07 abril 2010

Vem,... entrega-te a mim!




Vem,... entrega-te a mim!

Passa, passa de mansinho
E toca-me, toca-me ao de leve
Devagarinho.
Toca-me na pele
No meu rosto, nos braços
Elevados, que ergo te chamando
Toca-me, vento que vens do monte
Vendaval que trazes contigo o cheiro do mar
Ventania matinal que desafias o tempo
Vem, vem à toa, como quiseres, mas vem,
Desorientada a tocar meus sonhos
Toca-me e fala-de de amor
Do meu amor
Dos meus eternos sobressaltos
Que o coração cultiva sem regra
Batendo sem governo, sem eira nem beira,
Simplesmente batendo, por ti, além, lá.

Vem, nos remoínhos ventosos, às voltas,
Salta para mim e diz-me notícias
De alguém que longe está, e perto sinto,
Quando me bates no rosto, me atacas o olhar
E me deixas lacrimejando de desejo
Te imaginando a deixar
Junto de mim
O meu bem.

Salta das nuvens, corre do sol, arrefece,
Descansa nos meus braços, encosta a tua cabeça,
Perde-te em mim que te espero há meia dúzia de séculos
Entrega-te, vencida, perdida, de uma só vez,
Para seres amada. Vem, vem e entrega-te,
Dá-me o cheiro da tua pele, o toque dos teus cabelos
O calor que de dentro de ti explode prometendo fantasias
Vem, entrega-te toda em mim, queda-te aí,
No meu campo de sonhos e delícias
E aí, entre flores e canticos de beleza
Nos tornaremos um só.

Vem meu amor de longe, minha esperança,
Vem do outro lado do mar, do outro lado do mundo
Vem e vai, no embalar das ondas
Vai e vem, ao colo dos ventos
Para que comigo possamos livremente
Voar os dois, nadar no azul do oceano
Ou simplesmente percorrer os matagais de verde,
Para que os dois, unidos, sós,
Possamos transformar-nos em um sopro
De luz e de fantasia, de paixão, entrega e alegria
Vem, vem de longe, vem de vez,
Para que os dois, porfim, possamos descansar
Abraçados, entregues à promessa de um dia
De nos amarmos até ao fim dos tempos.

Vem, vem amor, do outro lado do mundo
Para que seja possível esse amor sonhado
Para que se torne realidade, a ficção inventada
De um amor sem limites, sem terra, sem poiso,
Que de verdade tenha só o ser, a entrega e simplesmente
Ser só nosso. Meu e de ti, que para fazer verdade, só para isso,
Vens do outro lado do mar, e te entregas a mim.

Vem, vem ... entrega-te a mim.






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