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25 fevereiro 2010

Pé ante pé, maquineta a postos, e ... záaassssss



Escrevi no meu diário, hoje, quinta-feira, que toda a dependência que senti das infindáveis luzinhas que o céu da noite de ontem projectavam, e em que revi entre tantos pontinhos brilhantes, dois que revelavam claramente um olhar cheio de magia, tornavam aqueles momentos de contemplação, instantes reiterados de fascínio, transformando todo esse tempo, num delírio gostoso de entrega.

Acordei atordoado, percebendo dessa ausência de sã lucidez ou de físico anquilosamento, que esse período de tempo que parecera ter passado rápido, tratou-se, provavelmente, de um prolongado espaço de tempo em que não resisti a entregar-me, e a assimilar bem dentro de mim, todo esse encantamento delicioso que foi descobrir o teu olhar entre as estrelas do céu.

Incapaz de coordenar ideias, tomar decisões, deambulei, sem norte, sem querer nem ver, por aí. Deslumbrado ainda por toda essa vertiginosa demonstração de fantasia, que se recusou em manter-se doce sonho, para fulgorosamente se revelar ali, bem à vista do mundo, de todos, como uma revelação celestial, de um amor terreno.

Ainda agora confesso recordo a luz penetrante desse olhar que não consigo esquecer, e de tuso o que de trás se manifesta cheio de beleza, cor, promessa e futuro. No céu, ali bem no alto, se escreveram frases imensas, onde poeticamente seguiam compassadamente, declarações de amor sem fim, de ternura que busca afirmar-se, de beijos que voam, atrás de sonhos.

Confuso, creio que poucos mortais alguma vez puderam ver claramente aos olhos de todos o brilho de uns olhos apaixonados procurando se entregar, prometendo delícias e maravilhas sem fim. Confuso, dizia, recusei perder tempo em tarefas rotineiras, banais, que pudessem ofuscar esse luzir, essas fantásticas projecções de algo sem explicação que bombardeia dos céus um sentir da terra.

Caminhei à deriva entre campos, entre flores, sentindo o cheiro do mundo, das coisas, a musicalidade que o vento transporta e a duçura da vegetação bamboleando à minha passagem. OLhava, de quando em quando o céu, onde as nuvens alternavam pachorrentemente com amontoados de nuvens carregadas de escuridão prometendo choros. Nada revelava o olhar de algumas horas antes. O teu olhar. E caminhava, e seguia, e pensava, e sem ver, percorria caminhos, me distanciava do real que em cada dia me oprime e possui.

A natureza parece ter-se apercebido do meu alheamento permitindo que me perdesse, imaginando-te a meu lado, não admitindo que de alguma forma, pudesse perceber de modo racional, como, e para onde seguiam os meus passos. Os pés percorriam um desconhecido que parecia de lã, ou de nuvens, de macio e leve. Os olhos não destrinçavam claramente os tons naturalmente expostos, de verdes, castanhos, onde se deve e pode admitir, de modo seguro, um polvilhar, aqui ou ali, de coloridas manifestações da arte natural.

Num momento em que pareceu acordar, tinha à minha frente um pedaço de monte, de campo, de terra, entrecruzada de coisas e de vida. Verdes são os campos, dizia-se, e sem que me esforçasse por perceber, algo de um verde que nem parecia natural, moderníssimo, vivo, de ton de pirilampo, visualizei um gafanhoto que, tal como eu, parecia destoar naquela solidão, do mundo e da vida.

Companheiros de uma vaga de inexplicáveis realidades, ali, os dois, eu enamorado de uns olhos cheios de maravilhosa luz que me seduziram em plena noite entre a vastíssima mancha de estrelinhas do céu, e aquele animal, irrealisticamente parecendo real, e não de brinquedo como facilmente poderiamos supor, nos quedámos, num qualquer estado de ânimo, ou de falta dele, tão intenso, que só muito tempo depois, tocado pela verdade, percebi, a coincidencia, o estar, ali, de dois fantásticos seres tocados por algo sobrenatural, sem missão, sem estar, nem ser, pura e simplesmente existindo ali. Eu e o dito gafanhoto de cor verde luminosa.

Estupefacto por todo esse amontoado de coisas sem explicação, e sentindo que um dia teria de prestar contas, justificando, assustei-me com a falta de consistencia em fundamentar coisas que nem lembra ao diabo. Mas, se para os olhos lindos que me seduziram e apaixonaram, vindos de entre as estrelas do céu, não encontrava hipótese alguma de demonstrar dentro dos parâmetros que a ciência e a técnica hoje tanto exigem, corri ávido a documentar a existencia desse tal ser pequenito que ali a meu lado, solidariamente, nunca me abandonou, aprisionando o seu companheirismo, ao mesmo tempo que agarrava esse provocante esverdeado com que se vestira, em duas fotos, que a minha maquineta dos retratos aceitou realizar.

Tenho pena de não ter podido reter também toda essa pretensa fantasia, que senti bem real, e ainda tenho dentro de mim, dessa luz fascinante e encantadora dos olhos do meu amor, ali poisados, no alto, entre mil pontinhos brilhantes pululando, enamorados, em pleno céu. Tenho pena, de não poder maneter pertinho de mim essas luzes, nem ter comigo ontem à noite a minha maqueineta dos retratos. Talvez hoje, se a tivesse comigo naquele terno e sublime momento, tivesse bem viva a chama de sedução e encanto, e caminhasse feliz, entregue, escravo, dos olhos lindos e belos do meu amor.

Se...




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