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17 março 2009

Verdes encantamentos…



Na cidade temos o movimento, a confusa aglomeração de tudo quanto o homem cria para se entreter enquanto vai passando os dias por essa vida que se esconde em agitação, que se tapa no bulício que, enfim, é um amontoado confuso de coisas e loisas, do que deve, e do que deveria, seguiramente ser. Para melhor viver... mas, não é.

São casas, umas baixitas que parecem tímidas, espreitando preguiçosamente a ruela escura, ou o beco pobre, outras amontoam-se, como se de cubos de madeira, ou de gesso, de mil cores, se tratassem, elevando aos céus, familias em oferenda, em gritos, em amores e desamores.

Cheiros que já nem se distinguem violam espaços, impregnando as gentes e as coisas, umas que se movem outras que arrastam, outras como que possuídas de vontade própria pulam, ou correm, saltitando,do asfalto, aos passeios, enquanto semafóricas luzitas em frenesim, piscando oferecem o mágico espectáculo de se fazerem seguir de pessoas, carros e outros maquinismos empoleirados em rodas de todos os tipos e que balouçeando, aí vão, de qualquer jeito, à barafunda.

É o fim do razoável vestido de distinto e com um toque de classe. A burguesia deleita-se em abanar as ancas, ou mostrar os espelhados óculos que já permitem tudo ver, e ocultar. Muitos parecem mesmo pequeninos cientistas de fogareiro, ou dirigentes de função, escolhidos por caminhos de mérito que, não fora a bondade de presidenciáveis insuspeitos, ninguém de senso comum entenderia.

O povo cada vez está mais de tanga enquanto os oásis semeados um pouco pelas cidades onde se concentra a inteligência modernaça, mostram ao sol, reluzentes pópós, que dantes entusiasmavam os mais loucos, através de revistas e à porta de emblemáticos lugares de gente fina.

Agora as cidades que quase rebentam, de gente, de carros, de lojas, de cheiros e de lixo, não fora os tachos que distribuem aos muchachos do partido, aos amigos do peito e à bendita família, encontrar-se-iam em risco de serem lavadas,desinfecadas, quiçá, pelos céus, polvilhando máquinas voadoras, lá do alto, três doses de pózinhos, que até podiam ser miraculosas gotinhas de precioso líquido. Desde que não deteriorasse as coisas e as almas cá de baixo e garantisse os três momentos recomendados pela governação e as entidades da saúde pública; desinfecção, limpeza e perfumar a vida urbana.

Depois, caso a terapia não surtisse efeito, sempre poderia a Casa das Artes, mais os curandeiros do centro, e os desgovernantes pimpões, montar um programa televisivo, ou internético, a cores, com alta ou baixa definição, onde cada um dos amarelados - não chinos, entenda-se - da vida, poderiam esquecer as neblinas de tubo de escape, as humidades que as sarjetas não engoliram, e os sempre doentios, maus cheiros, ouvindo em multifonia, o vento que passa, as folhas das árvores atropelando-se nos ares e no chão, o cantar do galo, o uivo do lobo, e até mesmo o colérico trovão.

A cidade iria assim, com milhões de minúsculas estrelinhas saídas da varinha mágica, povoando-se de enebriantes paisagens verdinhas, onde não faltaria a floresta, as colinas, o tímido regatinho, as flores abanando atrás dos raios de sol. Tudo isto, debaixo de um céu azul, imenso, sem um único fiozinho de fumaça, ou nuvenzinha poluída.

A cidade tornar-se-ia, nos sonhos de cada pequenino urbano, uma mágica imagem de um deslumbrante campo, sem fim, cheio de cor, cheio de vida. E as cidades passariam a ser classificadas segundo o grau de ilusão campestre que oferecessem aos seus habitantes.

Com 6 ******, é bem de ver, só mesmo as cidades que nos recordassem as Montanhas Rochosas, ou a Cordilheira Branca, ou os verdes pradinhos dos postais suiços. Com tantas estrelinhas, essses felizes moradores dessa urbana natureza, poderiam seguramente viver mais uma boa porção de anos, com qualidade, que os demais cidadãos do mundo.

1 comentário:

Anónimo disse...

Companheiro:
Entrei no seu Blog e gostei. Parabéms.
Deste sempre colega e amigo
Carlos Gil

http//:souselalentejo.blogs.sapo.pt