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30 março 2009

Manto de flores polvilhando ilusões sem fim

Locas (Des)Ilusiones

Parecia que uma estrela acabara de descer do alto dos céus e carregada de milhentas cores, felizes e vivas, o tinha sacudido com uma firme promessa de encantos inigualáveis.


Sorria por fim। O mundo deixara numa fracção de segundo de perder as inúmeras toneladas de confusão e assombro que fustigavam paulatinamente os seus ombros em cada acordar, todo o seu corpo, seus pés, em cada tentativa de olhar em frente ou seguir.

Sentia-se leve, levezinho, suave, novo. Poderia não ser o super homem, nem nunca quereria descer a montanha para ensinar o que quer que fosse a alguém, mas seguramente, sentia-o de modo claro, tornara-se, assim de um pé para a mão, um ser ágil, cheio de dinamismo, um ser cheio de potencial cuja têmpera parecia não mais poder esgotar suas reservas de força.

E, em conformidade, dispunha-se a sair em velocidade, a correr, a lutar, a resistir, a buscar, sem vacilações, sem dúvidas, cheia de confiança – a estrelita tudo garantia – e, quando a olhou, quando sentiu em todo seu ser a invasão de tantas cores, calores, brilhantes, frescas visitas, quentes , vitaminadas, percebeu que nada mais voltaria a ser igual

O coração batia desordenadamente com uma felicidade traquina que parecia querer galgar do peito. Os olhos redimensionaram-se de espanto e querer num sorriso largo e sem fim. O peito avolumou-se com a invasora lufada de ar revitalizador que atabalhoadamente pulavam nos pulmões rejuvenescidos.

A estrela; a luz; … um futuro, um entusiasmo।

A estrela e a luz।

Vogando na crista de ondulações de delírio, olhou, repentinamente, o céu। Olhou tudo em seu redor num emaranhado de visões que saltavam numa nuvem povoada de mil imagens, difusas, tão depressa ténues, ora vivas, depois se prostrando em desassossegados batalhões de espantos.

A estrela entre esses jogos, no meio do atropelo de sombras, tornava-se baça, perdia-se, desfeito o brilho, escapando a um olhar que ansiosamente procurava a promessa luzidia, e uma névoa ameaçadora catapultava em todas as direcções, sombras e mais sombras, negrumes, fumaças, perdendo-se nessa miscelânea de gasosos sobressaltos, o brilho, a luz, e depois da estrela a própria cor.

Olhava atordoado, incrédulo, o azul celeste, sentindo nos ares a fuga, certa, lenta, impiedosa, de um sonho que se desmoronava aos seus olhos, à sua frente, condenando-o, depois de sentir o êxtase de um mundo novo, ao regresso ao seu pequeno lugar de sempre, onde as cores seguiam pálidas nada se esforçando por adquirir, menos manter, a força e o brilho, a vida, onde as luzes esmoreciam de tal modo que não podiam assegurar um qualquer rumo, onde as imagens, reais ou não, se baralhavam entre o que já foi e que deveria necessariamente esquecer e o que seria desejável mas que em cada instante se afundava em amalgamas de sobreposição, de reflexos

A estrela agonizava num turbilhão de movimentos que revolucionavam os corpos celestes, num torvelinho de rodopios, saltos, bruscas descidas e projecções poderosíssimas aos altos, e de lado, para um e outro, e mais este e aqueloutro, sem tempo, sem ritmo, como se um deus possesso galvanizasse todas as suas fúrias na destruição da luz, de um corpo fraco e mártir.

Olhei…
Olhei para uma frente, que sempre se diz existir para cada um, que não parecia existir, para um futuro que mais não era que uma corrida atrás do passado, para a rejeição da claridade correndo à escuridão mais profunda, apático, suspenso na recusa dos sonhos, embriagado em ideias sem potencial de sobrevivência, envolto nos costumeiros silêncios sem esperança

Agora, o pântano mais nebuloso em que sentia embrulhado todo o meu caminho, só poderia assistir, ao arrastar de passos sem vontade de seguir, de olhos sem animo para perscrutar, sem alma, sem coração, entre o lodo, espojado, bem mais morto que vivo, olhando o céu, buscando entre o azul do alto, uma corrente nova, de sais, de ar, um sopro, uma promessa de vida numa nova estrela.

Que deveria ser obrigatoriamente aquela, a mesma, o renascer de um corpo escuro recuperando um brilhozito, que de pálido passaria, segundo a segundo, a possuir novas energias até se afirmar de novo a salvação, a esperança, o rumo, a vida

Seria essa estrela, e só essa, aquela que poderia dar novo impulso, que possibilitaria o milagre de um sorriso. Quero sorrir. Uma, e mais uma, outra, ou mesmo muitas vezes e, envolver-me em novas aventuras onde os sonhos podem mesmo tornar-se realidades. Quero crer num renascer que leve ao lugar cheio de magia, onde, com a estrela brilhando nas alturas, as cores voltem a inundar o mundo, as coisas e as flores.

Espero-te, minha estrela, minha estrela linda, para juntos navegarmos entre sonhos, entre flores… vivendo de mãos dadas felizes e sentidos amores.

1 comentário:

mariam disse...

Pedro,
tenho estado a descer os 'degraus' destes belos posts, a 'ler-te' e a apreciar as fantásticas imagens! tudo belíssimo! parabéns.
o teu 'kampus de ideas' está a ficar cada-vez mais bonito.

bom fim-de-semana
um sorriso :)
mariam