19 abril 2009

As letras que escrevo…



As letras que escrevo…

As salpicadas letras em folhas de papel,
Ordenadas, em escuras e infinitas fileiras
Que se sucedem passo ao lado, linha abaixo,
São palavras, semeadas entre silenciosos espaços,
De múltiplos tamanhos, sem qualquer jeito,
Formam sentidos gritos, alertas, protestos
Às vezes quiméricos desejos e sonhos sem fim
Outras, sem tino, olham sem ver, vazias,
As vidas intrincadas que pululam lá fora
Espreitando escondidos temores e paixões
Que se ocultam na inquietação do estar
Titubeando um caminho incerto, na procura
Entre os demais, do inacessível que não vislumbro
Nem encontro dentro de mim



As letras atabalhoadas formam legiões
Partem em todas as direcções com música
Inquietos tambores ressoam, a compasso
Com a escuridão na alma, à cadência martelada
De uma aventura sem qualquer regresso
São fantásticas guerreiras em guerra santa
Perdidas por ideais que não podem conhecer
Lutando, destemidamente, no campo de batalha
Como se de imortais de tratassem





São letras simplesmente, caídas sem fé,
São amarguras alinhadas em faltas de tudo,
Até de amor, até de paz, até de existir,
São esgares de raiva e dor, que aqui deixo
Parecidas às ondas do mar, cheias de força
Nunca se quedando, indo e voltando
Muitas vezes suaves, teimando nas carícias
Ora potentes, avassaladoras, destruindo





As letras que projecto em painéis
De espuma, de ventos, ou mesmo de luz,
Não são afinal mais, que a imagem projectada
Num só instante, de explosão,
De suores negros, ou desejos azuis
De uma dilacerada exigência interior
Que não consegue reprimir a ideia carrasca
Nem esconder-se nos tumulares silêncios
De um medo secular, de impossíveis
Da impossibilidade de um dia chegar
Ao porto tranquilo a todos prometido
Ou, não sendo previsível esse aportar
Que sejam, as letras, um caminho, esperança
Um sopro de luz saindo da borrasca
Um crer… Que sejam apenas
O que simplesmente já são
… letras!














15 abril 2009

AQUI ESCREVO… PALAVRAS





Aqui escrevo…palavras

As palavras que aqui escrevo
São pedras de todos os tamanhos
E de todas as cores
Que lanço em desordem
Em todas as direcções
Crendo, que um dia,
Sem que a ciência o possa explicar
Uma delas em vez de cair
(todo o corpo cai)
Vai subir, subir, e elevar-se tanto
Que vai colocar-se no céu
E nele, seguramente,
Vai construir um castelo
E enamorar-se por uma estrela
E passarão a brilhar juntos
Sorridentes de felicidade
Lá, nos confins do Universo.




Destruí o meu sonho



Matei o meu sonho


Aconteceu ter tido um sonho muito belo
Nasceu, pulou fora, ganhou corpo e viveu
Como enfim, todas as existentes coisas
Um pouco por todo e qualquer lugar
Mesmo as desprovidas de qualquer beleza



Tive um sonho maravilhoso
Que depois de nado teimou crescer
Ganhando um corpo imenso
E múltiplas formas,
Tomando amplas suas energias e forças
Conquistando atenções e interesses,
Foi um sonho com tudo para poder ser
Realidade ou ilusão, podia ser, estar,
E foi assim, um projecto de caminho
Foi trilho entre bosques sem fim
Emaranhados de castanhos e verdes
Foi escarpa agreste vinda do céu
Foi ravina, foi montanha

Tive um sonho luzidio
Vivo, alegre e sorridente.
Feliz com a ideia de permanecer
Teimando em querer respirar
Ganhar forças e ter ar
Agarrando-se às folhas e aos ramos
Da árvore erguida para uma vida
Verde ainda, cheia de vigor



Tive um sonho divertido
Que queria manter-se assim
Quimera fresca embrulhada nas nuvens
Fantasia pulando entre estrelinhas
Castelo no ar, vigilante, no alto
Quando, brincando, buscava
Trocar todo esse sentimento indistinto
Por alguma coisa, tornando-se ser
Fazendo-se outro, com nova de pele

Tive um sonho desperto, existente
Sem corpo, verdade, parecia nada
Não podendo ser admirado por todos
Sendo um imaginário apenas meu
Que me enchia de paixão e me dava alento
Mas que não podia formar coisa, nunca,
De modo claro, como qualquer corpo
Era meu, era belo, mas mantinha-se ilusão



Passei depois a ver que tinha um sonho
A bocejar, com sono, que acordaria por fim
Prometendo ao levantar alegrias e encantos
Revelando infindáveis paraísos de delírio
E que não tardaria a mostrar-se sublime
Ao submeter-se à passagem da imaginação
A um existir, ser, uma coisa bem real.

Acabei por ter um sonho alienado
Que ocorreu quando se viu pressionado a ser
A tornar-se verdade, a ser coisa real ou concreta
Nunca tendo sonoridade, sendo ouvido,
Nem tendo sido visto, por quaisquer
Não gritou, não correu, não abraçou
Nunca chegou a ter corpo, nem ser coisa nenhuma
Porque nunca deixaria de ser o que era
Ilusão caprichosa iludindo sentidos



Tive um sonho…

Tive mesmo, creio, esse sonho imenso
Onde se agarraram muitos outros sonhos
Como se fosse um céu sem fim onde as estrelas
Trocavam beijos luminosos e saudavam a lua
Tive tudo isso que perdi, desajeitadamente
Querendo transformar o alento incito num delírio
Numa realidade impossível de se dar



E, esse sonho foi miragem de ti,
Cópia autêntica de corpo e alma
Lá longe, por detrás dos corpos voadores…
Foi o teu olhar brilhando que nem sóis, que olhei,
Esses lábios que julguei praias
Alimentando os beijos vindos do mar
E provocando constantemente o desejo
De poder colocar neles, os meus.

Essa boca que desejei invadir
Em agressões intensas de amor
Todo esse corpo que vi e revi
Num imaginário de quente entrega
Num campo húmido
Onde se perderiam por fim
Num grito ensurdecedor
Essas explosões de amor



Esse sonho só pode viver o tempo
De uma pequena trovoada de verão
Caindo ao solo com as folhas das árvores
Envolto em poeiras que o vento
Espalhou desordenadamente
Nele catapultando carícias sentidas
E impossíveis de esquecer, com as imagens
Que tento guardar ainda, e que construí

Essa fantástica ilusão que tive
Durou o tempo de um não, um só não,
Viveu apenas enquanto alimentei uma ilusão
Foi um raio entre escuras sombras
Em agitada noite de tormenta
Viveu apenas um rápido instante
Não permitindo, alimentar-me
Nem de calor, menos de beijos



Eu tive um sonho, pequeno e grande,
Que de verdade nem se pode medir
Sendo efectivamente algo fugaz
Difícil de classificar ou rotular
Um inexplicável conjunto de inexistências
A que, irreflectidamente tentei dar vida
Dar tudo, até uma própria vida,
Fazer exclusivamente meu.

Com esse descontrole insensato
Matei, destruindo esse sonho que tive
Que ainda poderia existir e dar-me alento
Enquanto visão idílica de magnífico
Que deveria manter comigo a todo o custo
Para intensamente desfrutar, nela e em mim,
Para ver e tocar, para sentir e amar,
Para usufruir, junto de todos, esse meu ser



Acabei matando…o sonho que existiu e que viveu
Belo, forte, intenso, quis guardá-lo para mim
Ousei acalentar a ideia de transformá-lo em coisa existente
Não tendo percebido todo o pujante fulgor
Toda uma força espantosa sem quaisquer limites
Que um sonho dentro de si transporta, e tem de maior,
E destruí, essa fantástica essência, ao pretender mudar
O que ele tinha de melhor, e lhe dava vida, inexistir.

Eu asfixiei até reduzir a pó a ilusão em que vivia,
Maltratei a quimera que simplesmente me sustinha
Até ficar sem coisa nenhuma, assim, só, sem nada
Porque teimei fazer verdade o que nunca existiu,
Mas se encontrava comigo em todos os momentos,
Inexistindo, mas me prometendo carícias, não sendo,
Mas estando sempre ao meu lado, no meu sonhar.



Porque matei essa ilusão que me mantinha vivo?
Porque matei esse sonho onde adormecia e acordava
Em todos e em cada um, dos dias do meu viver?
Porque, tanto o desejando, destruí o meu sonho?...

12 abril 2009

CUIDADO

…Cuidados!? Sigo desprezando avisos!


Tinha tudo, em mim, para seguir sereno o meu caminho
Deveria percorrê-lo pausadamente, mas de modo seguro,
Não deveria ter dúvidas, nem medos, menos sobressaltos
Não sendo recomendável desistir, nem se poder parar,
A um encobrir repentino de um sol, ao inesperado escuro
Manto que não deixa de ser a inquietação que invade
O ataque da vespa que não podendo sorrir, busca assim
No lançamento do mais sórdido e mortal veneno
Toda a cor, todo o brilho, malevolamente, acinzentar.




Tinha tudo para olhar-te e sorrir
E deveria seguir o coração, crendo na beleza
Dos sentires que se revelam descontrolados dentro de nós

Tinha tudo para entre a razão e a ausência dela
Sentir-te, ou não o podendo realizar, imaginar-te
Ao meu lado, no campo de divagações onde vivo
Despreocupado face ao rigor de especulações
Onde não existe nem alma nem sonho
Só equívocos, alicerçados em potenciais
Razões feitas de excessos incomensuráveis



Tinha tudo para seguir em frente e correr
Atrás de intensos cenários de ternura e amor
E para livremente poder declará-los a todos
Gritando aos homens entre pulos entre nuvens
E corridas libertinas atrás das aves

Tinha tudo para poder ser um poeta de canções
Sem quaisquer limites, nos termos somente iguais
Ao que podemos idealizar e desejar alcançar

Sem limites, declarando querer e saber, e afinal
Perseguir aos turbilhões como querendo aí beber
A magia do encanto tocando inimagináveis sensações



Queria e tinha tudo, ali, junto ao meu caminho
Para criar, e para sonhar, e para sussurrar, baixinho
Amores, sejam reais, ou simplesmente, poema

Mas repentinamente estremeço, de dúvida
Da tal concretização dos sonhos mais belos
Que sempre foi um paradigma maior
Agora posto em causa, sem mais,
Repentinamente balançando em rumores
A gritos desumanos que troam nas veredas
Escondidos em sábias predilecções de deuses
Ocultos na frieza de palavras sem vida



Porque se intrometem seres perdidos
De uma existência quimérica onde o calor não é
Nem pode ser revelação nem de sonho nem de ser
Porque atacam quem busca, mordendo quem passa
Provocando temidos pânicos, inaceitáveis agonias
Apenas tentando provocar o fim, o termo
Da ilusão que de outro modo poderia converter-se
Se não na verdade mais clara, num sonho belo
Que os mortais, todos, deveriam alguma vez
De modo naturalmente simples experimentar

Porque destruir movimentos de liberdade
Caminhadas de bandeiras soltas aos ventos
Em defesa de sabedorias sentidas
Assentes em realidades inexistentes
Que o vulcão do futuro não deixará
Segundo esses arautos da tristeza colectiva
De expelir magmas avermelhados de censura
De tristeza combinada com sensibilidades
Com arrogância e audácia
Cuidado… gritam, e matam, e gritam



Que ousar é ultrapassar o campo sem medida
Que crer é blasfémia em paraíso de loucos
Que desejar é simplesmente ultrajar
Milhões de códigos escritos em letras de ira
Milhões de palavras sem pinga de ternura
Centenas de milhar de frases aterrorizando
Sons nos ares em turbilhões, sibilando

Quem são esses loucos deuses e de que reino saíram
Para gritar aos sete ventos a completa perdição
De gente inexistente, ou de pessoas querendo viver
Que imaginando, ou querendo adivinhar
Lançam dardos impregnados de poções maléficas
Avisando, “cuidado”, enquanto as chamas
Que lançam junto ameaçam chamuscar
A poesia de uma ilusão feita escrita
Lançada paulatinamente aos caminhos



Tive mil dúvidas, tremi, aqui confesso
Não sou ninguém perante fantásticas forças
Que apontam sentires e gritam “cuidado”
Que descobrem extraordinárias ameaças
Que entram dentro de nós mesmos,
Nos revolvendo a essência, baralhando o tino
Apregoando o fim do mundo e a tragédia
Revelando futuros envoltos desgraça
De mil sentires feitos no fundo, feitos nada

E se têm razão? Se esses elementos que se julgam
Superiores, sabedores, magos, técnicos da ciência
De tudo saber, se eles, rebuscando dentro de nós,
Podem saber mais do que se passa dentro de mim
E de ti, e dos dois, mesmo nada existindo,
Nem existindo a ilusão de ver concretizar-se o sonho
A ideia de um caminho novo, se olham para a alma,
E descobrem de que é feito a paixão, o querer



Cuidado… esconde a tua ideia,
Não te atrevas sequer a sonhar, nessas noites
Em que deverias no teu leito ser livre para sentires
E afinal para dizeres, para contares, afinal, és gente
E deverias ser livre para cantar, correr, gritar
Bem alto o que é e tudo aquilo que não sendo
Poderia ser, poderias ser um caminho
Uma ilusão caminhando entre brumas
Um mundo potente girando cheio de energia

Cuidado… não revele nem sonhos nem ilusões
Não podes dormir tranquilo, nem te deites,
Seres avançados cientificamente espreitam
Encostam-se ao teu corpo ouvindo dentro de ti
Esgrimem argumentos e edificam teorias
Justificando o fim nefasto dos teus feitos
Que de verdade, não podes conhecer nem imaginas,
Mas que com toda a segurança te vão perder



Cuidado, mil cuidados, olhe o dia de amanhã
O que de mais belo parece pode revelar-se tragédia
O preço do sonho pode ser incomportável
Deixe de sonhar, deixe de querer, ou crer
Deixe de viver. Cuidado, mil cuidados
Viva na dúvida e creia em quem nunca se engana
Viva, siga por aí, mas não se atreva a sonhar
Menos a levar consigo alguém, mesmo inexistente

Cuidado, mil cuidados, não pode apaixonar-se
Não arrisque um sofrer que sempre existiu no amor
Não! Cuidado, …mais cuidados? Não… Nunca poderei
Seguir o iluminado que semeia e mostra a sombra
O poeta que chora feliz o fim do amor
O cientista que descobre ouro na areia da praia



Cuidado, eu vou continuar a cantar bem alto
A alegria de imaginar mais campos semeados de flores
A melodia feliz impregnada de doces encantos
Os delírios de bater-se por muitos e belos sonhos
…cuidado, mesmo sendo apenas a solitária pessoa
Vou continuar a fugir do veneno da vespa
Da sabedoria altaneira desprovida de bom senso
Para me perder, de novo, nas ilusões de amores

Vou ter cuidados, muitos cuidados, em resistir
Em seguir esse caminho possivelmente estreito
De escrever pinturas de delírios de mil cores
Em manter-me longe dos eruditos saberes
Que entristecem e amordaçam a vida
Dos pequenos nadas que afinal terminam sendo
Quase tudo. Vou ter cuidado, vou ver se consigo
Manter-me igual a mim mesmo. Ser eu…



Vou ter cuidado, muitos e atentos cuidados
Vou prevenir-me de alheios sentires
Buscando, na vida, o que podemos recolher
O desfrutar gostoso de maravilhas e sonhos

Vou manter-me tal e qual sou, pouco e muito,
Podendo crer muitas vezes ser quase nada.
Mas desejar, mesmo me perdendo, senti-la
Vou teimosamente seguir essa sensação maravilhosa
Que desejo sempre manter ao meu lado
De sorrir ao que posso imaginar sabendo
Que tudo isso que trago de um pretenso vazio
Enche, anima, e faz sorrir, os meus olhos



Tinha tudo para criar aquilo que eu próprio
Desejava ter dentro de mim, que me desse alegrias
Sem fim, sem os limites estreitos, de uma razão
Que sempre termina se revelando tirana
E a falta dela que nos levaria a uma irreflectida
E imensa, atordoável e indesejável, loucura

Tinha tudo para ser poeta, enloucado, bem sei
Mas livre e criador seja do que possa ser, mas meu
Sempre seria. E caminharia aparentemente só
Tendo em redor de mim as minhas ilusões
E amores… mas seria eu, e só, carregaria meu mundo
De entrega a qualquer ser, existente ou não,
Sem submeter-me a inspecções cuidadas
De entes carregados de razões, de saberes
Menos de harmonia e de paixões



Quero perder-me, em cada instante, só
Criando ou vivendo o mundo onde habito,
Ou na falta dele, imaginar a minha própria aldeia
Onde vivo os mais valorosos feitos, sou feliz,
Acompanhando em cada passo, o que crio,
Dando as mãos às personagens que invento
Beijando tranquilo os lábios que creio amar

Quero encontrar-me. Comigo, em cada momento
Só. Tranquilo. Feliz. Usufruindo em liberdade
De um caminhar entre galerias de mil cores
Livre de arautos de desgraças e de sofreres sem fim
Liberto de razões sem qualquer toque de humanidade
Quero envolver-me e afinal perder-me
Em mim, sonhando-te e te querendo



Tenho tudo para continuar a seguir-te
E recusando as críticas e os avisos prudentes
Continuar a ser só simples pessoa
Que deseja seguir o seu mundo

Quero continuar a inventar idílicos paraísos
A segui-los mantendo comigo as mais belas ilusões
Quero continuar a crer na magia e no sonho

E assim repudiar o razoável que se esconde em regras
E em bons olhares, em conselhos, em cuidados
Vou seguir, igualinho a antes, contigo e sem ti

Vou seguir, desprezando avisos, sem quaisquer cuidados
Comigo, e contigo, os dois, ou nenhum de nós… sempre

07 abril 2009

Fizemos poesia numa ilusão…




Perdidamente fomos felizes os dois. Impossível esquecer.
Foi um instante só, de intensos encantos, pareceu magia,
Foi um abraço, um beijo, entrega, foi o nosso querer
Foi a ilusão que fizemos verdade, fomos nós, foi poesia.




Chama-me, chama-me por favor…




Chama-me, chama-me por favor
Lá da estrela mais alta onde te escondes
Do mundo imaginário onde estás
Da varanda de cristal onde te creio

Abre-me os braços e esconde neles a minha loucura
Sorri para mim e derrete todo o meu descrédito
Toca-me de mansinho e acorda-me
Faz-me pensar que vivo, ilude-me
Faz-me crer nas mais inconcebíveis quimeras

Chama-me, diz o meu nome, baixo,
Sussurrando, di-lo, como só tu podes fazê-lo,
Aos ventos, á brisa, às aves dos céus
Espalha, por mundos e universos
A nova da inexistência que te quer
Conta-o. Sem medos, aos mares, aos rios
Deixa correr, ser levada nas águas sem fim
Esse conto de ilusão

Chama-me, faz-me crer que me queres
Abre os braços afogando nele incontáveis
Esplendorosos e inúmeros desejos
Dá-me o teu peito, embriaga-me nesse calor
De vulcões erguidos explodindo ternuras

Chama-me, ilude-me, sonhador
Irei descontroladamente voando
Alienado e provocante nos ares
Crendo que caminho para perder-me, contigo,
E que vamos, deitados nas alvas nuvens
Deixar de ser o que nem sequer somos
Nós próprios, eu em mim, tu, reflexo
De um magnífico querer
Enquanto, fazemos o acto perdido
De nunca nos encontrarmos

Chama-me, por favor, diz baixo,
O nome que julgo pertencer-me
E perde-me totalmente
Em vendavais de carícias
Em beijos de delírios, em um tudo,
Em ti,
Chama-me, chama-me, pelo nome
Por favor, perde-me,
Chama-me.


Mesmo sabendo que não existes…








…é lindo seguir ao teu lado


Sinto os teus passos silenciosos
Ao meu lado
Junto a mi
Ouço o teu respirar
O bater do coração
Um querer que sinto
Ao longo da praia
Na areia molhada

Toco com a minha a tua mão
De leve, levezinho
O calor pula para dentro de mim
Estremeço de querer, de sentir
É bom caminhar ao teu lado
Olhando o futuro
O sol, brilhante e forte
Lá longe.

Olho os teus cabelos ondulando
Levemente ao sabor da brisa
Sinto essa carícia suave
Como se me tocassem o rosto
Sinto, esse toque mágico
E sorrio à sorte de te ter
Aqui ao meu lado
Debaixo da protecção do sol.

Falo contigo, enquanto olho teus lábios
Enquanto o brilho dos teus olhos me desperta
Para aventuras sem fim
Caminho calcando areias
Vaidoso de te ter e de te amar
Forte de estar assim contigo
Intrépido desafiando todo o mundo
E a mim mesmo.

Caminho ao teu lado na praia
Mesmo sabendo que não existes
Que és a sombra, a sombra simples dos meus sonhos
Que és ilusão sem fim.

E sinto um estremecer inexplicável
Cada vez que te toco, assim sem querer
Na nossa caminhada na praia
Mesmo sabendo que não existes.
E mesmo sabendo que não és
Conhecendo a verdade, que não podes estar,
Sorrio as ouvir esses teus passos na areia
Ao ver os teus olhos da cor do mar.

Mesmo sabendo que não és
Nem estás
Nem serás nunca
É lindo seguir ao teu lado…

…Mesmo sabendo que não existes,
Ao teu lado não me sinto só
E caminho, olhando-te,
Querendo-te, tocando-te,
Só para sentir esse teu calor.

… Mesmo sabendo que não existes
Sou feliz por poder amar-te
Em cada momento que nos tocamos
Em cada instante em que de mãos dadas
Damos o nosso passeio na praia
E ouço o teu respirar
E vejo os teus olhos lindos
Da cor do mar.











04 abril 2009