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01 novembro 2010

O lugar de Deus



Desde criança aprendi que "Deus está em todo o lado e cuida de nós"...
Encontrei estas pequenas obras feitas pelo homem e dedicadas a um Deus que para nos ajudar se deixou matar na cruz. Lembrando esse sacrifício supremo. E não pude deixar de reflectir, olhando esses testemunhos de fé, colocados junto à imensidão de um mar que une mundos, enfim toda essa terra por Ele criada, que precisamos de sentir a protecção de alguém, e que essa protecção se revela mais importante e necessária junto dos elementos que não ousamos nem atrevemos a dominar.
O mar sempre exerceu um fortíssimo fascínio, ao mesmo tempo que algum temor, junto dos homens. Ora se revela belo, manso e de um azul tão próximo do céu, como se revolta, treme, explode em raivas e toma cores de escuridão e fúria. E é sempre um imenso desconhecido que o nosso olhar não consegue acompanhar.
Por isso lembrar Deus junto do mar, é a revelação clara da nossa pequenez no mundo, e um modo humilde de solicitar a protecção divina.
Deus nos proteja das intempéries e de todo o mal...




26 outubro 2010

Fui ver o mar num dia cinzento e frio










Muitas vezes precisamos fugir ao quotidiano que nos traga, enquanto conjunto de rotinas e de realidades, para que uma nova brisa nos dê novo alento, e seja possível voltar à turbulência de mais um punhado de dias que afinal compõem, para o bem ou para o mal, a nossa vida.
Um dia destes saí porta fora, desavindo com o mundo e com a vida, farto de tudo e de nada, buscando um antídoto, que miraculoso, me fizesse aceitar o que existe, o girar do planeta, as obrigações e as devoções, o outros e a mim mesmo.
Andei por aí, deambulando, um bocado sem rumo nem com ideia certa do que pretendia ou onde queria chegar. As paisagens iam passando, as cores, o tempo, montes e vales, o dia foi clareando. Dei por mim junto ao mar. A imensidão de um cinza claro em agitação com as negruras do céu, salpicos de espuma, a areia deitada esperando ser pisada, corrida, e aqui e ali, ameaças, ou manifestações intrépidas de rochas e rochedos.
O vento vinha fresco e transportava gotículas minúsculas de água salgada, que vinda do mar, era elevada e agitada nos ares, salpicando a face, humedecendo, esfriando, batendo, como querendo, nem mais nem menos, que acordar-me. Para voltar de novo a viver.
Caminhei na praia, envolto em pensamentos, e olhava, e nesse olhar sentia que deixava entregue ao ir das ondas do mar, toda essa amálgama de tristezas, de vazios, de um descontentamento que me tinham tomado. E no mesmo vir do mar, que vem, vem sempre, em cada bátega de imensas vagas em sobressalto, sentia chegar um alento, uma luz, uma nova esperança.
É belo o mar, mesmo nesses dias de sombras, dias em que no desespero de uma qualquer vergonha que os deuses não deixam conhecer, nos acolhe, e nos chama. E nos traz há praia, que é o mesmo que dizer, depois de nos carregar as baterias, nos sacode, e nos devolve a uma existência que devemos assumir e é nossa.
Fui naquele dia cinzento e frio olhar o mar, sentir a maresia, molhar a pele, percorrer as areias, pisá-las fundo e olhar as pegadas que deixavam um rasto que se perdia lá longe, no fim daquele pequeno mundinho. Vi o mar acariciar as areias da praia e bater com violencia as rochas. Vi que levou para bem longe de mim a minha melancolia e desespero e trouxe, serenamente, em cada onda que vinha, uma nova vontade.
Fui ver o mar, naquele dia que augurava tempestades. Cinzento e frio, fui... e voltei.








14 outubro 2010

Existem dias assim...

Existem dias assim, em que estar só, é simplesmente o vazio, que não se pretende nem sabe explicar, mas é tudo isso que nos causa muitas vezes repulsa, como o frio, a escuridão, as sombras. Baralha-se tudo, numa amálgama de muitos nadas polvilhados de estranhos sussurros, de coisitas sem jeito que sem graça nos devoram a alma, que nesses momentos teima em enclausurar-se, auto-mutilar-se, em esgares sem termo num lugar sem fim.

Existem dias sombrios em que mesmo que incapazes de provar - a ciência ainda apresenta as suas debilidades, levantando aos céus a imensidão de uma ignorância cada vez maior - sentimos. Não temos como afirmar, dizer, defender o que curiosamente é-nos distinto, cá dentro, nessa manchinha minúscula que pulsa desordenadamente e a quem devemos tudo. O existir, o sentir destes dias, o passar do tempo, as cores, os movimentos, os desejos e muitas vezes envoltos na malícia de um querer que se esconde, os próprios sonhos.

Nos dias frios e escuros, sem luz, a alma exausta, envolta num esforço imenso de se assumir por igual aos demais dias, deixa-se, queda-se, sem que se sinta que está. Parece que partiu, que levantou asas e buscou para lá das nuvens a carícia suave que se adivinha de um sol que tudo seduz.

Nesses dias sem sol, envoltos na neblina de uma solidão maior, sentimos mais pesado o fardo de seguir viagem, seja ela a rotineira passeata diária ou a peregrinação da nossa vida, rumo a um desconhecido que nos chama, e nem mesmo a secura que possuímos e que nos impele a beijar em flor, mesmo indistinta, sem cheiro ou sabor, mas que quimericamente imaginamos num mundo onde já existe alguém, consegue impulsionar este corpo pesado, teimosamente atado às sombras envolventes.

Sabemos que existem flores adornando paisagens sem fim, e que o sol, se por aqui não se mostra é porque cheio de energia veraneia por outras paragens, e a luz dele, e da lua, sem esquecer a de milhentos milhões de campos de estrelas,foram colocados para nosso deleite por um Deus que sempre desejou valer-nos nas horas de maior infortúnio, e cuida de nós. Está ao nosso lado. Connosco.

Sabemos que nos dias cinzentos e gélidos aconselha-se em jeito de compensação um pouco de luz, uma lufada serena e tépida de esperança, alguém.

Existem dias assim, dias sombrios, frios, em que a nossa alma viajou para longe, os nossos amigos parecem não existir, o coração bate devagar, sem pressa de chegar a lado nenhum, e não buscamos ninguém à nossa beira. Estamos sós. Ele existem dias assim, sós.

in Pedro Alcobia da Cruz (2010-10-04)


17 setembro 2010

Tenho para dar-te, um milhão de flores


Tenho para dar-te um manto imenso de flores
De todos os tamanhos e todas as cores
São, cada uma delas, um hino aos delírios
Aos risos, beijos e abraços, tristezas e martírios
São realidade que passámos, os dois, tu e eu,
Em idas épocas que o tempo timidamente adormeceu
São flores de todos os tamanhos e tons, e tipos, e cores,
Bafejadas de muito verde, de esperanças, envoltas em ternura
Num serpenteado caminho, em tenaz jornada, em procura
De algo inimaginavelmente belo, como sempre foram, nossos amores

Tenho para dar-te um ramo com um milhão de flores
De todos os modelos desenhados e sonhados, com e sem odores
Que me fazem recordar um paraíso sem limites ao te ter
E de voltar a dar-te, mais uma vez, quando a luz se esconde, ao entardecer
Num momento de amálgama de ternura de encantos e de magia
Um ramo multicolor, cheio de cores e alegria, envolto em sonhos


16 setembro 2010

Deixa-me tocar-te...


Deixa, deixa-me que te toque
Como se de sentir-te pudesse interiorizar
A explosão incomensurável de uma impressão
Com os dados e medidas, de um sonho
Daquilo que foi e é o amor que te tenho



Deixa-me tocar-te, ao de leve, levezinho
E sentir uma nova vida a reconquistar este espaço
Que tem jazido, petrificado, entre pedras e escuros,
Como se a chama, brilhante, quente, sedutora,
Fosse ela mesma, o que vem de ti, ao tocar-te.



Deixa tocar-te, sem mesmo te tocar
Mas imaginando que a tua pele alva e sedosa foi minha
Por instantes imperceptíveis, mas reais
Que o que dentro de ti corre veloz em mil direcções
Tocou e entrou em mim, em miraculosos sais



Deixa que sinta a existência desse momento mágico
De um amor que teimoso se deixou ficar, firme, meio louco
Ébrio em volteios e piruetas de musicais delirantes, nos céus,
Nos sonhos, em quimeras, e que desperta, felizmente, vivo,
Forte, intenso, como sempre foi, nosso… quando te toco.





30 agosto 2010

Uma olhadela a... SINTRA (Portugal)

Existem lugares, um pouco dispersos pelo nosso maravilhoso mundo, polvilhados de magia e que parecem ter sido tocados por uma vibração intensa onde não falta a beleza, o romantismo, a saudade, a melancolia, a história e, sem limites, um encanto que dificilmente podemos explicar, mas, verdadeiramente, não podemos deixar de sentir. Dentro de nós.

Sintra é um desses lugares. Tudo existe ali, porque é de lá, ou lá foi colocado, ou ali, simplesmente, acabou por se impor aos demais.

Lord Byron esse gigantesco poeta inglês - que se apaixonou por Sintra - disse um dia que aquele lugar encantado seria, sem dúvida, um dos lugares mais bonitos do mundo.

Outros perderem-se de amores por aquelas serras, esse denso arvoredo verdejante, aquelas matas frondosas, e ali construiram verdadeiros monumentos a uma paz que se respira, a uma natureza sempre pródiga, a um manto de tranquila e sem fim beleza.

Nós, tocados por tanto encanto, resta-nos olhar toda essa magia, percorrer ávidos esses recantos, e agradecer a Deus e aos homens tanta coisa linda ali posta para nosso deleite.

Sintra é tudo isso... magia, cor, natureza, paz e encanto. E muito mais.

Olhaaaaaaaaaaa o gafanha...






29 agosto 2010

Cores nas flores, alegria na cidade, nas gentes




Cores nas flores, alegria na cidade, nas gentes
Passo por ali e olho, que saudades tinha
De te olhar assim bela, fresca, entregue aos teus
A cidade está simpática, vestiu-se feliz
Recebe bem, olha por e para nós
É alegre, vistosa, estende os braços
Convida ao passeio de mão dada
A cidade é linda, é minha, de nós
Recebe-me desde sempre e continua ali
Sempre e em cada dia, mais colorida
Mais entregue aos seus que passam
A minha cidade




25 abril 2010

Flores para um Abril distante...


Parece longe um Abril que nasceu prometendo mundos novos e novas liberdades. As flores de então polvilharam todo um imaginário que parecia simples e cheio de cores, de alegrias, de uma serena mancha de contentamento que parecia resistir aos ventos do passar do tempo. Parece longe esse encantamento que a todos tocou e que a pouco e pouco foi desaparecendo. Distante estão os sorrisos, mais longe ainda o cravo no cano da espingarda, as gentes que sairam às ruas, renovadas, com animo, com esperança, e junto dos soldados, salpicaram Lisboa de canticos novos. Longe quedou-se a esperança que um país renovado saberia afugentar as maleitas antigas, e resistiria a outras novas, mantendo-se livre, de todos e sendo de paz e de justiça. Para todos. Foi-se a esperança, murcharam os cravos, os cartazes prometendo a paz, o pão, a alimentação e a saúde perderam as letras, as cores, e jazem esquecidos longe dos olhares. Voltou a sensação de que viver é arrastar sacrifícios, ver injustiças, sentir revolta, mostrar-se impotente, e deixar que os dias, vazios de promessas, secos de esperanças, frios, ocos, passem, sem que ao menos se dê por eles. Abril vem em cada e em todos os anos, cada vez mais silencioso, menos colorido, menos sonho, e mais uma revelação cruel igual aos demais meses do ano. Precisam-se flores para um Abril distante, é urgente voltar a sonhar e sobretudo a crer que muitos sonhos podem realizar-se. Tragam flores, revoltem-se em gritos e canções reinvindicando futuro, querendo que o presente de hoje, seja igual ao de Abril, preparando o estio, a liberdade quente, a corrida aos milhentos desejos que só quem sabe crer e sonhar pode visualizar. Longe estão os cravos de um Abril cravejado de ilusões, longe está a liberdade alicerçada em direitos e responsabilidades, em liberdades e conquistas, em vida, digna, sã, com o tal pão, a habitação e a paz. Dizem que a liberdade já passou por aqui... Tragam flores, tragam flores para este Abril.