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17 maio 2009

PARQUE DE MADRID - 14 de Maio de 2009



Quem me conhece sabe bem quanto me encanta olhar o verde das matas, dos campos, das florestas, e claro, das ervinhas que no chão se colocam maravilhosas qual tapeçaria de esperança onde podem deleitar o olhar e correr, saltar, livremente.



Mais ao de leve só nas nuvens, garantiu-me, uma vez, um célebre cabeça no ar cuja prudência aconselha manter no anonimato.


Fui a Madrid essa cidade fantástica ali bem no centrinho da península Ibérica de cujo território estaria talhada a ser capital não fora a tradicional poesia libertina e aloucada do povo português, de querer mais que o próprio passo, ser senhor e dono, e herói. E conseguiram os portugueses o feito de se manterem independentes, serem nação, serem estado, viverem a sua própria vida e construir o seu próprio mundo.


Mesmo quando parecia loucura ser, sair, fazer. Muito na sua pequenez fizeram os portugueses, tornando-se grandes, gigantes mesmo. Numa proeza que se mostrou impossível por muito tempo… foram quase senhores de meio mundo, e depois a pouco e pouco, por incapacidade, por falta de organização, regras e método, foram perdendo, minguando, encolhendo, até se mostrarem do seu próprio e natural tamanho, pequeninos.


Libertámo-nos dos espanhóis pelo menos em duas vezes, entre guerrinhas e intrigas, e santos que foram guerreiros, e batalhas e suor e lágrimas. Um dos sectores do exército português mais martirizado de então foi a Ala dos Namorados, um corpo de jovens guerreiros que se lançavam nos campos de batalha de pendão bordado pela sua noiva, voando nos altos, enquanto cá por baixo, se derramava sangue. Bravos jovens, que um pouco como os de agora, pagavam as favas, se perdendo em arrojadas sortidas de irresponsáveis explosões de coragem e de bravura.


Fui a Madrid… que cidade grande, com modernidade e com história, com história, com monumentalidade. Vale a pena viajar ali para ver um pouco mais daquilo que temos por aqui no nosso jardim à beira mar plantado.


Mesmo ali para as bandas do centro encontrei um Parque magnífico, onde o verdinho me chamou a percorrê-lo, a sentir essa natureza ali bem dentro da cidade. Viam-se jovens correndo, mocinhas com ar de boa gente a praticar com o cãozinho, pares namoradeiros, velhinhos a descansar nas sombras, turistas a tirar umas fotografias, e alguma gente estranha, com ar anarquista a comer, enquanto enfeitavam o ambiente com multicolores bonés e camisolas, bandeiras.


Descobri que tratava-se de trabalhadores europeus que se encontravam em Madrid para uma Manifestação contra a crise do mundo, dos tempos, do regabofe de um capitalismo que se percebeu hoje, mais que selvagem, estava podre de louco.


Ri quando li numa faixa que desafiou todo o verdinho das árvores e arbustos, “Ajudam os Bancos e Exploram os que Trabalham”. De facto o mundo chegou a tal estado que parece paródia. As modernas democracias deitaram-se face à ciência da economia, e os seus magos simples economistas que tudo sabem, menos evitar desgraças. As modernas nações puseram-se de gatas subservientes aos poderosos grupos económicos que não conhecem dono.


Quem paga, como sempre, são os desgraçados, que mais não fazem na vida que pagar a burrice dos inteligentes, a incompetência dos crânios e ainda levam, as mais das vezes, porrada dos mastins do regime, que são como eles, irmãos oriundos do povo.


Jajajajjajjajajjja… ainda se fala em democracia. Que regime pode ser eleito por um maioria para em seguida, legitimamente, trucidar quem os colocou no poder, enquanto a minoria que come da manjedoura do orçamento e se pavoneia ao serviço do interesse público, pode, sempre ao abrigo do estado de direito e outras patranhas, voltar a ser eleito de novo, e mais, e mais, sempre tragando, devorando, destruindo, em nome do interesse colectivo.


Estes políticos tornaram meninos de escola os maiores salteadores da história. Não usam de violência, não atacam pela noite, e rapinam tudo. Delapidam, destroem sonhos, matam ideias, afogam iniciativas. Em nome de todos, do interesse de todos, só comem alguns. É isto a democracia? Venha a tirania…


Pelo menos não é legítima quando esmaga. Quando humilha. Quando mata à fome. Quando ignora a dignidade humana e outras coisas que deviam ser sagradas mas permanecem desconhecidas quando tudo parece conhecer-se em cada minuto em qualquer parte do mundo.


Madrid estava linda… mesmo se nas ruas se sentia toda essa agitação de cores e gritos. Fui ao Parque de Madrid e ali pude sentir-me como se estivera num qualquer campo verdinho do meu país, silencioso, convidativo a descansar e a passear.

Fui a Madrid, nessa Espanha de nuestros hermanos y en buena verdad puedo decir que me sienti muy bien. Fui a Madrid en Maio. Fui…




2 comentários:

mariam disse...

Pedro,

É maravilhosa esta tua foto-reportagem! imagens lindíssimas e palavras não menos...

Tenho por aqui estado a lêr-te, um 'passeio' excelente, a 'saborear' o que connosco partilhas com tanta generosidade. Obrigada.

Desculpa as ausências...

um grande abraço amigo e o meu sorriso :)
mariam

Liliana G. disse...

Estas fotos que mostrás son un regalo para mis ojos y mi alma. Tanta belleza entra por los poros e inunda mi ser. ¡Gracias!
Me alegro que hayas podido realizar este viaje y te hayas traído este pedacito de España.
Un beso grande, amigo.