em trabalhos esforçados, num ritmo de fuga, de corrida, que nem me deixava já, nem tirar fotos, pois perdia muito terreno para os meus companheiros, nem saborear as paisagens imensas, e lindas que se estendiam ao longo do percurso.


Poucos quilómetros andados, e em grandes dificuldades para acompanhar os meus entusiasmados amigos portugueses, fiquei em delírio quando descobri, mais lento um outro grupo que os meus camaradas de caminho se preparavam para ultrapassar, onde estava gente que eu por acaso conhecia de um convívio que tempos antes fizera também na zona fronteiriça. Foi a sorte grande, educadamente cumprimentei quem conhecia, e claro, já sem animo nem pedalada, deixei abalar os meus, e contente por não ficar só, deixei-me ficar com aquele curioso grupo onde, parecendo uma mini união europeia, seguiam espanhóis, um italiano e uma senhora inglesa.


Nem um terço da caminhada estava realizada quando me juntei àquele curioso grupo onde, uns mais jovens ian divertidissimos, o que é natural naquela idade, e os demais seguiam paulatinamnte, conversando, parando aqui e ali, o que deu para que sem atropelos nem riscos, fosse de novo, tirando novas fotos.


E lá fomos. Parámos aos 10 quilómetros, onde havia uma zona de assitencia, aí estivemos algum tempo, bebemos águas, senta´mos-nos um pouco à sombra. o sol começaca a castigar. E depois, mais animados, arrancámos para nova etapa de diferentes no percurso, mas iguais na distancia, novos 10 quilómetros.


Na verdade eu lá seguia aproveitando a boa disposição do grupo e a sua mais que notória indiferença com o tempo a realizar. Queriam passar, como eu, um bom bocado, divertir-se, e tirando partida da natureaza e do ar do campo, desfrutar de algo benéfico para a saúde humana.


Chegámos ao segundo ponto de assistencia aos 20 quilometros, - sendo certo que eu, que já não podia com uma gata pelo rabo, - aparentemente capazes de fazer o que ainda faltava para a conclusão do feito e o recebimento, como recompensa, do maravilhoso Diploma para colocar em quadro na parede do escritório lá de casa.



E lá fomos sempre andando. Casa vez com mais calor, mais suor, mais cansaço, mas sempre seguindo cada um melhor ou pior de acordo com a sua afoiteza e resistencia. As conversas diminuiam, o sofrimento ia chegando a cada um. Mas era só mais um bocadinho. Nada demais.


O grupo que entretanto diminuira de número, dado que uns naturais e residentes da zona abandonaram numa pequena povoação que atravessámos, seguia ainda, cansado, teimoso. Eu confesso, já não podia dos pés e começaba-me a doer perigosamente quase tudo, pernas, barriga, eu sei lá o que no meio daquela irrefletida aventura não dava queixas.


A dado momento, cansado, desorientado, dorido, num estado deplorável já dizia à senhorita espanhola que tinha sérias dúvidas no percurso. Em boa verdade há demasiado tempo já não viamos ninguém pelos caminhos. è verdade que poderiamos ser dos últimos, mas estranhava não ver marcas nos caminhos, nada ouvir, nem ver na mirada mais longe, quando a paisagem nos possibilitava olhar à distancia. Nada.


Depois de muito andarmos - já só seguiamos eu a senhora espanhola e um casal de espanhóis - parámos num cruzamento de quatro caminhos, sem qualquer indicação de sentido, sem nada, perdidos. Eu sentei-me à beira do caminho e sentia os meus pés miseráveis, sentia um mal estar tremendo, parecia que a quelauer momento rebentaria.


Eu, jurava que dali ninguém me tirava, que chamássem uma ambulância ou o Jeep da Guardia Civil. Eis que ouvimos um motor que se aproximava. Sorte nossa duas senhoras num carro vinham ali, direito, a ter connosco. Explicámos a situação, que estávamos perdidos sem saber dali que caminho tomar. Um desnorte.


As senhoras do carro quando perceberam que pertenciamos à malta do Transfrontera logo nos explicaram que nada daquela caminhada era por ali. Nós deviamos ter seguido um outro caminho muito atrás. Muitos quilómetros antes, pouco depois da povoação onde tinhamos deixado os nossos anteriores companheiros. Estavamos perdidos, inhamos de voltar para trás.