31 julho 2009

Cidade do Porto - descida no funicular




Desloquei-me à cidade do Porto por altura do Encontro de Fotografia ali realizado. Além de revisitar uma cidade emblemática do norte de Portugal, pude contactar imensos apaixonados da arte fotográfica, rever amigos, e claro, deambular pelas ruas da Invicta, olhar monumentos e lugares interessantes tirando por todo o lado imensas fotografias.

Entre tantos bons momentos passados houve um que me tocou em particular, a experiência da descida para a Ribeira no funicular. Depois de arrancar na estação e descer o túnel, abre-se progressivamente no horizonte uma paisagem inebriante. À Ponte D. Luís I junta-se a beleza do rio Douro, as embarcações de transporte das pipas de vinho das Caves sedeadas na outra margem, e todo esse casario de Vila Nova de Gaia. A dado momento parece que estamos na montanha russa de um qualquer parque de diversões que por aí se podem encontrar, e confesso, senti dúvidas perante a acentuada inclinação nos carris que pude ver de modo tão claro como aterrador. Depois foi perceber que não se sente nada, que o homem é construtor de maravilhas, e que tudo aquilo facilita a deslocação, íngreme, do cima abaixo, e de baixo para as alturas.

Depois foi tirar fotos e mais fotos…











27 julho 2009

Lugar mágico




Lugar mágico

Sinto que existe,
é real, lindo, tranquilo, com sol
está… e é o meu lugar
a parte de mundo que preciso,
o mundo que quero
para mim, para ti,
para ti que amo e que quero,
bem juntinha, ao meu lado.
É o porto seguro para ancorar
o veleiro viajante que trago
nos meus pensamentos.
É praia, são milhões e muito mais
conjuntos harmoniosos de areias,
mantas de ternura, branquinha,
em ondinhas de pequenos desertos
leves e suaves, onde o calor e a luz
tornam escaldante as entregas
que o amor agita.

É o lugar mágico que invento
que crio em cada minuto que vivo
que pinto em cada quadro que imagino
que existe nas músicas
intensas, arrebatadoras, que ouço,
quando te penso
é ele, ali, contigo, estás lá,
a sereia das noites de lua cheia
que navega entre salpicos de estrelas
e a encosta suave que vem docemente
beijar o mar, entre espumas e salpicos
na praia.

É esse o espaço de ilusão
onde cada vez mais me desejo perder
onde, molhando os pés, caminho,
no areal húmido e fresco da praia
enquanto o sol que se esconde tímido
detrás das encostas enfeitadas de verdura
explodindo cores intensas e rebeldes
de protesto, de lutas e de invejas
de amareladas e vermelhas brigas
promete novos e atrevidos olhares
em cada manhã

É esse o meu mundo novo
que sinto existir em qualquer lugar
e é meu, é aventura e magia
é onde corro à beira do mar
nú, calcando provocadoramente
em pulos de posse e usufruto
de ser e ter, tudo, o que existe
e que não estando, sinto estar,
transformando as pegadas em selos
marcas, títulos, donde brotam alegrias
cantos, e se mostram certezas de existir
nas verdades espelhadas
nas estrelas do céu.

Da coisa nenhuma, viva em mim,
de já não existir ou querer seguir
os rumos das tragédias visíveis em redor
que mais parecem recusa decadente
numa verdade onde as cores perdem força
a luz perde o brilho a cada instante
já não se ama, não se faz gente
não se baila, não se fala com deuses
nem se dá as mãos ao que junto caminha
espera-se vivo, ou existindo, apenas,
numa solidão desgastante, de cada um
consigo mesmo e com todos os demais
a sobrevivência, o dia que vem,
o dia do fim, próximo, cada vez mais,
e ela virá, a morte, de foice na mão
gadanhando esperanças, envenenando,
destruindo e deitando à fome,
com desnorteados cavaleiros possessos
de um apocalipse anunciado
levando a morrer quem não viveu ainda

Tenho-te bem à frente dos meus olhos
espaço quimérico de ilusão gigante
onde se misturam as areias claras
as águas ondulantes do mar
a encosta polvilhada de árvores e flores
e o castelo erguido no cume
tocando o céu, em cima das nuvens

Estás aí, meu mundo mágico, que existe
que vejo preguiçosamente acordando
em cada dia, para viver sem sobressaltos
até ao regresso enciumado do sol
ao seu reino de fantasias, e durmo
tranquilo, por fim, depois de desfrutar,
completos momentos, bailando, cantando,
instantes de êxtase, pulando,
sendo eu, olhando para mim, para ti,
a sereia que me visita em cada noite
com lua cheia, e às escondidas me beija,
quando a escuridão afaga carinhosamente,
em ondas de ilusão, vagas de carícias
e em beijos suculentos de ternura,
o corpo uno que juntos formamos.

Ali, do outro lado do que existe,
encostado ao mar de encantos
tocado ao de leve por ventos suaves
estás, sempre, sinto, vejo,
me esperas, me envolves, me dás vida
lugar de magia, sitio de sonho,
onde o castelinho feito de ar e de luz
toca o sol em cada abraço,
e o saúda alegremente,
num toque maravilhoso de mágica
em cada manhã.


Pedro Alcobia da Cruz, 2009/07/26







20 julho 2009

Para negar-te





Para negar-te

Preferiria ter de partir rumo a inóspitas paragens
Vedadas à luz, sem a carícia do sol e o beijo das estrelas
Caminharia de olhos vendados sobre agrestes abismos
Atravessaria cego mares obscuros e perdidos oceanos

Negar-te, seria o mesmo que despedaçar, trucidar
Todos os sonhos que durante muitos anos acalentei
Deitando às ondas agitadas de mares revoltos
Todo o bater descontrolado que guardo no coração

Para negar-te, necessitaria negar-me primeiro
A mim próprio, desde o meu corpo à alma
Inquieta, em sobressalto, gritando horrorizada
A impossibilidade de blasfemar, sem jeito

Preferia deixar de ver, ou mesmo de ouvir
Ou de andar, ou de ser eu mesmo, ou pensar
Entregar-me a uma existência sem vida, oca
Vazio de sentir, de desejar, de um viver

Negar-te, seria negar-me a mim, deixar de crer
Deixar de acreditar em cada dia que nasce
Deixar de respirar, e permanecer frio, hirto
Sem respirar, sem estar ou ser, assim, sem ti

Negar-te, é enlouquecer de todo, nada dizendo
Que possa ouvir-se com alguma valia, é um estar
Desprovido de tudo, e simplesmente permanecer
Mesmo sem alma, sem calor, sem sentidos

Para negar-te, todos os deuses que existem
E mesmo os milhões de seres que se dizem superiores
E, que vivem para lás dos mantos desconhecidos, de azul,
E de pradarias de poderes sobrenaturais, ocultas,
Poderiam apedrejar-me com esferas de lume
Poderiam rir-se, lançando-me tremendos sons, brutais,
Poderiam enfurecer-se com as mentiras que ousei,
E determinar o fim de uma provocação insensata
Buscando tirar-me a voz, fazer-me calar, para sempre
Retirando-me essa possibilidade leviana, cruel,
De, desprezando a própria essência da vida,
E a realidade do mundo, tentar, te negar.

Negar-te é deixar de existir, não falar, nada dizer
É deixar de ser, enfim… deixar de respirar, de viver.
Como poderia eu negar-te?...





07 julho 2009

SORRI, PRINCESA DO SOL







SORRI, PRINCESA DO SOL


Com o nascer do dia, despertou o sol
Que veio de mansinho tudo iluminar
Vestindo alegremente os recantos sombrios
De cor, de brilhos e de fantasias

Com o sol, que quente apareceu lá longe
Acordou a natureza que parecia descansar
Ouviram-se melodiosos cânticos nos ares
Apregoando a maravilha que é estar; viver.

Com o dia e com o sol, por fim acordaste
Dos teus sonos, de mil e mais anos,
Princesa linda adormecida de um feitiço
Que procurava afastar-te do gozo da vida

Acordaste, com o sol, lá longe, princesita
Linda, agitada e feliz; olhaste o mar e a terra,
Levantaste os teus braços abraçando o mundo
E sorriste da beleza que adoçou teu acordar

Por isso, esse dia, cheio de calor e luz
Onde os elementos se uniram num abraço
Foi o milagre de um acordar, de um reviver
Foi a promessa de te manteres por aqui, feliz,

Acorda, anda, desfruta de estar, de mil delícias
E esquece os milénios perdidos em silêncios
Levanta-te e anda, caminha, desfruta o amor
Corre, o mundo está à tua frente e é só teu

Com a luz, os teus olhos ainda brilham mais lindo
Os teus lábios sequiosos, reclamam beijos
E os braços, as mãos, querem acariciar, tocar
Como se tudo em teu redor, não tivesse fim

Acorda com a luz e desperta para uma vida
Que teimosamente quer levar-te a cantar
Que orgulhosamente quer ver-te encantada
Em e por cada dia. Vive e ama, não pares

O mundo e a vida, o calor e a luz te desejam
As flores do campo querem sentir os teus pés
As noites e a lua embalam-te em sonhos
Vive, acorda, sê feliz, sorri, princesa do sol

05 julho 2009

LUGARES CHEIOS DE MAGIA…








LIBERTAD


…quisiera ser libre

Para volar en un cielo muy azul

Y tranquillo y calmo

De paz, mucha serenidad y sin limites


…quisiera ser libre

Vivendo alegre, feliz, contente

Entre mis amigos y otra gente

Quisera ser alegre y feliz con mi libertad

Que comenza - siempre… - comigo

Que es campo abierto a nuevas novedades

Que es suelo abierto a sueños

A deseos mil


Ahhhhhhhhhhhh como es preciosa y dificile

Deveria ser de todos


Mi querida y adorable libertad

Que me regalas y crias nuevas y renovables fuerzas

Y mucha dinamica y intenso animo

Libertad que quiero y deseo siempre

En todos los países, y en todo el mundo

Comigo, aqui y ahora, y con los otros

Siempre!

Posiblemente no deveria publicar mi poesía aquí en mi blogue, ya que mi castellano es super limitado y solo un milagro permitiria hacer algo con alguna cualidad

todavia cada vez que escrivo en español, que contacto en ese idioma, me siento más cerca...
y adoro sientir que el mundo puede cambiar más pequeño y que un dia vamos dar las manos

sul américa es una parte del mundo onde es necesario - como en todo el mundo de un modo genereal - sientir bien viva esa libertad que necesitan las personas para vivir felizes

tiene gente linda, alegre, divertida, simpática... que lucha en cada día, que mismo con tantos problemas, pobreza, corrupción, mala distrubuición de la produción y de la ruqueza, violencia, sobretodo donde existe ahun guerrillas y luchas con carteles de drogas, busca en cada sonrisa un día mejor, un mañana diferente, con más paz, salud, desarroyo...












Os amores da princesa Zully




Havia em tempos idos uma princesita linda, por quem os príncipes dos reinos conhecidos se perdiam de amores, desejando, invariavelmente, um dia conquistá-la, e tornando-a assim a rainha quer dos seus corações quer dos seus povos.

Um dia a princesa mandou bordar no seu pendão, junto a um coração multicolor e ao seu nome, que imaginamos todos quereriam alcançar um dia, a seguinte frase; “Juro-te, que ninguém te amará como eu…”

E essa bandeira, foi passeada e mostrada em milhentas terras, percorreu mil reinos, fez sonhar cavaleiros e príncipes.

Não fosse a representação clara de um amor imenso, cheio de alegrias e ternuras, cheio de paixão e de beijos, de beleza e sonho. Que a princesa jurava entregar a alguém.

A quem prometia a princesa a entrega do seu amor? Parecia um vazio oculto nas doiradas luzes do que prometia.

Uma promessa destas não deveria ser feita servindo a um, que imaginamos existir, ou a um outro, ou a qualquer um, existindo ou não, permitindo, deste modo, que em alguém viesse a suscitar a ilusão. O sonho condenado.

Os assuntos do coração devem ser claros – porque importantes e muitas vezes complexos – e não se prestarem a dúvidas, pelo menos, no que respeita aos intervenientes.

Imaginemos que três príncipes, cada um em seu reino, mas que diligenciavam por conquistar o coração da sua bela Zully, e desconhecendo que iguais entusiasmos animavam outros príncipes de reinos próximos, imaginavam ser, cada um por si, o venturoso enamorado que acabava por ter conhecimento de que conquistara o seu supremo desejo, de granjear as atenções da princesita, e nela ter feito nascer um amor, tão intenso, que ela jurava amar sem igual.

E, deste modo, cada um, longe da verdade, no seu próprio mundo de sonhos, parte à conquista de uma nova realidade, alimentando os seus dias, as suas horas, os seus desejos, o seu esforço, com a construção de um futuro, onde, de mão dada eles e a ditosa Zully não deixarão de passear de mão dada, alegres e confiantes. Cada um deles…

Merlim, o mago, que tudo observa do seu castelo, não poderá deixar de mostrar perplexidade e consternação, quedando-se mesmo temeroso, quando tudo o que vê, lhe levanta dúvidas, imaginando mesmo, todo um conjunto de coisas que podem ocorrer, no dia, em que cada um dos príncipes enamorados, um deles, ou todos eles, descobrirem que afinal o amor que julgavam seus, não é real, não existe, sendo que, o tal amor sem igual será de um outro, podendo mesmo ser, de nenhum deles.

Amar é sério, pelo que não deve prestar-se a equívocos. É como o direito, que deve ser de cada qual, o seu. O que ama não deve prestar-se a um jogo, muito menos sujeitar o seu amor a interesses duvidosos. Ou se ama, ou não. Isso de meio amor, que se tem hoje, e se esqueceu amanhã, para voltar, mais intenso que nunca para a próxima semana, só mesmo nos filmes de fantasias. E não se pode deixar no ar um amor assim jurado, sem dono, ao vento, ao gosto de cada um, e de nenhum. Nem se deve iludir um conjunto de príncipes, deixando-os mergulhados na fantasia de um amor, que pode ou não ser verdade, um dia, quando parecer o momento certo de escolher qual o que melhor serve os interesses. Sejam quais forem.

A princesita Zully, consta da história, acabou só. Fiel, afinal, ao seu amor, intenso, e belo, jurado a ninguém. Os príncipes partiram para a guerra, ou foram a caminho da Terra Santa, não sentiram necessidades de lutar por um amor, que afinal mais não era que um vazio. Todos estavam cheios de coisa nenhuma, de beijos que nunca tocaram seus lábios, de abraços desprovidos de calor, de um coração que não batia.

A princesa Zully acabou assim, ao deixar-se amar por meio mundo, que se cria por ela amado, por perder quem efectivamente lhe tinha amor.

Amor é algo demasiado complexo para se prometer assim a cada um, ou a nenhum.