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05 julho 2009

Os amores da princesa Zully




Havia em tempos idos uma princesita linda, por quem os príncipes dos reinos conhecidos se perdiam de amores, desejando, invariavelmente, um dia conquistá-la, e tornando-a assim a rainha quer dos seus corações quer dos seus povos.

Um dia a princesa mandou bordar no seu pendão, junto a um coração multicolor e ao seu nome, que imaginamos todos quereriam alcançar um dia, a seguinte frase; “Juro-te, que ninguém te amará como eu…”

E essa bandeira, foi passeada e mostrada em milhentas terras, percorreu mil reinos, fez sonhar cavaleiros e príncipes.

Não fosse a representação clara de um amor imenso, cheio de alegrias e ternuras, cheio de paixão e de beijos, de beleza e sonho. Que a princesa jurava entregar a alguém.

A quem prometia a princesa a entrega do seu amor? Parecia um vazio oculto nas doiradas luzes do que prometia.

Uma promessa destas não deveria ser feita servindo a um, que imaginamos existir, ou a um outro, ou a qualquer um, existindo ou não, permitindo, deste modo, que em alguém viesse a suscitar a ilusão. O sonho condenado.

Os assuntos do coração devem ser claros – porque importantes e muitas vezes complexos – e não se prestarem a dúvidas, pelo menos, no que respeita aos intervenientes.

Imaginemos que três príncipes, cada um em seu reino, mas que diligenciavam por conquistar o coração da sua bela Zully, e desconhecendo que iguais entusiasmos animavam outros príncipes de reinos próximos, imaginavam ser, cada um por si, o venturoso enamorado que acabava por ter conhecimento de que conquistara o seu supremo desejo, de granjear as atenções da princesita, e nela ter feito nascer um amor, tão intenso, que ela jurava amar sem igual.

E, deste modo, cada um, longe da verdade, no seu próprio mundo de sonhos, parte à conquista de uma nova realidade, alimentando os seus dias, as suas horas, os seus desejos, o seu esforço, com a construção de um futuro, onde, de mão dada eles e a ditosa Zully não deixarão de passear de mão dada, alegres e confiantes. Cada um deles…

Merlim, o mago, que tudo observa do seu castelo, não poderá deixar de mostrar perplexidade e consternação, quedando-se mesmo temeroso, quando tudo o que vê, lhe levanta dúvidas, imaginando mesmo, todo um conjunto de coisas que podem ocorrer, no dia, em que cada um dos príncipes enamorados, um deles, ou todos eles, descobrirem que afinal o amor que julgavam seus, não é real, não existe, sendo que, o tal amor sem igual será de um outro, podendo mesmo ser, de nenhum deles.

Amar é sério, pelo que não deve prestar-se a equívocos. É como o direito, que deve ser de cada qual, o seu. O que ama não deve prestar-se a um jogo, muito menos sujeitar o seu amor a interesses duvidosos. Ou se ama, ou não. Isso de meio amor, que se tem hoje, e se esqueceu amanhã, para voltar, mais intenso que nunca para a próxima semana, só mesmo nos filmes de fantasias. E não se pode deixar no ar um amor assim jurado, sem dono, ao vento, ao gosto de cada um, e de nenhum. Nem se deve iludir um conjunto de príncipes, deixando-os mergulhados na fantasia de um amor, que pode ou não ser verdade, um dia, quando parecer o momento certo de escolher qual o que melhor serve os interesses. Sejam quais forem.

A princesita Zully, consta da história, acabou só. Fiel, afinal, ao seu amor, intenso, e belo, jurado a ninguém. Os príncipes partiram para a guerra, ou foram a caminho da Terra Santa, não sentiram necessidades de lutar por um amor, que afinal mais não era que um vazio. Todos estavam cheios de coisa nenhuma, de beijos que nunca tocaram seus lábios, de abraços desprovidos de calor, de um coração que não batia.

A princesa Zully acabou assim, ao deixar-se amar por meio mundo, que se cria por ela amado, por perder quem efectivamente lhe tinha amor.

Amor é algo demasiado complexo para se prometer assim a cada um, ou a nenhum.





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