30 junho 2009

Cláudia… Flor? Ou amor?



Acordei em sobressalto quando no meu sono se agitou
O leito, o vento, as estrelas flutuando macias no pensamento
Olhei buscando nessa procura a razão de acordar, de ser,
Aqui e ali, de novo, um ser em acto de vida, a respirar
Acordei quando tudo abanou num sussurro e ouvi, distinto,
Vozes ansiosas chamando por flores? Ou por amores?
Acordei, quando o sobressalto fez explodir luzinhas
De mil cores, brilhando, pelos céus, atrás das nuvens, ali,
Tão perto que nesse acordar, nos sons das tais vozes
Percebi que as flores não eram mais que amores soltos
Paixões em delírio querendo abraçar, tocar, e sentir
O calor dos beijos, os abraços, o tocar, suave, a ti,
Que acordaste apaixonado sem saber que o amor
Voltara de longe, atravessara o mar, subira e descera
Para estar ao teu lado, para te acordar desse sono
Que parecia uma morte sem fim, um gelo, um sopro…
Acordei, não pelos ventos, ou ais, ou vendavais,
Mas porque atravessaste o mar e fresca, me salpicaste
De mil mares, de sais, de sonhos e de devaneios húmidos
Se exorcizando em entregas ilimitadas de paixão
E, nesse leito onde jazia sem vida, hibernando, te deitaste
Parecendo flor – Cláudia – ou simplesmente um amor
Dando vida, dando esperança, levantando para o mundo
Ou, nesse beijo, pleno de odores das flores, em êxtase
Da escuridão libertando, dando alento, ou apenas acordando

Acordei … e, vi-te, amor ou simples flor, chegada das praias
De areia luminosa e de rochas doiradas do outro lado de um mundo
Que sabemos apenas existir entre as sombras inertes de um vazio
Que teima alimentar-se dos nossos desejos mais loucos, insensatos,
Dos sonhos mais belos de quem sem vida teima em não morrer

Acordei… com ou sem vida, contigo, encostada no meu peito
Possuindo o meu corpo e o meu ser, fora e dentro, de mim,
Fosses ou não flor, ou fosses mesmo esse amor, essa Cláudia,
Vieste do outro lado do mar, e nesse molhar, de águas revoltas
Fizeste de novo, que encontrasse a vida, nesse novo acordar
.

27 junho 2009

Olha o passarinhooooooooooooo…………….



O mundo tem destas coisas. Estranhas. É assim a vida, composta por encontros e desencontros. Imprevisível. E, em boa verdade, tais ocorrências podem mesmo, marcar para todo o sempre a vida do indivíduo.

Depois de alguns encontros, a história da humanidade muda de rumo, projecta-se noutra direcção, arrastando povos e mundos. Foi assim com Cleópatra e Júlio César, encontraram-se e foi o que se viu. E tanto mais ocorreu, mundo fora, em todo o tempo e por todo o lugar onde existe gente.




Bem o caso que trago hoje a este destacadíssimo blogue, só para aqui interessa porque, em boa verdade, vejamos, uma vez indo eu a caminho, sem norte, para os lados de Peniche, encontrei umas estranhas pessoas fazendo surpreendentes rituais em delírio à frente do Forte de tão amarga história, junto ao mar, mais acima e mais abaixo… de um para o outro lado, ora fora ora dentro.

Eu, que nunca é de mais dizer, não gosto que me façam o ninho detrás da orelha fiquei imediatamente de prevenção.




Uma moça, buééé´´eé´´eé´da alta, que se me afigurou péssima companhia para ajudar na apanha dos figos, com aquela altura já se vê depressa comeria os melhores, punha-se nas mais disparatadas posições, enquanto una baixinha a puxar para o largo apontava com um objecto estranho em sua direcção, parecendo mesmo olhar para o seu interior.

Bruxarias pensei de imediato, coisas de exorcismos sem pés nem cabeça que antigamente seriam monopólios dos padres e que agora com esta estouvada mentira das democracias, já se vê, era arte nova e tresloucada de qualquer um.


E assim andavam. A esguia e alta pavoneava-se de um para o outro lado, sem apresentar cansaço, inquieta, revolta. A pequenelha apontava com a tal coisa, tipo caixa negra, com um vidro na ponta.

Eu, que não sou de ficar quieto, e gosto de dar conta do que se passa na periferia, fui seguindo a excursão. Paravam aqui e ali e tornavam a parar. E sempre o mesmo ritual. Uma espreitava, parecia-me, para dentro do instrumento que apontava na direcção da mocinha engraçadota.


Hummmmmmm... intrigas e mais intrigas. Isto não é coisa para o meu maldito feitio. Enchi-me de brios e atrevido acabei por formular arrojada pergunta a um adjunto, tipo cabo de esquadra, que seguia as duas para todo o lado com um género de um pano redondo, como se fora um grande leque para proteger ou do sol ou de algum mau-olhado que por ali andava.

Que raio de coisa era aquela?




- Uma sessão fotográfica. Era isso mesmo em boa verdade e a bonitinha era uma modelo de nomeada, estrangeira já se vê, disse o rapazola nuns termos como se estivesse a falar com algum maçarico. Achei demasiado. Que fanfarrão.

Uma modelo.... jajjajjaja, de virtudes? Quereria dizer isso? Verdade? Sessão de que fotonáites ou algo parecido?




- Oiiiiiiiiiiii, ó camarada explique isso direitinho. Estava me sentindo cheio de dúvidas. Perplexo com a realidade, que se não afigurava nada normal com a terra, nem com os palavrões demasiado técnicos para o meu entendmento.

E foi assim, à sombra de uma árvore frondosa, e depois de muita conversa com o rapazola que delirava com as minhas ignorâncias de simplório de província, que soube, completamente atónito, o que era a fotografia. Uma arte nova. Que o dito instrumento como que apanhava a pessoa, que não mais se movia, e a segurava até ao fim da vida. No seu interior. Espectáculo. E que ser modelo era coisa muito valiosa. Mais que ministro ou desembargador. Tinham o mundo a seus pés... só assim de fácil abanando o rabo por ali.




As explicações foram tão interessantes que logo, com a minha ousadia própria de quem há-de morrer sem eira nem beira, só, por aí, experimentei um primeiro golpe de magia negra num outro instrumento que por ali tinham. Apontei com a dita, sentia-a tremer nas minhas mãos, confesso, a maquineta e eu. Parecia a primeira vez de outras experiencias cheias de magia e suspense.

Apontei, com um olho fechado e outro no buraquinho e vi lá dentro – upsssssssssssssss que maravilha - a tipa da maquineta dos retratos e a flauzinha vaidosa que me pareceu a mulher mais bonita que alguma vez tinha visto. Não hesitei, como se estivera na guerra das colónias e de metralhadora G3 na mão, carreguei até mais não nos botões. Nuns e noutros, de qualquer jeito. Sem parar.




O homem levantava já as mãos aos céus. Gritava. Temia pela máquina, por mim que podia endoidar, pelas pessoas que arreganhavam os olhos olhando o meu modo desvairado de lidar com a magia. Mas eu não podia deixar de carregar nos botões. Continuava, clicando, sem ousar retirar o dedo, e desse modo, enfrentar toda a ousadia que inconscientemente demonstrara ali, perante todos.

Tirei a foto que se viu. E outras. Tantas que já parecia digno de montar atelier em Paris lá para a banda dos artistas. Eles, bem sei, que não sou tolo, roeram-se de inveja. Jajjajajajaj tantos truques, tantos cursos, tanta técnica e eu, nascido no meio dos campos, sem nunca ter visto nada assim, eu... que fotos.




Foi um encontro que marcou a minha vida. Nunca mais fui o mesmo, como não foi a mesma a terra egípcia depois do encontro imperador romano com a rapariga nariguda do Nilo. Fiquei perigosamente afectado, e tive logo ali, no momento, a percepção de que o meu mundo deixara de ser um caminho rotineiro e muito limitado para se tornar num campo aberto, entre estrelas, e mundos, e grandes luzes.

Acabei, confesso que não tenho qualquer culpa, por ficar um taradinho pelas tais modelos que andam aos pulinhos mostrando promessas de encantar. E, nunca mais me separei de uma maquineta dos retratos, só minha, mesmo minha, muito minha, que agora anda comigo para todo o lado.

Quanto à magricela bonitinha, confesso, ainda hoje penso nela. Caramba, eu e ela, os dois, upsssssssssssssss, teríamos feito uma empresa que seria uma revolução. E quem sabe... sinto uns calores quando a recordo... a sorrir, para a minha máquina, e para mim.

Acabou por ser tudo fácil naquele dia em que o meu mundo mudou; "olha o passarinhoooooooooooo... click". Ainda hoje, sigo por aí feliz, de maquineta dos retratos a tiracolo e confesso-vos – mas não espalhem que é segredo – ainda hoje, quando dobro uma esquina, quando descubro um lugar, olho à procura daquela bela modelo que me faz passar noites sem dormir.



25 junho 2009

PRINCESA DA MADRUGADA



PRINCESA DA MADRUGADA

Manhã cedo, levantei amarras no porto
Saí do cais, entre brumas, à descoberta
Naveguei por desconhecidos mares, sem fim,
E numa praia luminosa e transparente aportei

Num qualquer outro lado, de um outro mundo
Levantou-se, enigmaticamente, o nevoeiro da tristeza
E acalmaram-se, suaves, os ventos da procura
As ondas, mansas, entregaram-se às areias finas

Num paraíso, com sol, e lua, e com luz,
Entre musicas e cânticos que se ouviam, no ar,
Encontrei, na praia, de braços abertos, estendidos
Pela aurora, a princesa encantada dos meus sonhos

Desci, em delírio, da alva caravela, imaginada
E, imaginando, juntei as minhas às suas mãos
E com a mais bela princesa do mundo, comecei,
Um novo caminho, sonhando, um verdadeiro amor












23 junho 2009

MAR QUE NOS UNE E SEPARA





Azuís e verdes, salpicados de branco
São os sonhos que transporto na alma
Igualinhos à cor desse mar sem fim
Que tanto nos une e nos deixa bem
Como separa, impedindo, o fazer-se amor

Longe o azul do céu, ao pé de ti
É o mesmo tecto que tenho à minha beira
Trazendo e levando os nossos beijos
Acariciando em mil ternuritas
Um sentir que transborda estes corpos

Azuis e verdes, o céu e o mar
Ambos podemos tocar, elevando as mãos
Ao pé de ti, igualmente em meu redor
Tudo é ponte que nos faz correr ao outro
Tudo é porta que parece barrar-nos

E assim, cada um de seu lado do mundo
Estamos perto, damos as mãos, e nos tocamos
Em cada momento junto da praia, do azul
Quando tocamos com os pés, as mil águas
Que nos fazem acreditar que existimos

O mar nos separa e nos convida a chegar
Partindo ao amanhecer sobre as ondas
Cruzando esse céu que não possui limites
Como o que em nós existe, perdura, e vive
Em cada azul, e verde, salpicados de branco









16 junho 2009

CASTELO SEM PRINCESA







Fotografias de Sintra - Quinta de Monserrate (Portugal)



Imaginei hoje que num bosque cheio de mil encantos, perdi, para todo o sempre, entre mil névoas, a minha princesa.

Olhei, com mágoa, o castelo que construí, para mim, e para ela, para o nosso amor, nesse mundo de magia onde o sonho tudo permite.

Olhei… vi o nosso castelo, mas vazio.

A minha princesa desaparecera.

Olho agora, a imensidão das ilusões, e procuro forças para juntar pedras e mais pedras. Tenho de construir um novo castelo… Leve, nos ares, acima das nuvens. Um castelo novo. Para um novo sonho.








Fotografias de Sintra - Quinta de Monserrate (Portugal)



UN CASTILLO VACÍO…SÍN PRINCESA


Hoy imaginé que en un bosque lleno de mil encantos, perdi, para siempre, entre brumas, mi princesa.

Miré, com dolor, el castillo que construí, para mí y para ella, para nuestro amor, en esse mundo de magia donde el sueño permite todo.

Miré,… vi el castillo, pêro vacío.

Mi princesa desapareció.

Miro ahora, la imensidad de las ilusiones y busco fuerzas para juntar piedras y piedras. Tengo de construir un nuevo castillo… Leve, en los aires, encima de las nubes. Un castillo nuevo, para un nuevo sueño.

13 junho 2009

CONÍMBRIGA – Cidade Romana










Romanização da Península Ibérica

A invasão romana da península Ibérica iniciou-se durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C.-201 a.C.), quando as legiões romanas, sob o comando do cônsul Cneio Cornélio Cipião, procuraram atacar os domínios e interesses de Cartago.

A estratégia do Senado romano visava, desse modo, a enfraquecer as forças cartaginesas e a sua influência, afastando também, cautelosamente os exércitos de Cartago da própria Roma.
A derrota dos cartagineses não determinou a ocupação pacífica da
península Ibérica.

Registraram-se confrontos com tribos de nativos, donde ressaltam os Lusitanos, conflitos que se estenderam até 138 a.C.. A guerra lusitana foi intensa tendo atingido o seu auge na disputa dos territórios mais prósperos, especialmente na região da actual Andaluzia. Os Lusitanos foram liderados por Viriato que infligiu duras derrotas às tropas romanas tornando aquele lutador um mito da resistência peninsular.







A Pax Augusta é concretizada no séc. I. Com Augusto também se fez sentir na península a pacificação e com a finalização das Guerras Cantábricas, as legiões romanas vieram a ocupar a região norte da península.

Na península Ibérica, a romanização acompanhou a evolução da conquista, tendo progredido desde a costa mediterrânica até ao interior e à costa do Oceano Atlântico. Nessa aculturação relevaram a expansão do latim e a fundação de várias cidades, tendo como protagonistas os legionários e os comerciantes.

A língua latina acabou por se impor como língua oficial, funcionando como factor de ligação e de comunicação entre os vários povos. Começaram a deixar as montanhas e a surgir nos vales ou planícies, as novas cidades, com casas de tijolo cobertas com telha. Surgiram, deste modo, com os Romanos, Braga (Bracara Augusta), Beja (Pax Julia), Conímbriga e Chaves (Aquae Flaviae).










Na indústria destacaram-se a olaria, as minas, a tecelagem, as pedreiras O comércio prosperou, surgindo feiras e mercados onde se vulgarizou a circulação da moeda. Surgiu uma extensa rede viária – "calçadas romanas" - que ligava os principais centros urbanos.

A influência romana foi profunda e fez-se sentir, sobretudo a sul, também na religião e nas manifestações artísticas. Os mercenários, os grandes contingentes militares romanos, as chefias militares e a imigração de romanos para a Península, com a concessão da cidadania romana, determinaram o êxito daquela influência de que não faltam vestígios.

Depois da conquista, a província foi integrada no Império Romano e dividida administrativamente em três partes: Tarraconense, a Norte e Nordeste, até aos Pirinéus; Bética, a Sul; e Lusitânia, com capital em Emerita Augusta (actual Mérida), estendia-se entre os rios Douro e Guadiana.









Conímbriga

Conímbriga – que dista cerca de 15 km a SW de Coimbra, no centro de Portugal, é uma das raras cidades romanas existente no território português, que conserva bem visível a cintura de muralhas, de forma sensivelmente triangular. A cidade dividida em duas zonas é particularmente notável pela planta, edifícios públicos, inúmero casario e pela riqueza dos mosaicos que a pavimentam.

Antecedentes – Alguns estudiosos consideram a primitiva ocupação humana neste sítio a um castro de origem Celta da tribo dos Lusitanos. Sabe-se resultado da campanha de escavações de 1913 que se encontraram testemunhos da Idade do Ferro, a eles podendo juntar-se peças de pedra e bronze que podem fazer recuar o início da povoação do local. Assim se relacionando o povo conii, o que para muitos explicaria a origem do topónimo actual de Coimbra, com a cultura megalítica da região sul de Portugal.









A ocupação romana – Conímbriga localizava-se na via que ia de Olisipo (actual Lisboa) a Bracara Augusta (actual Braga). Foi ocupada pelos romanos durante as campanhas de Décimo Junio Bruto, em 139 a.C.. No reinado do imperador César Augusto (século I), a cidade sofreu importantes obras de urbanização, tendo sido construídas as termas públicas e o Forum. Nos finais do século IV, e com o declínio do Império Romano, foi construída uma muralha de defesa urbana, com cerca de mil e quinhentos metros de extensão e, olhando a sua construção pouco cuidada, evidenciando um clima de tensão e de conflitos com os povos bárbaros.

As invasões bárbaras – Em 464 os Suevos assaltaram a cidade, vindo a destruir parte da muralha em novo assalto, em 468. A partir da vitória dos Visigodos sobre os Suevos, a cidade acabou por perder o seu estatuto de sede episcopal para Aeminium (hoje Coimbra) perdendo progressivamente a sua importância.

A pesquisa arqueológica – Este sítio foi habitada pelo menos desde o séc. IX a.C. e até ao séc. VII-VIII. Quando os romanos aqui chegaram, na segunda metade do séc. I a.C., Conímbriga era um povoado florescente que vai romanizar-se rapidamente transformando-se numa grande e próspera cidade, devido, sobretudo, à paz que se pode observar na Lusitânia.

“Nas primeiras escavações arqueológicas em 1899 mostra-se toda a área contígua à muralha Leste, colocando a descoberto, extramuros, as termas públicas e três vivendas. Entre estas últimas, destaca-se a chamada Casa dos Repuxos, com uma área de 569 m², pavimentada com mosaicos e com um jardim central onde se conservava todo um sistema de canalizações com mais de 500 repuxos. Na zona interna à muralha as escavações revelaram uma basílica paleocristã e uma luxuosa vivenda com termas privativas.









As escavações revelaram ainda um fórum augustano, demolido na época dos Flávios, altura em que a cidade recebeu um estatuto municipal, para dar lugar a um novo fórum de maiores dimensões e monumentalidade; e umas termas, também construídas no reinado de Augusto. Entre estes sectores monumentais foi escavada uma zona habitacional, da época claudiana, constituída por insulae que seria ocupada pela classe média da população ligada ao artesanato. A partir de uma nascente localizada em Alcabideque a água era conduzida até Conimbriga por um aqueduto.

Em meados do
século XX, a partir de 1955 o ritmo das investigações intensificou-se. Os abundantes materiais arqueológicos de toda a espécie, que não era possível conservar no local encontram-se no Museu Monográfico de Conímbriga.” (Wikipédia)