26 fevereiro 2010

Busquei na noite, o teu olhar...






Portugal foi sacudido por um mau tempo teimoso, persistente, que se recusa a ir, deixando os naturais a bater o dente devido ás temperaturas pouco convidativas para permanecer ao ar livre, para mais noite dentro. Quando não arrefece desapiedadamente, chove, vem vento, e uns agora inovadores mini-tornados, que possivelmente, como em outras coisas não costumeiras que por aí se podem ver agora, é fruto da modernaça globalização.

Acontece que este tempo não ajuda os apaixonados, que perdidos em busca de amor entre as escuras noites que se sucedem sem o alento de uma qualquer luzinha, e atrevem-se mesmo a apanhar severas constipações para não falar em gripes cada vez mais económicas que de simples vírus.

O meu médico assistente anda em cima de mim, voraz, atento, impiedoso, observando a batida da minha bomba cardíaca, não se apiedando do meu estado de militante enamorado. Ouve, volta a ouvir, e recomenda juízo, descanso, nada de esforços e que fuja das apoquentações como o diabo toda a vida, segundo ele, fugiu da cruz.

Mas que hei-de fazer se espero ansioso voltar a ver entre as luzinhas do céu os olhos da minha princesita do outro lado do mundo, quero dizer, do céu, ou do mar, ou mesmo de ambos. Ando inquieto, triste – sempre ouvi dizer que amar é sofrer – e recuso-me a qualquer distracção ou descanso. Olho o céu, busco nas estrelas, no luar, entre as nuvens que sempre passam apressadas, os dois brilhos penetrantes e maravilhosos do teu olhar.

Sinto que esse mar imenso, revolto umas vezes, que noutras parece um lago manso, sem fim, em vez de nos separar liga-nos, e o céu, não se revela muito mais que um espelho mágico que revela tudo o que por aqui parece sentirmos, cá dentro, sobretudo, o que bate desordenadamente, fora de ritmo no nosso coração.

Estou enamorado é bem de ver. Perdidamente. Sem remédio. E para cúmulo de todas as coisas enigmaticamente estranhas que povoam os mundos, por uns olhos que descobri um dia, no céu, entre estrelas, perdidos entre as luzinhas multicolores e faíscantes de pontinhos à deriva nos firmamentos. Uns olhos que me não saem já nem da alma nem do coração. Parece que já não necessito qualquer esforço para relembrar, qualquer pormenor que seja, esse olhar tornou-se, em boa verdade, um olhar meu.

Ontem saí pela noitinha, rua fora, e caminhei até mais não, até sentir que não podia mais, em todas as direcções, olhos no ar, olhando em cada segundo esse céu onde, a todo o tempo, esperava o suave milagre de ver os teus olhos. Mas perante um caminho que se revelava cada vez mais penoso e sem fim, e um amontoado persistente de nuvens negras que se uniram contra nós, senti-me incapaz, triste, sem forças.

Caíram algumas gotas de água, voltava o vento, levantava a chuva, regressavam nuvens e mais nuvens, com e sem água, e o escuro fresco e húmido nunca deixou que pudesse ver a luz do sonho, a miragem que é vida, o encanto que anima e nos enche de vontade de viver. Ontem, por mais que buscasse nos céus, por mais que percorresse caminhos e buscasse lugares, não encontrei esse olhar teu que me mantêm vivo, me faz sentir calor, e me enche de sonhos e fantasias.

Ontem senti-me perdido, só, abandonado. Ontem, não estive com o teu olhar, não vi os teus olhos, não pude perceber se sorrias, como sempre costumas fazer quando me visitas, cheia de simpatia, e ternura, lá dos altos.

Ontem não vi o teu olhar…







3 comentários:

cocktail disse...

Bela poesia,esse olhar que se busca sofregamente,desenfreadamente como se o seu brilho perdurasse no firmamento.
gostei muito

Lenita Nabais disse...

Lindíssimas fotos e texto! O teu blog é lindo! Parabéns! Bjs

sol disse...

pedro meu docinho ...eh lindo nem tenho palavras pra dizer o qt adoro vc ....